A história traz um plano de fundo real, em combinação com fatos ficcionais, o que dá um gosto todo especial à trama. Os capítulos são construídos de maneira irregular. Você termina um capítulo sabendo de um fato que terá toda a sua explicação dada apenas alguns capítulos a frente.
Do mesmo modo, pode começar a ler um capítulo que traz a história do ponto de vista de um outro personagem, mas que acaonteceu exatamente ao mesmo tempo em que os fatos narrados no capítulo anterior.
A maneira com que o livro foi escrito me lembra filmes como Crash e Babel, em que histórias começam a ser contadas separadamente, mas que acabam se juntando no final e dando um sentido perfeito aos fatos.
Imagino o quanto deve ter sido complicado escrever um livro nesses moldes, ainda mais porque aprendemos desde pequenos que uma história deve ter início, meio e fim, sempre nessa rodem. Talvez seja por quebrar esse paradigma que achei o livro tão interessante e instigante. Por ser apenas o segundo livro escrito por Rafael Palermo, não imaginei que fosse gostar tanto. Mas, a história é tão amarrada e tão carregada de realidade que eu adorei a experiência.
Por outro lado, exatamente por ser o segundo livro de sua carreira como escritor, Palermo talvez tenha pecado em alguns pontos. Por exemplo, já que a história é construída de maneira não linear, desafiando o leitor a mergulhar na história para não se perder, fica estranho todos os fatos serem tão bem explicados, às vezes mais de uma vez. Parece que a dúvida de estar sendo claro na narrativa acabou por subestimar o leitor.
Outro ponto que notei foi a repetição de algumas palavras no mesmo parágrafo. A leitura fica mais agradável e o autor passa mais credibilidade quando recheia o livro com um vocabulário rico, abusando de sinônimos ou simplesmente cortando palavras desnecessárias, que não deixam o texto parecer repetitivo.
Porém, esses dois fatos não apagam o brilho da obra, que é uma ótima pedida para quem gosta de adrenalina, história, tramas bem amarradas, ação e um final que mexe com a emoção de qualquer um.
Mas, o livro é sobre...
Um jovem pianista brasileiro decide visitar a terra de seus antepassados – Israel - em novembro de 2004. Tudo começa a dar errado quando, ao desembarcar, ele é assaltado e perde todo seu dinheiro e documentos. Em meio à busca por ajuda, acaba perdendo a memória num atentado à embaixada brasileira e vê em Joseph Sukur, um simpático palestino, sua chance de sobrevivência.
Mas nem mesmo Joseph poderá ajudá-lo quando um segredo de enormes proporções cai em seus ouvidos. O Segredo de Hamas é uma obra de ficção que se passa em uma zona real de conflito, e levanta ironias e questões de uma guerra que parece não ter fim.
Sobre o Autor
Conheci Palermo há alguns anos, quando trabalhamos juntos em uma produtora digital. Na época, ele lançava seu primeiro livro, Estupidez Crônica. Li os dois e é notável a evolução do escritor. Gostei infinitamente mais de O Segredo de Hamas.
Palermo é redator publicitário e, além de esccritor, é músico nas horas vagas. Mora em São Paulo e, aos 28 anos, já tem dois livros publicados. E aposto que o terceiro já está sendo planejado...
