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terça-feira, 28 de abril de 2015

Eu sou Malala - Malala Yousafzai - Ed. Companhia das Letras

"Quem é Malala? Eu sou Malala, e essa é a minha história".

Li esse livro agradecendo a Deus por ter nascido em um país como o Brasil. Cheio de problemas e com muitos aspectos para melhorar, sim, mas vivemos com liberdade e numa democracia, ufa mil vezes.

Malala é mais uma menina nascida em um país de homens. Normalmente, os pais de meninas lamentam muito quando percebem que não é um "novo macho poderoso" que saiu do ventre da mãe. Mas o pai de Malala tem a mente aberta e bastante discernimento. Acolheu sua filha desde o nascimento e, daí por diante, ofereceu o mais importante: cultura e educação. Mas nem isso elas teriam o direito de ter em seu país. Mulher, ali, não pode ir pra escola, onde já se viu!

Mas Malala e seu pai lutaram contra esse absurdo tanto quanto puderam.  O livro conta toda a infância de Malala e as dificuldades que sua família teve que passar até seu pai conseguir transformar seu sonho de ter uma escola para meninas em realidade.

O livro é muito bom e eu fiquei chocada e revoltada em muitos momentos, comparando com o Brasil e refletindo sobre como, no fim das contas, é "fácil" viver aqui. Malala tem cultura, informação e o espírito livre. Para pessoas assim, ser muçulmano e viver no Paquistão deve ser o pior dos castigos.

Mesmo assim, ela continuou sua missão de lutar para que outras meninas tivessem o direito à educação, assim como ela tinha. Parecia que ela estava procurando uma agulha no palheiro, mas ela sabia que o grãozinho que plantava podia fazer a diferença na vida e no futuro das meninas paquistanesas, mesmo que a longo prazo. As ameaças que eles ouviam todos os dias dos fanáticos religiosos até causavam medo, mas não o suficiente para calá-los. Seu pai estava com ela nessa luta, ele era seu maior exemplo. Seu espelho. Seu herói.

Até que um dia, um homem entra no ônibus em que Malala está e pergunta: Quem é Malala?
Ninguém responde, mas todas as suas amigas olham para ela. O disparo é feito. Daí pra frente, a luta é pela vida.

Chorei litros ao ler passagens do que ela sofreu no hospital. Depois que terminei o livro fui procurar vídeos dela no YouTube e vi que ela era linda, mas depois do tiro ficou com o rosto um pouco assimétrico e maior de um lado que do outro. Isso importa? Claro que não! Malala esta viva. Malala ainda luta. O talibã não a representa e não conseguiu calá-la. Ao contrário, eles fizeram com que ela ganhasse notoriedade mundial. Eles perderam.


Sobre Malala

Malala Yousafzai é uma estudante e ativista paquistanesa. Ela é conhecida por seu ativismo pelos direitos à educação e o direito das mulheres, especialmente no Vale do Swat, onde o Talibã às vezes proíbe meninas de frequentarem a escola. Em 9 de outubro de 2012, Yousafzai foi baleada na cabeça e pescoço em uma tentativa de assassinato por talibãs armados quando voltava para casa em um ônibus escolar. Nos dias que se seguiram ao ataque, ela permaneceu inconsciente e em estado crítico, mas mais tarde a sua condição melhorou o suficiente para que ela fosse enviada para o Queen Elizabeth Hospital, em Birmingham, Inglaterra, para a reabilitação intensiva. Em 12 de outubro, um grupo de 50 clérigos islâmicos no Paquistão emitiu uma fatwa contra aqueles que tentaram matá-la, mas o Talibã reiterou sua intenção de matar Malala e seu pai.


Fonte: Skoob

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Prisioneira em Teerã - Marina Nemat - Planeta

Forte e revoltante. Assim é Prisioneira em Teerã, livro que me envolveu do começo ao fim e me fez ansiar pela próxima página, capaz de fazer brotar nos leitores uma mistura de sentimentos, inclusive de impotência, por não podermos fazer nada para mudar essa realidade.

Outros sentimentos que surgiram em mim foi leveza, paz e vontade de agradecer muito por ter nascido em um país onde as mulheres conquistaram respeito e direitos de igualdade, mesmo sabendo que muitas mulheres ainda passem por situações de preconceito, violência e tratamento diferenciado e machista. Porém, quando tudo isso é ancorado em religião, tudo fica mais enraizado, fanatizado e estabelecido como verdade única e inquestionável.

A história do livro é tão absurda que parece ficção, e daquelas bem criativas. A autora tinha apenas 16 anos quando foi presa, torturada e condenada à morte, sem direito a defesa. Porém, quem diria, um dos carcereiros se apaixonou por ela e salvou-a do fuzilamento, momentos antes de Marina ser assassinada. Ela sobreviveu, mas os horrores vividos naqueles dois anos nunca serão esquecidos. E, depois, Marina ainda teve que passar por mais tristezas e decepções. Mas isso você só vai entender quando ler o livro.

E lá, em cada página, é impressionante como a autora consegue passar essa angústia que a acompanhará para sempre. Pior do que tudo, acho que é não ter direito de escolha. E isso foi exatamente o que aconteceu a Marina.

Um livro que, decididamente, vale a pena ser lido!

Sobre a Autora

Marina Nemat cresceu em Teerã, no Irã. Em 1991, emigrou para Toronto, Canadá, onde vive até hoje.

Confira o site oficial da autora. Encontrei também uma entrevista com ela:


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Segredo do Hamas - Rafael M. Palermo - LCTE Editora

O Segredo de Hamas é uma obra policial de tirar o fôlego, como diz a sinopse do livro. E é mesmo! Você lê uma página já pensando nas revelações e desdobramentos que virão na próxima.

A história traz um plano de fundo real, em combinação com fatos ficcionais, o que dá um gosto todo especial à trama. Os capítulos são construídos de maneira irregular. Você termina um capítulo sabendo de um fato que terá toda a sua explicação dada apenas alguns capítulos a frente.

Do mesmo modo, pode começar a ler um capítulo que traz a história do ponto de vista de um outro personagem, mas que acaonteceu exatamente ao mesmo tempo em que os fatos narrados no capítulo anterior.

A maneira com que o livro foi escrito me lembra filmes como Crash e Babel, em que histórias começam a ser contadas separadamente, mas que acabam se juntando no final e dando um sentido perfeito aos fatos.

Imagino o quanto deve ter sido complicado escrever um livro nesses moldes, ainda mais porque aprendemos desde pequenos que uma história deve ter início, meio e fim, sempre nessa rodem. Talvez seja por quebrar esse paradigma que achei o livro tão interessante e instigante. Por ser apenas o segundo livro escrito por Rafael Palermo, não imaginei que fosse gostar tanto. Mas, a história é tão amarrada e tão carregada de realidade que eu adorei a experiência.

Por outro lado, exatamente por ser o segundo livro de sua carreira como escritor, Palermo talvez tenha pecado em alguns pontos. Por exemplo, já que a história é construída de maneira não linear, desafiando o leitor a mergulhar na história para não se perder, fica estranho todos os fatos serem tão bem explicados, às vezes mais de uma vez. Parece que a dúvida de estar sendo claro na narrativa acabou por subestimar o leitor.

Outro ponto que notei foi a repetição de algumas palavras no mesmo parágrafo. A leitura fica mais agradável e o autor passa mais credibilidade quando recheia o livro com um vocabulário rico, abusando de sinônimos ou simplesmente cortando palavras desnecessárias, que não deixam o texto parecer repetitivo.

Porém, esses dois fatos não apagam o brilho da obra, que é uma ótima pedida para quem gosta de adrenalina, história, tramas bem amarradas, ação e um final que mexe com a emoção de qualquer um.

Mas, o livro é sobre...

Um jovem pianista brasileiro decide visitar a terra de seus antepassados – Israel - em novembro de 2004. Tudo começa a dar errado quando, ao desembarcar, ele é assaltado e perde todo seu dinheiro e documentos. Em meio à busca por ajuda, acaba perdendo a memória num atentado à embaixada brasileira e vê em Joseph Sukur, um simpático palestino, sua chance de sobrevivência.

Mas nem mesmo Joseph poderá ajudá-lo quando um segredo de enormes proporções cai em seus ouvidos. O Segredo de Hamas é uma obra de ficção que se passa em uma zona real de conflito, e levanta ironias e questões de uma guerra que parece não ter fim.


Sobre o Autor

Conheci Palermo há alguns anos, quando trabalhamos juntos em uma produtora digital. Na época, ele lançava seu primeiro livro, Estupidez Crônica. Li os dois e é notável a evolução do escritor. Gostei infinitamente mais de O Segredo de Hamas.

Palermo é redator publicitário e, além de esccritor, é músico nas horas vagas. Mora em São Paulo e, aos 28 anos, já tem dois livros publicados. E aposto que o terceiro já está sendo planejado...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Virgem na Jaula - Ayaan Hirsi Ali - Companhia das Letras

Eu e minha ansiedade...pedi esse livro em um dos muitos amigos secretos dos quais participo todo ano. Ganhei. Adorei o presente e, como na época não tinha a fila enorme de livros esperando para serem lidos como tenho hoje, resolvi começar logo a ler. O problema é que, na época, não sabia que, antes de A Virgem na Jaula ser publicado, Ayaan Hirsi Ali já havia escrito Infiel. Como toda sequência, um livro complementa o outro e eu acabei lendo o segundo sem ter lido o primeiro. Por isso, às vezes me senti perdida e pouco envolvida com a história.

Achei uma história meio fria, mais sobre política e religião do que sobre as lutas pessoais pelas quais
Ayaan Hirsi Ali passou, que era o que eu esperava encontrar na obra. Mas, certamente, o livro fará muito mais sentido quando for lido depois de Infiel, livro que já está na minha estante, a espera da sua vez. :)

Lerei A Virgem na Jaula de novo, depois, e complementarei essa resenha. Mas, por hora, posso dizer que é um livro muito legal para aprender um pouco mais sobre a cultura muçulmana, alguns casos de desrespeito à mulher e compreender muito da luta de Ayaan Hirsi Ali e sobre seus pensamentos e opiniões. Mas, se você for ler, leia o Infiel primeiro, por favor. :/

Sobre a autora

Após descarregar toda a munição da pistola no cineasta Theo van Gogh, o fundamentalista islâmico Mohammed Bouyeri aproximou-se da vítima. Ajoelhado numa rua de Amsterdã, Van Gogh murmurou: "Tem certeza de que não podemos conversar?". O assassino cortou-lhe a jugular com uma faca de açougueiro e, com outra, espetou no cadáver uma carta endereçada à holandesa de origem somali Ayaan Hirsi Ali: "A próxima será você". Ayaan é parlamentar em seu país e roteirista de Submissão – Parte I, o curta-metragem de Van Gogh sobre a repressão sofrida pelas mulheres no Islã. Veja abaixo:



Esse é um assunto que ela conhece bem. Aos 5 anos, sofreu excisão do clitóris. Aos 22, fugiu de um casamento arranjado com o primo pelo pai. Refugiada na Holanda, trabalhou como tradutora nos centros sociais para imigrantes e foi brilhante universitária de ciências políticas. Na semana passada, sete meses depois da ameaça de morte, Ayaan, uma negra longilínea de 35 anos, desceu de um carro blindado numa ruela de Paris.


Infibulação do clitóris

Aos cinco anos Ayaan e sua irmã de 4 anos sofreram a infibulação do clitóris numa cerimônia organizada pela avó, apesar da oposição do pai a esta prática. Também chamada de excisão faraônica, a infibulação é considerada a pior de todas, pois, após a amputação do clitóris e dos pequenos lábios, os grandes lábios são seccionados, aproximados e suturados com espinhos de acácia, sendo deixada uma minúscula abertura necessária ao escoamento da urina e da menstruação.

Esse orifício é mantido aberto por um filete de madeira, que é, em geral, um palito de fósforo. As pernas devem ficar amarradas durante várias semanas até a total cicatrização. Assim, a vulva desaparece sendo substituída por uma dura cicatriz. Por ocasião do casamento a mulher será “aberta” pelo marido ou por uma “matrona”, mulheres mais experientes designadas a isso. Mais tarde, quando se tem o primeiro filho, essa abertura é aumentada. Algumas vezes, após cada parto, a mulher é novamente infibulada.


Nossa, só de ler isso já fico com uma super aflição...e agoniada por saber que tanta mulher ainda passa por essa mutilação. Será que nos primeiro livro a autora fala sobre esse assunto?

Sobre o livro

A obra é resultado da convivência com outras vítimas de maus tratos sob o jugo do Islamismo. O livro apresenta uma crítica não apenas aos costumes mulçulmanos, mas também ao multiculturalismo e tolerância execissava com que o Ocidente trata este casos.

"Este livro é imensamente importante, veemente, desafiador e necessário. Deve ser lido pelo maior número de pessoas possível, pois diz a verdade - a verdade crua e desconfortável." - Salman Rushdie.

Aqui, é possível conferir uma entrevista publicada na Veja com a escritora.

Veja sua entrevista no Roda Viva:


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desonrada - Mai Mukhtar e Marie-Thérèse Cuny - Best Seller

Tinha lido sobre esse livro há muito tempo e fiquei com ele na cabeça. Estava louca pra ler e, quando chegou o natal do ano passado, pensei comigo: "Em um dos 384857472362761 amigos secretos dos quais sempre participo, vou pedir esse livro de presente para quem me tirar!".

Dito e feito! Pedi e ganhei! Uhu!!! E estava tão, mas tão, mas tão curiosa que comecei a ler no mesmíssimo dia. E valeu a pena! O livro é muito bem escrito, muito emvolvente e super chocante, até para mim, a "louca dos
livros sobre muçulmanas" (sim, eu amo, já li mais de 15 sobre o tema).

Desonrada, por quê?

O nome não poderia ter sido melhor. Isso porque Mai Mukhtar foi desonrada de todas as formas possíveis. E o mais incrível é ela ter conseguido transformar toda a sua dor em força para lutar por um amanhã diferentes para as suas semelhantes.

Virei fã de carteirinha de Mai!

Sobre o livro

O livro começa contando um pouco sobre a vida de Mai e sua família, pessoas simples e de bem, que só queria levar suas vidas em paz. Mas, por causa de uma acusação contra seu irmão (veja bem, contra seu irmão, não contra ela), Mai ouviu, na presença de mais de 100 homens da sua aldeia, a sentença de estupro coletivo a que ela estava condenada para livrar a vida de seu irmão. Porque lá é assim: as mulheres, seres considerados inferiores, têm até que pagar pelos erros dos homens da família.

No momento em que ela termina seu depoimento sobre tudo o que sofreu, eu já estava revoltada, enojada, acabada. Mas aí começa a outra parte do livro, a narração da sua história de renascimento, quando ela relata sua luta contra os absurdos de sua própria cultura.

Quando você começar a ler, não vai mais conseguir parar.

Nas minhas buscas pela internet, enconotrei essa matéria bem legal do Uol sobre o livro.

Sobre a Autora

Mukhtar Mai é paquistanesa e foi condenada a estupro coletivo pelo conselho de sua tribo, como punição por um crime que teria sido cometido por seu irmão. A acusação era falsa. Mukhtar, analfabeta e pertencente a uma casta inferior, tornou-se personalidade internacional quando decidiu viver e lutar para mudar o destino das mulheres de seu país.
Em março de 2007, o Conselho Europeu outorgou a Mukhtar Mai o North-South Prize de 2006 por contribuição notável aos direitos humanos. Marie-Thérèse Cuny é jornalista especializada em direitos humanos e direitos da mulher e escreveu ou co-escreveu mais de 50 livros. Mora em Paris.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Salão de Beleza de Cabul - Deborah Rodriguez - Campus

Karin leu O Salão de Beleza de Cabul cheia de expectativas e, assim que terminou de ler a obra, enviou para o Leitura a sua opinião.

O livro

Com entusiasmo e bom humor, Deborah detalha a exuberância de uma terra aparentemente desolada e revela todo o esplendor por trás da burca. "O salão de beleza de Cabul" é a notável história de uma extraordinária comunidade de mulheres que se uniram para aprender a arte dos permanentes, da amizade e da liberdade.

Opinião de Karin
Confesso que esperava mais do livro depois de ler tantos elogios. Mas ao mesmo tempo não tenho como negar que o que a Deborah Rodriguez passou foi intenso e digno de muita coragem, esta que por sua vez poucos possuem.

Quando digo que esperava mais, não é desmerecer a história e o que a Deborah viveu, acredito que a falha se deu no momento de transmitir de forma emotiva as diversas situações e relatos riquíssimos dessas mulheres tão sofridas e sua adaptação a uma nova vida em uma terra desconhecida.

Bato palmas para a coragem e persistência da autora em correr atrás dos seus sonhos e lutar por eles. Agora é aguardar o filme.

E como ela sabe que o livro será transformado em filme? A resposta está aqui.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Cidade do Sol - Khaled Hosseini - Nova Fronteira

Comprei o livro com 50% de desconto em uma feira de livros da Universidade de São Paulo (USP). Li A Cidade do Sol um tempinho depois de ter lido O Caçador de Pipas, com o intevalo de um livro entre as duas leituras. Depois que terminei, fiquei tentando decidir, por horas, de qual eu havia gostado mais.

O Caçador de Pipas, sobre o qual já comentei aqui no blog, veio cheio de expectativas, por já ser um sucesso mundial e ter sido recomendado por vários amigos. Mesmo assim, minha expectativa, que já era alta, foi superada pelo brilhantismo com que o autor descreve as cenas, os personagens, os pensamentos e os sentimentos ao longo da história.

Já A Cidade do Sol veio sem expectativas, apenas com a certeza de ser uma história muito bem escrita, porque já conhecia o dom do autor. Fiquei simplesmente viciada no livro. Senti raiva, pena, dor, ódio, revolta, todos os sentimentos misturados numa experiência única que me envolveu pelos poucos dias que demorei pra "engolir" a publicação.

Para as mulheres, a identificação acontece logo nas primeiras páginas e serve para avaliarmos e pensarmos sobre nossa condição, nosso papel na sociedade e sobre como a cultura pode mudar a visão de mundo e o sentido de certo e errado das pessoas. Incrível!

Entenda porque é tão especial


A maneira com que o livro foi construído, separado por capítulos que levam o nome ora de uma, ora de outra personagem (o livro gira vem torno de duas mulheres, as pesonagens centrais da história), faz com que nos alternemos no mundo de cada uma, aumentando o envolvimento e a curiosidade para saber o que acontece a seguir. Até que, então, as duas se cruzam na história e, aí, o envolvimento fica maior ainda.

Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as coisas nem sempre seguem o curso que deveriam...

Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as coisas nem sempre seguem o curso que deveriam...

Os leitores se manifestam

No submarino, que quase nunca tem comentários nas páginas de livros, enconotrei quase quatro páginas de comentários sobre A Cidade do Sol. O fato reflete o quanto o livro mexe com os leitores. Copiei os melhores, para ilustrar a importância, qualidade e potência da obra:

  • Se há uma palavra para descrever Mariam e Laila, neste livro, está é DIVINDADE. Duas mulheres que sofrem e vivem intensamente sob a opressão de um país e de um marido louco. Um livro que te faz viajar ao Oriente Médio e te faz entender por que aquela região e porque aquele povo é o que é nos dias de hoje. Uma lição de amor, superação, espiritualidade e acima de tudo, de cultura. Este livro é simplismente maravilhoso!
  • Khaled Hosseini sem dúvida é o melhor escritor da atualidade. É um livro simplesmente maravilhoso que me fez chorar por horas e refletir durante dias em como nós mulheres, temos conflitos em comum mesmo em distantes partes do mundo e pensar em tudo que uma mulher abre mão sem pedir absolutamente nada. Há uma Mariam em cada uma de nós.
  • Não tem como avaliar de outra forma, é realmente um dos melhores que já li. Um passeio não tão agradavel pelas ciades do oriente, porém incrivelmente envolvente pelo seu cunho histórico. Um homem retratando a opressão feminina que mesmo sendo vivida em uma cultura diferente da ocidental, não tem como não se identificar. A ostentação masculina é universal e não importa a nacionalidade as mulheres sempre sofrerão a opressão dela. É o pater erguendo a lei, e ai de quem tentar burla-la.
  • Li em cinco dias pois a história é extremamente instigante. Apesar de ser um livro de ficção, nos faz refletir sobre vários temas reais como a submissão e humilhação a que as mulheres de radicais afegãos são submetidas, a difícil vida num país em guerra, a importância da amizade verdadeira e a dura realidade de que a vida nem sempre é como gostaríamos ou tem um final feliz. Apesar de muito triste e impossível de não se emocionar, é uma ótima leitura.
Sobre o Autor

Hosseini nasceu em Cabul, capital do Afeganistão. Sua mãe era professora de uma escola de segundo grau para garotas em Cabul. Seu pai se envolveu com o Ministério do Exterior afegão. Em 1970, o Ministério do Exterior enviou sua família para o Teerã, no Irã, onde seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. Em 1973, Hosseini e sua família retornam à Cabul. Em Julho de 1973, na mesma noite em que nasce o irmão mais jovem de Hosseini, o reino do Afeganistão muda de mãos através de um golpe sem derramamento de sangue.

Em 1976, Khaled Hosseini e sua família se mudam para Paris por conta do novo emprego do seu pai. Eles não voltam ao Afeganistão porque, enquanto estavam em Paris, comunistas tomaram o poder do país por meio de um golpe cruel. Deste modo, foi consentido à família Hosseini asilo político. Suas propriedades foram todas deixadas no Afeganistão e eles foram forçados a sobreviver com ajuda governamental por um curto período.

Hosseini formou-se na escola secundária e inscreveu-se na Universidade de Santa Clara, onde ganhou título de Bacharel em Biologia. Após alguns anos, ele ingressou na escola de Medicina na Universidade da Califórnia, onde recebeu o título de Doutor em Medicina. Khaled Hosseini continua praticando medicina, é casado com Roya Hosseini e tem dois filhos, Haris e Farah.

O que você acha: será que esse vira filme também?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Minha Vida como Traidora - Zarah Ghahramani e Robert Hillman - Ediouro

Quem lê meu blog sabe que eu sou vi-ci-a-da em livros que contam a realidade de mulheres acostumadas (ou não) e criadas em culturas diferentes da ocidental. Já li inúmeros e, na minha mini bibliotecda, tenho pelo menos quinze obras sobre esse tema.

A última que li foi o Minha Vida como Traidora, que conta os 30 dias de angústia e medo vividos pela então adolescente Zarah Ghahramani, presa e enviada à penitenciária mais notória de Teerã - Evin, sob acusação de ser uma ativista política contra o regime.

Eu x outros leitores

Para uma pessoa que leu um monte de livros sobre o tema, dos mais fortes aos mais centrados na política desses países, fui ficando cada vez mais exigente em relação à riqueza de detalhes e à maneira de contar esse tipo de história.


Por isso, minhas impressões são, certamente, bem diferentes das impressões de leitores que não são mega viciados em histórias desse tipo. Vou exemplificar: para mim, o livro não traz comentários sobre Evin tão fortes e impressionantes quanto alguns outros livros que já li.

Além disso, algumas passagens da infância da autora, que ela intercala com os capítulos em que descreve seus dias na prisão são, em sua maioria, desnecessários. Para mim, não há nada nessas passagens que enriqueça a leitura ou que torne a experiência mais rica.


Por outro lado, achei muito legal o fato de a autora mostrar, mais de uma vez, que suas crenças e toda a sua coragem de adolescente apaixonada terminou no instante em que a coisa ficou séria. Assim que foi presa e recebeu os primeiros atos de violência dos guardas da prisão, Zarah descobriu que toda a coragem que mostrava na universidade era pura empolgação típica de uma adolescente que lutava por encontrar seu lugar no mundo. Na hora da dor, ela assinaria qualquer papel, delataria todos os amigos e faria tudo o mais que lhe fosse possível para ser libertada daquele lugar.

Final muito bom

Eu até poderia dizer que o livro não me tocou e que fiquei um pouco frustrada com a leitura. Mas, ao chegar nos últimos cinco capítulos, minha opinião mudou completamente. A história ficou forte, cheia de ação e tensão, com acontecimentos surpreendentes que fizeram de Minha Vida como Traidora uma obra única. Era exatamente isso que eu estava esperando, algo que tornasse a obra marcante, algo que passasse uma mensagem significativa.

Após Zarah mostrar o que a violência pode fazer com pessoas, seja alguém como Zarah, que tinha uma vida perfeita, seja alguém como a carcereira deformada, que teve as marcas da guerra cravadas na carne e que, por dentro e por fora, nunca mais seria a mesma.

Li os últimos capítulos como se o mundo fosse acabar em seguida. Não queria perder um minuto. E o final do livro foi tão bom que valeu por todo o resto, que não alcançou as expectativas, mas que também não comprometeu. Mas, para quem não está tão acostumada com esse tipo de leitura, acredito que ela será super marcante e uma ótima experiência!

Então, se você tem Minha Vida como Traidora e não está conseguindo se envolver com a leitura, não desanime! Porque os últimos capítulos são tão bons que fazem tudo valer a pena. Para saber mais, não deixe de acessar o site oficial do livro. Lá também é possível comprá-lo online!

Sobre os Autores

Zarah Ghahramani nasceu em Teerã, em 1981, e vive atualmente na Austrália.

Robert Hillman nasceu em 1948 e escreveu diversos livros, entre eles A Life of Days, The Hour of Disguise, Writing Sparrow Hill e The Deepest Part of the Lake. Sua autobiografia, The Boy in the Green Suit, ganhou o Prêmio Nacional de Biografia da Austrália. Hoje, Hillman é escritor em tempo integral. Ele tem três filhos e mora na cidade de Warburton, no Vale Yarra, em Victoria.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

As Filhas da Princesa - Jean P. Sasson - Record

As Filhas da Princesa é o segundo livro da trilogia escrita pela talentosíssima Jean P. Sasson. Adorei o livro, mas eu já tinha uma empatia antes mesmo de começar, por ter me envolvido tanto com o primeiro, sobre o qual já escrevi aqui. Além de escrever super bem, as histórias são tão revoltantes que ajudam a dar dinâmica e ação à narrativa.

O livro não é tão fabuloso quanto o primeiro, na minha opinião, mas também traz informações reveladoras e revoltantes, e acaba sendo outra ótima experiência. É tão agradável de ler que, mesmo terminando um capítulo e precisando interromper a leitura por algum motivo, acabamos pensando: "só mais uma página" e, quando percebemos, já lemos o livro praticamente inteiro.
O começo da narrativa já ganha alta tensão porque Sasson nos conta que a família real saudita descobre que Sultana (o nome é falso, claro) contou segredos íntimos de sua família para uma escritora, e que o livro faz sucesso em todo mundo. Os relatos enviados via correio e todo cuidado para que a identidade da princesa não fosse descoberta foram em vão. A opressão sobre as mulheres no mundo islâmico ainda é o assunto central do livro que, assim como o primeiro, possui um viés literário.
Nessa obra a atenção sai um pouco da vida da própria Sultana para dar lugar aos acontecimentos envolvendo as duas filhas adolescentes da família. A história conta a reação de cada uma apresenta insconscientemente à opressão e ao meio em que vivem. As filhas de Sultana, Maha e Amani, são sufocadas por um ambiente hostil e restritivo e acabam reagindo a isso de maneiras peculiares, mostrando que riqueza, ostentação e poder não suprem a falta de liberdade e de dignidade.

Além das duas filhas, Sultana conta detalhadamente o sofrimeto da irmã, molestada pelo próprio marido. Porém, muda alguns detalhes da história para tentar manter a identidade dos envolvidos em segredo. Só pela coragem que Sultana tem em tentar, com suas palavras, mudar a vida das suas semelhantes, bem como pelo talento de Sasson, o livro merece ser lido e guardado para que nossas filhas e netas também possam conhecer essa realidade.
Sobre a autora

Jean P. Sasson é autora da trilogia best-seller "Princesa", "As Filhas da Princesa" e "Princesa Sultana", que mostraram ao Ocidente a realidade sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita. Seu primeiro livro, o sucesso editorial "The Rape of Kwait", vendeu mais de um milhão de cópias e alcançou o segundo lugar na lista do jornal norte-americano "The New York Times". Sempre envolvida com temas ligados às mulheres, Jean Sasson é americana, viveu na Arábia Saudita e viajou por todo o Oriente Médio.

Há ainda os Livros "Mayada" e "Amor em Terra de Chamas", da mesma autora. Eu já comprei os dois, como vocês podem ver aqui e, assim que tiver lido, publico a resenha. Espero que sejam tão bons quanto a trilogia.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vida Dupla - Rajaa Alsanea - Nova Fronteira

Como já mencionei em outro post, sou louca por livros que contam histórias sobre a vida de mulheres no Oriente Médio. Tenho um monte, já li um monte e sempre que sei de um lançamento, já fico com coceira no bolso. :)

Mas, hoje é a vez de Vida Dupla, que possui um formato completamente diferente dos livros semelhantes existentes no mercado. No livro, os e-mails cumprem um papel importante na narrativa, fazendo os leitores de outras partes do mundo perceberem o abismo que há entre a modernidade típica das novas gerações globalizadas e a cultura secular de seu país. A história foi escrita a partir de 50 emails que eram enviados semanalmente pela autora às integrantes de um grupo de bate-papo online.

O acesso a tanta informação acabou por fomentar a ocidentalização dos mais novos, que puderam experimentar uma vida sem tanta desigualdade entre os sexos. Mesmo assim, os costumes e a cultura tradicionais continuam, na maioria das vezes, a ditar as regras.

Prova disso é o escândalo que o lançamento do livro provocou, em 2005. Isso porque a autora expôs a vida social, a intimidade e os desejos das protagonistas, quatro jovens e ricas sauditas que realmente existem e fazem parte do círculo de maigas de Rajaa. A polêmica no mundo árabe girou em torno da linguagem (extremamente coloquial) utilizada e da reprodução de trocas de e-mails entre amigas.

Minha Opinião

Eu adorei o livro e acabei o exemplar rapidinho. A linguagem é jovial, bem simples, primando sempre pela objetividade e, por isso, não cansa. Diferentemente dos outros livros sobre o oriente Médio, Vida Dupla mostra claramente que, apesar da cultura tradicional e enraizada, as mulheres que chegaram depois do advento da internet, principalmente, buscam seu lugar no mundo como nós fazemos por aqui, têm dignidade, são felizes e lutam pelos seus direitos com a cabeça erguida.

Agora, ao invés de pensar que só existem mulheres tristes, sem dignidade e cheias de sogrimento, sei que elas ainda são a maiorira, mas que já existem mulheres livres, globalizadas, antenadas com a realidade do mundo, primeiros passos para o fim da desigualdade.

Li uma frase que resume bem o livro:

Baseado em histórias reais de colegas da universidade, Vida Dupla fala de sexo antes do casamento, de garotas que se travestem para dirigir carros e personagens regados a álcool - uma ficção pop sobre a distância abissal entre as leis islâmicas e a influência dos hábitos ocidentais.

Cadê a Liberdade de Expressão?


Quando publicado, o livro foi imediatamente banido da Arábia Saudita, mas passou a circular em cópias piratas. (Afe!!!)

Sobre a Autora

Rajaa Alsanea é endodontista. Nasceu em Riad há 25 anos e passou a receber mensagens eletrônicas de fanáticos e ameaças de morte de fundamentalistas depois que lançou seu primeiro romance.

Nele, Rajaa conta a história de quatro jovens muçulmanas da alta classe média na Arábia Saudita, que passariam por garotas normais no Ocidente, mas consideradas corrompidas na sociedade islâmica em que vive a autora.

Confira uma entrevista com a autora, na qual ela conta tudo o que pensa sobre a cultura e o tradicionalismo do seu país.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini - Nova Fronteira

Mais que uma ótima aula de história, O Caçador de Pipas é uma lição de vida. O livro faz você mergulhar na cultura árabe e viajar para o Afeganistão sem sair do lugar. Todas as descrições dos ambientes, das expressões e dos sentimentos que parecem ultrapassar as páginas do livro são feitas na medida, na linguagem e no momento perfeitos para cativar o leitor sem cansá-lo.

Para nós, que só temos como base a cultura ocidental, é incabível aceitar certos acontecimentos e comportamentos típicos da cultura islâmica. Mas, para eles, os estranhos somos nós. Com todas as guerras e mortes que assolam o país, o povo afegão é sofrido demais, resignado e tem a revolta abafada pelo medo e pela fé na religião e em dias melhores.

No meio de tudo isso, O Caçador de Pipas trata de sentimentos como crueldade, traição, covardia e preconceito de uma maneira chocante. Mas também fala de lealdade, arrependimento, amor e amizade de forma explêndida.

O livro faz chorar, e muito. Não tem jeito. É lindo, mas é triste demais. E é real, infelizmente. Apesar de a história ser uma ficção, é triste pensar que há um monte de Hassans e Sohrabs pelo mundo a fora.

Leia o livro , emocione-se a cada página, aprenda com cada capítulo e faça mil vezes tudo de bom a quem você ama!

Estou sensível, eu sei. E a culpa é do livro! :)

O Filme

O livro virou filme em 2007. Fui ao cinema com muitas expectativas. E adorei! Apesar de o livro ser infinitamente melhor, o filme também emociona, ainda mais a quem leu o livro, porque aí o que faltava no longa metragem era preenchido pelas lembranças do livro. Levei o maridão, que não leu o livro, e ele chorou também. Está provado que o filme, sem ser comparado à publicação, tem seu valor. Confira o trailer:




E depois veio A Cidade do Sol

Depois do sucesso de O Caçador de Pipas, o autor lançou, em 2007, A Cidade do Sol. Comprei correndo, li e fiquei completamente tocada pela história. O dom que o autor tem de envolver o leitor e fazê-lo ficar preso ao livro mesmo dias depois de já tê-lo terminado é incrível! Nem sei dizer de qual deles gostei mais, mas isso e assunto para um outro post...

Sobre o Autor

Hosseini nasceu em Cabul, capital do Afeganistão. Sua mãe era professora de uma escola de segundo grau para garotas em Cabul. Seu pai se envolveu com o Ministério do Exterior afegão. Em 1970, o Ministério do Exterior enviou sua família para o Teerã, no Irã, onde seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. Em 1973, Hosseini e sua família retornam à Cabul. Em Julho de 1973, na mesma noite em que nasce o irmão mais jovem de Hosseini, o reino do Afeganistão muda de mãos através de um golpe sem derramamento de sangue.

Em 1976, Khaled Hosseini e sua família se mudam para Paris por conta do novo emprego do seu pai. Eles não voltam ao Afeganistão porque, enquanto estavam em Paris, comunistas tomaram o poder do país por meio de um golpe cruel. Deste modo, foi consentido à família Hosseini asilo político. Suas propriedades foram todas deixadas no Afeganistão e eles foram forçados a sobreviver com ajuda governamental por um curto período.

Hosseini formou-se na escola secundária e inscreveu-se na Universidade de Santa Clara, onde ganhou título de Bacharel em Biologia. Após alguns anos, ele ingressou na escola de Medicina na Universidade da Califórnia, onde recebeu o título de Doutor em Medicina. Khaled Hosseini continua praticando medicina, é casado com Roya Hosseini e tem dois filhos, Haris e Farah.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Princesa - Jean P. Sasson - Best Seller

Li esse livro no primeiro ano da faculdade, por indicação da professora de Antropologia. Não lembro o nome dela e nem sei também o que a matéria tinha a ver com a vida de uma mulher árabe. O que sei é que ela nem deve imaginar, mas foi essa leitura que fez nascer em mim uma verdadeira PAIXÃO por livros que retratam e documentam o sofrimento de mulheres que não têm direitos e vivem sob ameaça, julgamentos inconcebíveis e costumes machistas bárbaros.

E a desculpa é sempre religião.
Quem me conhece sabe o quanto gosto desse tipo de livro, compro vários e pego emprestado outros tantos, já nem sei mais quantos li sobre o tema. E continuo me indignando e admirando a coragem que essas mulheres têm de expor sua vida cheia de humilhações, em prol de tentar salvar outras mulheres de uma vida tão infeliz quanto as suas. E quanto mais esses livros fizerem sucesso e forem traduzidos para outras línguas, atravessando o mundo e atingindo todo tipo de gente, as chances de algo ser feito para melhorar essa triste realidade aumenta. A informação e o grito de socorro que essas mulheres transformam em livros são, talvez, as únicas maneiras de fazer a diferença.

E foi por isso que uma princesa árabe, que no livro foi chamada de Sultana por segurança, resolveu contar tudo o que sabe para uma escritora americana. Na tentativa de mudar a realidade na qual está inserida, ela arriscou sua vida relatando todos os segredos da família real. Apesar de ter nascido na Arábia, Sultana sabe muito bem que a vida das mulheres não precisa ser do jeito que é por lá. Indignada, revoltada e questionadora, ela desafia os costumes e o machismo do seu círculo social, mostrando ao mundo que algo precisa ser feito para salvar as próximas gerações.


Estupro de mulheres, privilégios para os filhos homens e desgosto pelo nascimento de meninas, casamentos arranjados entre verdadeiras crianças com homens velhos, abusos sexuais dos mais diversos tipos, humilhações, mutilações, assassinato de filhas pelos próprios pais, apedrejamentos e espancamentos são só algumas das denúncias feitas por Sultana.


E, durante todo o relato que fez à amiga, seu maior medo era que fosse descoberta e condenada à morte. O livro é forte, revoltante, muito bem escrito e DEVE ser lido por todas as mulheres que, como eu, queriam poder fazer mais para mudar o modo cruel de vida de nossas semelhantes.


Trilogia


Depois de Princesa, a autora ainda escreveu mais dois livros, por meio dos relatos de Sultana. São eles: As Filhas da Princesa e Princesa Sultana: sua vida, sua luta.
Eu li os três e, apesar de o primeiro ser o melhor, os outros também são ótimos! Em breve publico as resenhas aqui. ;)

Sobre a autora

Jean P. Sasson é autora da trilogia best-seller "Princesa", "As Filhas da Princesa" e "Princesa Sultana", que mostraram ao Ocidente a realidade sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita. Seu primeiro livro, o sucesso editorial "The Rape of Kwait", vendeu mais de um milhão de cópias e alcançou o segundo lugar na lista do jornal norte-americano "The New York Times". Sempre envolvida com temas ligados às mulheres, Jean Sasson é americana, viveu na Arábia Saudita e viajou por todo o Oriente Médio.

Há ainda os Livros "Mayada" e "Amor em Terra de Chamas", da mesma autora. Eu já comprei os dois, como vocês podem ver aqui e, assim que tiver lido, publico a resenha. Espero que sejam tão bons quanto a trilogia.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Minha briga com o Islã - Irshad Manji - Francis

O livro é uma carta aberta que revela toda a coragem da muçulmana e lésbica Irshad Manji, inteligente o suficiente para ler o Alcorão e interpretá-lo de maneira lógica e longe do fanatismo e da cegueira que parece pairar sobre seus semelhantes.

Com sinceridade e acidez, a autora revela todas as injustiças e condutas duvidosas praticadas supostamente em nome do Islã. A condição das mulheres é um tema bastante abordado no livro. Bem escrito, o livro é uma ótima referência para quem quer de conhecer melhor os fundamentos do islamismo e ter esclarecimentos sobre a guerra entre palestinos e israelenses.

Como ela cita muitas vezes a realidade dos muçukmanos no Canadá, local onde mora, bem como detalhes aprofundados do Islã, algumas vezes a leitura, para mim, ficou meio cansativa, porque o livro não foi feito pensando nos estrangeiros que vivem de modo completamente diferente daquela realidade. Para nós, acho que o livro poderia ter sido escrito com outra abordagem e dando mais relevância a fatos que, no livro, foram tratados de forma superficial.

Eu me interesso particularmente por livros que tratam da vida dos muçulmanos, principalmente da vida das mulheres. Já li um monte deles e tenho mais um monte na fila. Talvez por ser um livro que junta linguagem jornalística com dados biográficos, o livro traz muitas informações relevantes, mas não tem o apelo emocional que encontrei em outras publicações.

Sobre a Autora

Irshad Manji é jornalista e comentarista de rádio e televisão, escritora, conferencista e empresária de mídia. Nascida em Uganda, foi criada na costa oeste do Canadá. Produziu e apresentou o premiado programa QueerTelevision e atualmente está à frente do programa Big Ideas, além de presidir a VERB TV, um canal que está sendo criado para ajudar os jovens a serem cidadãos do mundo. Confira seu site oficial.