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terça-feira, 28 de abril de 2015

Eu sou Malala - Malala Yousafzai - Ed. Companhia das Letras

"Quem é Malala? Eu sou Malala, e essa é a minha história".

Li esse livro agradecendo a Deus por ter nascido em um país como o Brasil. Cheio de problemas e com muitos aspectos para melhorar, sim, mas vivemos com liberdade e numa democracia, ufa mil vezes.

Malala é mais uma menina nascida em um país de homens. Normalmente, os pais de meninas lamentam muito quando percebem que não é um "novo macho poderoso" que saiu do ventre da mãe. Mas o pai de Malala tem a mente aberta e bastante discernimento. Acolheu sua filha desde o nascimento e, daí por diante, ofereceu o mais importante: cultura e educação. Mas nem isso elas teriam o direito de ter em seu país. Mulher, ali, não pode ir pra escola, onde já se viu!

Mas Malala e seu pai lutaram contra esse absurdo tanto quanto puderam.  O livro conta toda a infância de Malala e as dificuldades que sua família teve que passar até seu pai conseguir transformar seu sonho de ter uma escola para meninas em realidade.

O livro é muito bom e eu fiquei chocada e revoltada em muitos momentos, comparando com o Brasil e refletindo sobre como, no fim das contas, é "fácil" viver aqui. Malala tem cultura, informação e o espírito livre. Para pessoas assim, ser muçulmano e viver no Paquistão deve ser o pior dos castigos.

Mesmo assim, ela continuou sua missão de lutar para que outras meninas tivessem o direito à educação, assim como ela tinha. Parecia que ela estava procurando uma agulha no palheiro, mas ela sabia que o grãozinho que plantava podia fazer a diferença na vida e no futuro das meninas paquistanesas, mesmo que a longo prazo. As ameaças que eles ouviam todos os dias dos fanáticos religiosos até causavam medo, mas não o suficiente para calá-los. Seu pai estava com ela nessa luta, ele era seu maior exemplo. Seu espelho. Seu herói.

Até que um dia, um homem entra no ônibus em que Malala está e pergunta: Quem é Malala?
Ninguém responde, mas todas as suas amigas olham para ela. O disparo é feito. Daí pra frente, a luta é pela vida.

Chorei litros ao ler passagens do que ela sofreu no hospital. Depois que terminei o livro fui procurar vídeos dela no YouTube e vi que ela era linda, mas depois do tiro ficou com o rosto um pouco assimétrico e maior de um lado que do outro. Isso importa? Claro que não! Malala esta viva. Malala ainda luta. O talibã não a representa e não conseguiu calá-la. Ao contrário, eles fizeram com que ela ganhasse notoriedade mundial. Eles perderam.


Sobre Malala

Malala Yousafzai é uma estudante e ativista paquistanesa. Ela é conhecida por seu ativismo pelos direitos à educação e o direito das mulheres, especialmente no Vale do Swat, onde o Talibã às vezes proíbe meninas de frequentarem a escola. Em 9 de outubro de 2012, Yousafzai foi baleada na cabeça e pescoço em uma tentativa de assassinato por talibãs armados quando voltava para casa em um ônibus escolar. Nos dias que se seguiram ao ataque, ela permaneceu inconsciente e em estado crítico, mas mais tarde a sua condição melhorou o suficiente para que ela fosse enviada para o Queen Elizabeth Hospital, em Birmingham, Inglaterra, para a reabilitação intensiva. Em 12 de outubro, um grupo de 50 clérigos islâmicos no Paquistão emitiu uma fatwa contra aqueles que tentaram matá-la, mas o Talibã reiterou sua intenção de matar Malala e seu pai.


Fonte: Skoob

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Mayada - Jean P. Sasson - Ed. Best Seller



Depois de ler a trilogia da Princesa, da mesma autora, lá fui eu comprar Mayada e De amor e de Chamas, para continuar prestigiando as obras de uma mulher que escreve tão bem. Já publiquei as resenhas da trilogia. Para quem não leu, clique aqui, aqui e aqui.

Mayada é realmente igualmente bem escrito. A gente não consegue parar de ler e pensa várias vezes durante a leitura como somos abençoadas por ter nascido em um País onde as mulheres não são tratadas como seres inferiores. Mas, vamos à história, para vocês entenderem sobre o que estou falando.

Mayada conta a história de uma mulher iraquiana bem nascida, com família influente e de boas relações. No fim das contas, esse foi o "detalhe" que salvou a sua vida. Porque, do contrário, ela teria sido torturada cruelmente até seu corpo não aguentar mais e desistir de acordar após um dos desmaios frequentes que alguém que sente mais dor do que consegue suportar sofre.

O livro é forte, é verdadeiro e conta, além de histórias sobre as mulheres que dividiram a cela da prisão com Mayada, muita coisa sobre o regime de Saddam Hussein. Ler Mayada é ter uma aula de história do Iraque, também.

Em 1999, Mayada foi presa sem saber o motivo. Ela não fazia absolutamente nada que pudesse ser interpretado como oposição ao governo. Levava uma vida tranquila com os dois filhos e, do nada, foi levada para Baladiyat, quartel-general da polícia secreta iraquiana. Lá descobriu que estava sendo acusada de imprimir folhetos contra o governo (ela era dona de uma gráfica).

Mayada então é colocada na cela 52 com mais 17 mulheres de diversas origens. As mulheres-sombras, como Mayada as chamava, se encantam pelas histórias dela e também acabam contando suas histórias, todas relatadas no livro. Elas passam a conviver, a ajudar umas às outras, a rezar pela vida da torturada da vez enquanto ela não voltava para a cela, a tratar dos ferimentos e dos ataques de tristeza, depressão e saudade. Elas passaram a se amar.

Um mês depois, Mayada foi solta, voltou para os filhos e fugiu para a Jordânia. Perto do final do livro ficamos com muita esperança de que tudo vai acabar bem para todas as mulheres-sombras, por conta da soltura de Mayada, mas depois, ao termionar a leitura, lembramos que o livro é sobre uma história real, e não um conto de fadas.

Eu já li muitos livros sobre esse tema. Quem lê meu blog sabe que é um dos meus temas favoritos. Mas Mayada, com certeza, foi um dos melhores livros que já li. Leitura mais que obrigatória!


Sobre a autora

Jean P. Sasson é autora da trilogia best-seller "Princesa", "As Filhas da Princesa" e "Princesa Sultana", que mostraram ao Ocidente a realidade sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita. Seu primeiro livro, o sucesso editorial "The Rape of Kwait", vendeu mais de um milhão de cópias e alcançou o segundo lugar na lista do jornal norte-americano "The New York Times". Sempre envolvida com temas ligados às mulheres, Jean Sasson é americana, viveu na Arábia Saudita e viajou por todo o Oriente Médio.

Há ainda o livro "Amor em Terra de Chamas", da mesma autora. Tenho ele guardadinho aqui na minha estante. Em breve posto a resenha por aqui. :)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Princesa Sultana: sua vida, sua luta - Jean P. Sasson - Best Seller




Tenho um carinho muito especial por essa trilogia. Li os dois primeiros livros há mais tempo e, ao contrário de muitas trilogias, em que o melhor é sempre o último livro, neste caso achei o contrário: o primeiro é o melhor de todos, o segundo é o intermediário e o terceiro é o mais fraco. Mas, não entedam com isso que ele é ruim, porque não é. O livro é ótimo e ler Jean P. Sasson é sempre uma delícia, mas é que o primeiro livro é realmente o mais chocante. Já escrevi aqui sobre eles: o primeiro, "Princesa", e o segundo, "As filhas da Princesa".

Mas vamos à história que fecha a trilogia. Neste livro Jean explora mais a vida das mulheres em geral, contando histórias marcantes que Sultana ouviu ou ficou sabendo, algumas até relacionadas a membros da sua família. O livro tem humor também, mas o drama ainda impera. Neste livro continuei apaixonada pela coragem e luta de Sultana, por seu espírito guerreiro e por sua vontade de mudar as coisas no seu país. Como as outras mulheres, Sultana poderia ficar quieta e seguir em frente, mas preferiu lutar, fazer sua parte, mesmo que ela represente uma migalha perante à cultura machista e violenta da Arábia Saudita. 


E por mais que a gente tenha ficado com a impressão de que Sultana é uma muralha lendo os dois primeiros livros, no teceiros nós vemos que toda essa situação acaba atormentando-a mais do que ela mesma parece aguentar, fazendo com que o alcoolismo e a depressão quase tomem conta dela.

Adorei o livro e fiquei pesarosa por ser o último. Se Jean resolver transformar a trilogia em uma série, estarei de braços abertos para os próximos livros. :)

Sobre a autora

Jean P. Sasson é autora da trilogia best-seller "Princesa", "As Filhas da Princesa" e "Princesa Sultana", que mostraram ao Ocidente a realidade sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita. Seu primeiro livro, o sucesso editorial "The Rape of Kwait", vendeu mais de um milhão de cópias e alcançou o segundo lugar na lista do jornal norte-americano "The New York Times". Sempre envolvida com temas ligados às mulheres, Jean Sasson é americana, viveu na Arábia Saudita e viajou por todo o Oriente Médio.

Há ainda os Livros "Mayada" e "Amor em Terra de Chamas", da mesma autora. Tenho ambos os livros e já li Mayada, em breve posto a resenha por aqui. :)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Os livros que eu já li

Recebi alguns e-mails muito legais de leitoras interessadas nos livros que leio sobre mulheres muçulmanas.

A maioria compartilha comigo o interesse especial por livros com essa temática. Essa semana, recebi um e-mail da Silvia Ferreira Calçada (adorei conversar com você!) que me deu uma ideia ótima: publicar uma lista dos livros que eu já li sobre o tema.

Resolvi atender rapidinho ao pedido dela e tomei o cuidado de deixar o link para aqueles sobre os quais já escrevi aqui no blog. Os que não têm link, é porque eu já li, mas ainda não fiz resenha.

Então, lá vai. Confira todos os livros que falam sobre a vida de mulheres muçulmanas que eu já li:

Desonrada - Mai Mukhtar e Marie-Thérèse Cuny - Best Seller

A Cidade do Sol - Khaled Hosseini - Nova Fronteira

Princesa - Jean P. Sasson - Best Seller


As Filhas da Princesa - Jean P. Sasson - Record


Princesa Sultana - sua vida, sua luta - Jean P. Sasson - Best Seller

Vida Dupla - Rajaa Alsanea - Nova Fronteira

Infiel - Ayaan Hirsi Ali - Companhia das Letras


A Virgem na Jaula - Ayaan Hirsi Ali - Companhia das Letras


Prisioneira em Teerã - Marina Nemat – Planeta


Minha briga com o Islã - Irshad Manji – Francis


Minha Vida como Traidora - Zarah Ghahramani e Robert Hillman - Ediouro