Mostrando postagens com marcador Irã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Irã. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Minha Vida como Traidora - Zarah Ghahramani e Robert Hillman - Ediouro

Quem lê meu blog sabe que eu sou vi-ci-a-da em livros que contam a realidade de mulheres acostumadas (ou não) e criadas em culturas diferentes da ocidental. Já li inúmeros e, na minha mini bibliotecda, tenho pelo menos quinze obras sobre esse tema.

A última que li foi o Minha Vida como Traidora, que conta os 30 dias de angústia e medo vividos pela então adolescente Zarah Ghahramani, presa e enviada à penitenciária mais notória de Teerã - Evin, sob acusação de ser uma ativista política contra o regime.

Eu x outros leitores

Para uma pessoa que leu um monte de livros sobre o tema, dos mais fortes aos mais centrados na política desses países, fui ficando cada vez mais exigente em relação à riqueza de detalhes e à maneira de contar esse tipo de história.


Por isso, minhas impressões são, certamente, bem diferentes das impressões de leitores que não são mega viciados em histórias desse tipo. Vou exemplificar: para mim, o livro não traz comentários sobre Evin tão fortes e impressionantes quanto alguns outros livros que já li.

Além disso, algumas passagens da infância da autora, que ela intercala com os capítulos em que descreve seus dias na prisão são, em sua maioria, desnecessários. Para mim, não há nada nessas passagens que enriqueça a leitura ou que torne a experiência mais rica.


Por outro lado, achei muito legal o fato de a autora mostrar, mais de uma vez, que suas crenças e toda a sua coragem de adolescente apaixonada terminou no instante em que a coisa ficou séria. Assim que foi presa e recebeu os primeiros atos de violência dos guardas da prisão, Zarah descobriu que toda a coragem que mostrava na universidade era pura empolgação típica de uma adolescente que lutava por encontrar seu lugar no mundo. Na hora da dor, ela assinaria qualquer papel, delataria todos os amigos e faria tudo o mais que lhe fosse possível para ser libertada daquele lugar.

Final muito bom

Eu até poderia dizer que o livro não me tocou e que fiquei um pouco frustrada com a leitura. Mas, ao chegar nos últimos cinco capítulos, minha opinião mudou completamente. A história ficou forte, cheia de ação e tensão, com acontecimentos surpreendentes que fizeram de Minha Vida como Traidora uma obra única. Era exatamente isso que eu estava esperando, algo que tornasse a obra marcante, algo que passasse uma mensagem significativa.

Após Zarah mostrar o que a violência pode fazer com pessoas, seja alguém como Zarah, que tinha uma vida perfeita, seja alguém como a carcereira deformada, que teve as marcas da guerra cravadas na carne e que, por dentro e por fora, nunca mais seria a mesma.

Li os últimos capítulos como se o mundo fosse acabar em seguida. Não queria perder um minuto. E o final do livro foi tão bom que valeu por todo o resto, que não alcançou as expectativas, mas que também não comprometeu. Mas, para quem não está tão acostumada com esse tipo de leitura, acredito que ela será super marcante e uma ótima experiência!

Então, se você tem Minha Vida como Traidora e não está conseguindo se envolver com a leitura, não desanime! Porque os últimos capítulos são tão bons que fazem tudo valer a pena. Para saber mais, não deixe de acessar o site oficial do livro. Lá também é possível comprá-lo online!

Sobre os Autores

Zarah Ghahramani nasceu em Teerã, em 1981, e vive atualmente na Austrália.

Robert Hillman nasceu em 1948 e escreveu diversos livros, entre eles A Life of Days, The Hour of Disguise, Writing Sparrow Hill e The Deepest Part of the Lake. Sua autobiografia, The Boy in the Green Suit, ganhou o Prêmio Nacional de Biografia da Austrália. Hoje, Hillman é escritor em tempo integral. Ele tem três filhos e mora na cidade de Warburton, no Vale Yarra, em Victoria.