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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Depois de Você - Jojo Moyes - Ed. Instrínseca

As expectativas estavam onde? Na lua!

E o que aconteceu? Foi pura decepção. :(


Depois de Você foi lançado para contar o que aconteceu com a protagonista, Louise Clarck, depois que Will morre. Como eu era antes de você é um livro tão bom que criamos conexão com os personagens. Já neste livro, a história é tão fraca e os novos personagens são tão sem graça que, para mim, ficou claro que a autora escreveu o livro correndo porque viu uma oportunidade tremenda de ganhar uma bela grana, explorando o sucesso do primeiro livro e, quem sabe, ter a continuação também nas telonas.

Não senti que ela teve inspiração e sim que o livro foi puramente comercial. Péssimo. Chato. Decepcionante!

No livro ficamos conhecendo como anda a vida de Louise. Ela mora em um apartamento em Londres e trabalha em um bar no aeroporto. Pensa em Will dia e noite e traz consigo uma grande melancolia, que não a deixa seguir em frente.

Um certo dia, ela desaba do terraço do seu prédio e sobrevive por pura sorte. A tragédia faz com que ela tenha que passar uns tempos na casa dos pais, para se recuperar, mas também coloca Sam em sua vida, o paramédico que a socorreu depois do acidente. Fora isso, uma pessoa do passado de Will, que ele nem sabia que existia, procura Louise e transforma totalmente a sua vida. 


Sobre a Autora


Jojo Moyes nasceu em 1969 e cresceu em Londres, no Reino Unido. Estudou jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent até 2002, quando publicou o seu primeiro romance, Sheltering Rain, e resolveu dedicar-se à escrita a tempo inteiro.

Fonte: Skoob.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Para onde ela foi - Gayle Forman - Ed. Novo Conceito


Para Onde ela Foi é o livro que dá continuidade à história de amor de Mia e Adam, que começou em Se eu Ficar. Mesmo que você não tenha lido o primeiro livro, já dá para saber que, se existe um segundo livro com Mia e Adam é porque ela não morreu e decidiu voltar do coma.

E, depois dessa volta, tudo mudou. Três anos se passaram e a vida de Mia e Adam tomaram rumos completamente diferentes, e ambos lidaram com isso de maneiras opostas. Adam virou um rockstar típico: grosso, nervoso, viciado em remédios e com crises de ansiedade. A música, que era sua paixão, agora é seu fardo. Já Mia segue na Juillliard e parece manter sua essência, a não ser pela decisão de excluir Adam completamente da sua vida, sem nenhuma explicação.

Depois de três anos sem nenhum contato, eles se reencontram quase que por acaso. E é aqui que a história do livro se desenrola. Extremamente viciante e com momentos de emoção extrema, Para Onde ela Foi daria um filme ainda melhor do que Se eu Ficar, mas infelizmente parece que não vão adaptar este livro para as telonas. Humpf.


 Sobre a Autora

Gayle Forman começou sua carreira escrevendo para a revista Seventeen em que a maioria de seus artigos, centrada nos jovens e preocupações sociais. Mais tarde ela se tornou uma jornalista freelance para publicações como a revista Details, Jane Magazine, Glamour Magazine, The Nation, Elle Magazine e Cosmopolitan Magazine.

Em 2002, ela e seu marido Nick fizeram uma viagem ao redor do mundo. De suas viagens, ela acumulou uma riqueza de experiências e de informações que mais tarde serviu como base para seu primeiro livro, um diário de viagem que você não pode começar lá a partir daqui: um ano na margem de uma Shrinking World. Em 2007 ela publicou seu primeiro romance para jovens adultos, intitulado de Sisters In Sanity onde ela se baseia em um artigo que tinha escrito para a revista Seventeen. Seu mais recente romance If I Stay (Se eu ficar), fez Forman levar vários prêmios, entre eles o Indie Choice Award de 2010.


Fonte: Skoob

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Se eu ficar - Gayle Forman - Ed. Novo Conceito


Se eu Ficar é o primeiro livro de Gayle Forman que eu leio. Foi indicado por uma amiga (valeu, Rê!) há anos, mas fiz uma anotação mental e aqui estou eu, com os dois livros em mãos para ler! Acabei Se eu Ficar rapidinho e, pelo jeito, Para Onde eu For, que é sua continuação, é ainda mais viciante.

O que me chamou a atenção foi a originalidade da história. Mia é uma menina única, muito diferente da grande maioria das meninas da sua idade e, pior, muito diferente de todo o resto da sua família. Filha de roqueiros doidões, Mia é amante de musica clássica e uma violoncelista cheia de potencial. Mas, mesmo com toda essa diferença, Mia é muito feliz e se dá super bem com seus pais e seu irmão mais novo, Teddy. 


Mesmo não se encaixando no estereótipo de adolescente problema, Mia tem uma melhor amiga, Kim, e elas se bastam na escola. Tinham combinado de namorar só na faculdade, mas Mia e Adam, um roqueiro que tem banda e é o queridinho das meninas, acabam se apaixonando e começam um romance fofo e cheio de música no Ensino Médio.

Porém, em um dia com muita neve no Oregon, onde a história se passa, Mia e sua família sofre um grave acidente na estrada. Todos morrem, menos Mia. Ela fica em coma e seu estado é crítico, mas por alguma razão seu espírito sai do corpo e ela assiste a todos os acontecimentos de fora. Ela tem a chance de decidir se quer voltar para a sua vida, sabendo que ela não terá mais sua família, ou partir para sempre.

Não é lindo e super original? Apesar de ser um livro bem teen, eu adorei! E recomendo que você leia já tendo o Para Onde ela For, pois você vai querer começar o outro livro no momento em que este acabar. Fica a dica!

Ah!!! E antes que eu me esqueça, vale informar que esse livro virou filme! Mas, leia o livro antes, ele é muito melhor que o filme e não gostei do ator que escolheram para ser Adam. Para você ter um gostinho, assista ao trailer oficial.

Sobre a Autora

Gayle Forman começou sua carreira escrevendo para a revista Seventeen em que a maioria de seus artigos, centrada nos jovens e preocupações sociais. Mais tarde ela se tornou uma jornalista freelance para publicações como a revista Details, Jane Magazine, Glamour Magazine, The Nation, Elle Magazine e Cosmopolitan Magazine.

Em 2002, ela e seu marido Nick fizeram uma viagem ao redor do mundo. De suas viagens, ela acumulou uma riqueza de experiências e de informações que mais tarde serviu como base para seu primeiro livro, um diário de viagem que você não pode começar lá a partir daqui: um ano na margem de uma Shrinking World. Em 2007 ela publicou seu primeiro romance para jovens adultos, intitulado de Sisters In Sanity onde ela se baseia em um artigo que tinha escrito para a revista Seventeen. Seu mais recente romance If I Stay (Se eu ficar), fez Forman levar vários prêmios, entre eles o Indie Choice Award de 2010.


Fonte: Skoob


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Nunca mais Rachel - Lisa Genova - Ed. Nova Fronteira


Nunca mais Rachel é o segundo livro da autora que eu li. O primeiro foi seu romance de estreia, Para Sempre Alice, que está na minha lista de livros favoritos ever. Tenho um carinho muito especial pela história porque me tocou profundamente.
Nunca mais Rachel tem alguns pontos parecidos com o romance de estreia de Lisa: também retrata a vida de uma mulher forte e profissionalmente ativa, também fala de uma doença que muda a vida de uma mãe de família e também aborda como a família toda lida com isso e quais os impactos que uma mudança radical de vida causada por uma condição especial trazem para todos os que cercam a protagonista.

Porém, a história é completamente diferente: Rachel é uma workaholic que, junto com seu marido, busca status, conforto e bens materiais a custo de uma média de 80 horas por semanas dedicadas ao seu trabalho como vice presidente de RH de uma multinacional. E, indiretamente, foi esse lugar de destaque que o trabalho tem na vida dessa mulher que fez com que ela sofresse um acidente que a fez perder parte da sua massa encefálica do lado direito do cérebro  e acordar dentro de um hospital com uma sequela chamada Negligência Esquerda.

Essa doença existe realmente e eu nunca tinha ouvido falar. O livro foi ótimo para que eu a conhecesse e entrasse no mundo das pessoas que precisam conviver com ela diariamente.

Mas, além de retratar a vida de Rachel pós acidente, retrata também os valores que realmente importam, no fim das contas, e a descoberta desses valores muitas vezes perdidos no meio da correria do dia a dia, da cobrança que fazemos a nós mesmos e das escolhas erradas de vida que acabamos tomando. Rachel, para mim, foi até beneficiada por ter adquirido a Negligência, pois teve uma segunda chance para viver realmente. Viver de maneira plena e intensa. Além disso, a obra trata também de mágoas familiares, crises em relações disfuncionais e perdão.



Como era de se esperar, é um livro sensível, intenso, lindo e muito bem escrito. Cativante desde a primeira página, fiquei encantada também pelos três filhos de Rachel: Lucy, Charlie e Linus. Por falar em Charlie, ele é diagnosticado com Déficit de Atenção e Hiperatividade, outro assunto abordado que é muito rica, principalmente para quem é mãe.

Sobre a Autora

Lisa Genova é ph.D. em neurociência pela Universidade Harvard e escreve uma coluna virtual para a Associação Nacional de Alzheimer. Ela vive com sua família em Massachusetts.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Eu sou Malala - Malala Yousafzai - Ed. Companhia das Letras

"Quem é Malala? Eu sou Malala, e essa é a minha história".

Li esse livro agradecendo a Deus por ter nascido em um país como o Brasil. Cheio de problemas e com muitos aspectos para melhorar, sim, mas vivemos com liberdade e numa democracia, ufa mil vezes.

Malala é mais uma menina nascida em um país de homens. Normalmente, os pais de meninas lamentam muito quando percebem que não é um "novo macho poderoso" que saiu do ventre da mãe. Mas o pai de Malala tem a mente aberta e bastante discernimento. Acolheu sua filha desde o nascimento e, daí por diante, ofereceu o mais importante: cultura e educação. Mas nem isso elas teriam o direito de ter em seu país. Mulher, ali, não pode ir pra escola, onde já se viu!

Mas Malala e seu pai lutaram contra esse absurdo tanto quanto puderam.  O livro conta toda a infância de Malala e as dificuldades que sua família teve que passar até seu pai conseguir transformar seu sonho de ter uma escola para meninas em realidade.

O livro é muito bom e eu fiquei chocada e revoltada em muitos momentos, comparando com o Brasil e refletindo sobre como, no fim das contas, é "fácil" viver aqui. Malala tem cultura, informação e o espírito livre. Para pessoas assim, ser muçulmano e viver no Paquistão deve ser o pior dos castigos.

Mesmo assim, ela continuou sua missão de lutar para que outras meninas tivessem o direito à educação, assim como ela tinha. Parecia que ela estava procurando uma agulha no palheiro, mas ela sabia que o grãozinho que plantava podia fazer a diferença na vida e no futuro das meninas paquistanesas, mesmo que a longo prazo. As ameaças que eles ouviam todos os dias dos fanáticos religiosos até causavam medo, mas não o suficiente para calá-los. Seu pai estava com ela nessa luta, ele era seu maior exemplo. Seu espelho. Seu herói.

Até que um dia, um homem entra no ônibus em que Malala está e pergunta: Quem é Malala?
Ninguém responde, mas todas as suas amigas olham para ela. O disparo é feito. Daí pra frente, a luta é pela vida.

Chorei litros ao ler passagens do que ela sofreu no hospital. Depois que terminei o livro fui procurar vídeos dela no YouTube e vi que ela era linda, mas depois do tiro ficou com o rosto um pouco assimétrico e maior de um lado que do outro. Isso importa? Claro que não! Malala esta viva. Malala ainda luta. O talibã não a representa e não conseguiu calá-la. Ao contrário, eles fizeram com que ela ganhasse notoriedade mundial. Eles perderam.


Sobre Malala

Malala Yousafzai é uma estudante e ativista paquistanesa. Ela é conhecida por seu ativismo pelos direitos à educação e o direito das mulheres, especialmente no Vale do Swat, onde o Talibã às vezes proíbe meninas de frequentarem a escola. Em 9 de outubro de 2012, Yousafzai foi baleada na cabeça e pescoço em uma tentativa de assassinato por talibãs armados quando voltava para casa em um ônibus escolar. Nos dias que se seguiram ao ataque, ela permaneceu inconsciente e em estado crítico, mas mais tarde a sua condição melhorou o suficiente para que ela fosse enviada para o Queen Elizabeth Hospital, em Birmingham, Inglaterra, para a reabilitação intensiva. Em 12 de outubro, um grupo de 50 clérigos islâmicos no Paquistão emitiu uma fatwa contra aqueles que tentaram matá-la, mas o Talibã reiterou sua intenção de matar Malala e seu pai.


Fonte: Skoob

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Olhe nos meu Olhos :: Minha Vida com a Sindrome de Asperger - John Elder Robison - Ed. Lorousse


"Não deve ter sido fácil escrever esse livro" foi a frase que mais ficou rondando a minha cabeça enquanto eu mergulhava na história sincera, objetiva e muito bem narrada de Olhe nos meus Olhos. O livro é uma autobiografia de John Elder Robison, um homem que foi o primeiro filho de um casal peculiar e que sempre se sentiu diferente, por conta da extrema dificuldade em sociabilizar, olhar nos olhos e agradar as pessoas a sua volta. Fechado e introspectivo, John passou por vários consultórios psiquiátricos ao longo de sua infância, foi chamado de mau caráter e passou poucas e boas até ser diagnosticado, por pura sorte, com a Síndrome de Asperger. Por ser uma forme leve de autismo, o diagnóstico já é difícil hoje, imagine então há mais de 50 anos!

Esse livro estava há tempos na minha lista de desejados e foi uma das maiores conquistas do ano passado para a minha estante, já que ele está praticamente impossível de ser encontrado nas livrarias. Tanto é que, enquanto lia o livro, recebi a proposta de vendê-lo para uma pessoa que estava louca por ele. Como já sou adepta das trocas de livros, adorei a proposta e ele já seguiu viagem para Pernambuco! :)

Eu tinha muita curiosidade de entender mais sobre o assunto, ainda mais porque ele está intimamente relacionado com o universo infantil e, como tenho contato com muitas crianças hoje em dia e algumas receberam o diagnóstico, é importante para mim saber como essas pessoas se sentem e vêem/encaram o mundo.

E esse é o ponto forte do livro: você entende a cabeça de John, porque ele explica o tempo todo o que pensa, qual o motivo para alguns comportamentos e como eles encaram os acontecimentos da vida. Os Aspergers são muito práticos e nada políticos, mas eles são sentimentais, sim! Não ser bom em abraçar pessoas não significa que não se goste delas.

Uma passagem que me marcou foi a explicação de John sobre uma de suas expressões faciais mal aceitas pela sua família. Certa vez, vieram dar a notícia de um falecimento e John sorriu. Todos a sua volta ficaram horrorizados, chocados com a crueldade dele. E ele explica no livro que, dentro de si, sentiu alívio por não ter sido um de seus pais, e então o sorriso veio espontaneamente. Faz todo sentido! Uma pessoa sem Asperger também sentiria alívio, mas seria politicamente correto e, por respeito e convenções sociais, controlaria o sorriso que, se pudesse, também estamparia seu rosto.

O livro demorou para engrenar, mas do meio para o final melhorou muito e cheguei até a me emocionar. A maneira direta, honesta e extremamente objetiva que ele narra os fatos da sua vida são admiráveis. Com bom humor e sem meias palavras, John hoje é pai, empresário, marido e escritor. E Asperger com orgulho.

PS.: AMEI a capa do livro!

Sobre o Autor


Mora com sua esposa e filho em Amherst, Massachusetts. Sua empresa, JE Robison Service, conserta e restaura carros europeus.

Fonte: Skoob

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Até Breve, José - Camila Goytacaz



Semana passada, ele chegou aqui em casa. Pelo correio, chegou dias antes da páscoa, data em que se celebra o renascimento, a vida. Na sexta-feira santa, comecei a leitura de Até Breve, José.

O livro é tão cheio de amor, tão sensível e tão sincero que é impossível uma mãe ou um pai (acho que, talvez, até quem nem é mãe ou pai) não se colocar no lugar da Camila. Hoje, estou de luto. Passei o feriado introspectiva, pensando na vida, meio quieta. Hoje, acordei ainda mais "pra dentro".

Acordei sentindo-me diferente. Estranho, eu não sou assim. Percebi, então, que era meu luto por José. Minha maneira de tentar entender porque algumas coisas simplesmente acontecem, contrariando expectativas e evidências científicas. Contrariando o curso natural da vida.


É quase que insuportável o momento em que a gente se dá conta de que ao maior amor do mundo, de repente e sem aviso, soma-se pânico, dor, medo, almas desoladas, incertezas, dúvidas, impotência. Eu não sei como é possível suportar. Eu não sei de onde vem a força. Eu não sei como foi possível lidar com as perguntas, com os dias seguintes, com o quarto arrumado, com as roupinhas sem uso. 

Hoje, com a cólica que me mostra que ainda não chegou a minha hora de ter um segundo filho, todos os meus pensamentos e minhas energias positivas vão para José. José, que representa todos os bebês que foram cedo demais.

Penso em como essa passagem foi necessária para sua evolução espiritual. Não só para a sua, mas para a de toda a família. E penso que sua família foi escolhida por ser especial e ter a força e a evolução necessárias para serem esse instrumento. Mas isso não diminui a dor, não leva embora as lembranças da despedida precoce. Como diz Camila no livro, é muito duro sofrer por tudo o que não se viveu.

O livro é muito intenso, do início ao fim, mas uma frase mexeu demais comigo. Chorei copiosamente quando li que Camila não tinha uma foto de José. A lembrança de seu filho ficou só onde deveria estar, dentro do seu coração.

Eu, que já passei pelo medo de perder um bebê que amava, consigo, pelo menos, mensurar a dor da Camila, do Pedro e do Lufe. Eu, que lembro de alguns emails da Camila numa lista de mães da qual também faço parte, só queria dizer que eu sinto muito. Se fosse possível cada mãe pegar um pedacinho da dor dela para si, aliviando esse sentimento que sufoca, certamente o faríamos. Juro que, se pudesse, eu teria feito.

Como Camila, sou jornalista e costumo escrever como uma forma de extravasar sentimentos e pensamentos, como uma forma até de autoconhecimento, também. Escrevi, como Camila, um diário desde que soube que estava grávida do Arthur. Para coisas importante, tristes ou felizes, eu escrevo. E Camila também. Minha identificação com ela foi instantânea.

Imagino, então, como foi todo o processo de decidir e voltar atrás, depois decidir de novo, duvidar de ser o melhor e então deixar a ideia de lado, passar por isso dezenas de vezes até tomar a decisão final de, sim, escrever e publicar um livro para homenagear José e ajudar outras mães. No meio da dor, o ser humano ainda consegue pensar no próximo. Foi assim que você foi consolada e agora, por gratidão e compaixão, faz o mesmo por tantas outras pessoas. Parabéns e muito obrigada.

Ler Até Breve, José mudou, de certa maneira, a minha vida. Foi uma das experiências literárias mais intensas que já vivi. O livro terá um lugar especial na minha estante, para sempre.

Sobre a Autora

Camila Goytacaz é jornalista, escritora, blogueira e mãe de Pedro Luis, Joana e José.

Sinopse do livro

Até Breve, José é uma delicada experiência literária, uma narrativa que combina a força do texto e a sutileza das artes visuais. Camila escreve para seu filho desde o momento em que soube que ele viria ao mundo. Depois que ele morre, ainda recém-nascido, ela continua a conversar com ele sobre os detalhes cotidianos.

Com uma linguagem suave pontuada por lampejos espirituosos, o livro relata a dor da perda e o reencontro com a esperança.

Onde encontrar

Aqui tem a página do livro no facebook. E, para comprar, clique aqui. O site oficial do livro é imperdível também. Eu ainda nem li, mas já recomendo pra vocês. Para quem é mãe ou deseja ser, certamente é leitura mais que obrigatória. Assim que terminar prometo escrever uma resenha sobre ele.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Entre o Agora e o Sempre - J. A. Redmerski - Ed. Suma de Letras


Mais um livro que explora a gravidez acidental em pleno século XXI. Meodeos! Depois de ler Um gosto de vida e Paixão sem limites com essa mesma pegada em um curto espaço de tempo, nem acreditei quando li a sinopse de Entre Agora e o Sempre, achando que ia me decepcionar muito em relação ao primeiro livro, que eu A-M-E-I. Mas esse, pelo menos, tem um desfecho diferente. Beeeeem diferente.

Entre o Agora e o Sempre continua tão fofo quando foi o primeiro livro. Ele termina e a gente suspira, querendo que ele tivesse pelo menos mais umas 100 páginas. Eu, particularmente, preferi o Entre o Agora e o Nunca por achá-lo mais aventureiro, com mais cara de novidade, de descoberta e de surpresas, lotado de momentos frio-na-barriga. Mas Entre o Agora e o Sempre, definitivamente, não decepciona. 

Camryn começa o segundo livro gravidíssima e morrendo de medo de ter um filho e acabar com a pegada andarilha/cantora/viajante/aventureira da sua vida e do seu relacionamento com Andrew. Ao mesmo tempo, seu instinto materno grita e ela já ama loucamente o pedacinho de gente que vive dentro dela. Porém, uma grande tragédia acontece e Camryn se vê em meio a artifícios nada saudáveis para tentar fugir da dor da perda.

Andrew, por sua vez, recupera-se melhor do baque e, quando percebe o caminho que Camryn está tomando, decide levá-la para uma outra grande viagem, sem destino e sem data de retorno, em busca do recomeço tão necessário para os dois. Assim como o primeiro, a leitura flui facilmente, mas senti que o livro não teve grandes acontecimentos e não tem uma razão de ser forte como o primeiro. 

Fiquei com a sensação de que ela escreveu algo rapidinho, com um enredo bem mais ou menos, só para que o livro 1 tivesse uma continuação. O livro tem qualidade e é bem escrito. O final é legal e gostei de ficarmos sabendo o que acontece com eles anos e anos depois. O último capítulo ter sido narrado por Lily foi uma ótima sacada, mas o primeiro livro é muito melhor, sem dúvida.

Sobre a Autora

De acordo com a orelha do livro, J. A. Redmerski vive em North Little Rock, no estado de Arkansas, com os três filhos e um cãozinho maltês. Adora televisão e livros que desbravam fronteiras, e ama aquele seriado de zumbis (WTF???).



terça-feira, 6 de maio de 2014

Entre o Agora e o Nunca - J. A. Redmerski - Ed. Suma de Letras


"Coincidência é só um nome que os conformistas dão para o destino".
Enfim um livro com uma capa linda, super condizente com a descrição da personagem principal. Poooonto para ele!

Entre o Agora e o Nunca é um daqueles livros YA despretensiosos que, quando você menos espera, está completamente viciada na história, apegada aos personagens e sofrendo porque o livro não tem 900 páginas. Camryn e Andrew é o casal dessa história
: ele completamente encantador e ela, apesar de meio irritante às vezes, é uma garota admirável. Os dois se conhecem em um ônibus, durante uma viagem estranha e única para ambos.

É a primeira vez que leio um livro em que os capítulos são intercalados, mudando a narração de Camryn para Andrew e de volta para Camryn e assim por diante. Talvez por conta de a autora ser mulher, senti os capítulos narrados por Camryn sempre maiores e mais detalhados que os capítulos narrados por Andrew, talvez por conta de ser mais fácil de uma mulher escrever como uma mulher. Pode parecer meio louco, mas pra mim a teoria faz sentido. Me interna?


Uma coisa muito legal desse livro foram as citações de bandas, músicas e atores reais. A integração entre o offline (livro) e o online (Google e You Tube) se fez bastante presente durante esta leitura, pois procurava as músicas e as bandas citadas, bem como os atores de Hollywood que a melhor amiga de Camryn sempre relacionava com os homens. Quando ela viu a foto de Andrew e citou o nome de um ator parecido com ele, fui vo-an-do no google pesquisar fotos para poder traçar uma imagem mental mais assertiva. E não é que a imagem que tinha formado dele se aproximava muito das feições do ator?

O livro parece girar em torno apenas do conflito entre se permitir ou não, entre deixar o sentimento fluir e se jogar ou segurar a onda. Mas, não é só isso. Tem uma surpresinha no livro que eu não esperava e que me deixou super emocionada. Daí pra frente devorei o livro e só parei quando terminou.

Resumindo, fui fisgada por Entre o Agora e o Nunca e estou enloquecida de vontade de ler logo sua continuação: Entre o Agora e o Sempre.


Sobre a Autora

De acordo com a orelha do livro, J. A. Redmerski vive em North Little Rock, no estado de Arkansas, com os três filhos e um cãozinho maltês. Adora televisão e livros que desbravamfronteiras, e ama aquele seriado de zumbis (WTF???).

terça-feira, 25 de março de 2014

Como eu era Antes de Você - Jojo Moyes - Ed. Intrínseca

Suspiros....

Suspiros....

Suspiros...

Tá, chega! 


É que, assim como A Culpa é das Estrelas, esse livro mexeu profundamente comigo e ainda estou em abstinência depois de ter acabado a leitura. Para começar, a capa é linda! Reflete bem a alma e o jeito da protagonista: Louise Clarck.

E a história, meldels??? Vai te conquistando aos poucos, devagar e, quando você percebe, está tão envolvida com os personagens que vai se apaixonando junto com eles. E, assim como A Culpa é das Estrelas, o enredo tem pitadas de humor extremamente engraçada. E eu, que sou bem difícil de rir com livros e filmes, me pegava às gargalhadas, sem conseguir parar. 


Sei que já citei A Culpa é das Estrelas  duas vezes, mas não pensem que as histórias se parecem, porque os enredos são completamente diferentes, assim como os personagens. As únicas semelhanças são: as pitadas de humor, a escrita envolvente, a paixão chegando devagarinho e uma doença que mudará a vida dos envolvidos para sempre (nesse caso, o protagonista, Will, é atropelado por uma moto desgovernada e fica tetraplégico).

Apesar de livros sem clichês e sem finais previsíveis serem muito mais legais, a gente realmente fica, lá no fundo, torcendo para que um milagre aconteça e Will volte a andar, case-se com Lou e que os dois sejam felizes para sempre. Mas, o final do livro é BEM diferente disso. E eu A-D-O-R-E-I!!! Tudo bem, fiquei uma caixa de lenço mais pobre, inundei meu edredon com lágrimas de crocodilo, mas mesmo assim eu queria, de verdade, que o livro tivesse mais umas 500 páginas, só para não ter que devolvê-lo à estante.

Will é um homem lindo, de 35 anos, bem sucedido e que curtia muito a sua vida, fazendo esportes, viajando e tudo o mais que uma pessoa solteira, rica e inteligente de 35 anos costuma fazer. E, para pessoas ativas assim, ficar tetraplégico de uma hora para outra é ainda mais difícil. Ele teria para sempre as lembranças de pular de jump, de suas escaladas, de suas viagens, mas isso não bastava. Will era muito infeliz e não aguentava mais viver dependendo 100% de outras pessoas.

Já Lou é uma menina com potencial, mas que nunca quis alçar voo. Com 26 anos, tem pouco pra contar e quase nunca saiu de sua cidadezinha. Ela precisa muito de dinheiro e consegue um emprego de cuidadora, na casa de Will, mesmo nunca tendo cuidado de deficientes antes. Daí pra frente, só lendo para entender realmente como esse livro é bom! Mesmo que eu tente escrever aqui o quanto gostei, acho que não seria suficiente. E, né, vamos combinar, eu teria que acabar trazendo spoilers para a resenha. Não, não, não!

Vai para a minha seleta lista de livros favoritos e vou tratar de providenciar outros livros da autora, para ver se ela é sensacional mesmo ou se Como eu era antes de você foi o livro de sua vida.

Sobre a Autora


Jojo Moyes nasceu em 1969 e cresceu em Londres, no Reino Unido. Estudou jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent até 2002, quando publicou o seu primeiro romance, Sheltering Rain, e resolveu dedicar-se à escrita a tempo inteiro. 

Fonte: Skoob.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sinto-me Só - Karl Taro Greenfeld - Ed. Planeta do Brasil



Tenho esse livro há anos e sempre deixava a leitura "para depois". Acho que eu já imaginava que seria bem tenso ler um livro que conta a devastação de uma família (e também sua salvação, dependendo da ótica) depois do nascimento de um filho diagnosticado com autismo severo. O livro é uma biografia escrita por seu irmão mais velho Karl, que viu sua vida mudar completamente quando notou que seu irmão era o centro das atenções de uma maneira diferente, causando conversas preocupadas entre seus pais, choros intermináveis de sua mãe e mudanças bruscas na rotina da família. Para sempre. 

Com um texto sem rodeios e bem objetivo, Karl conta como é ser o irmão/filho/aluno "normal" e toda a complexidade que é a vida de alguém que, nos anos 70, recebeu o diagnóstico de algo que não se tinha sequer muita informação, quanto mais tratamentos adequados. 

Tenho esse livros desde antes de engravidar, mas só li agora, quando Arthur já tem mais de 2 anos. Talvez eu não fosse ficar tão tocada e sentir tanta compaixão por Karl e seus pais se eu tivesse lido antes da maternidade, mas acho que, para quem é mãe/pai, esse livro toca profundamente desde a primeira página. Eu sentia tristeza, compaixão, arrepios, frio na barriga e até revolta durante a leitura. É tensa, é triste, é uma história nua e crua. 

O autor intercala metáforas, fatos narrados como observador e trechos do diário de seu pai. A leitura às vezes torna-se truncada, talvez se ele narrasse como uma biografia os fatos ficassem mais interessantes e dinâmicos para serem lidos. Porém, depois de um certo momento, o livro fica bem dinâmico e a leitura flui facilmente. 

E, mesmo sendo uma biografia, prepare-se para uma grande surpresa durante a leitura. Eu fiquei PAS-SA-DA quando notei a reviravolta na história. Esse, com certeza, é o ponto alto do livro. Sensacional a originalidade do autor nessa parte do livro porque, além de ser bem diferente das biografias que já li, a gente não faz sequer a mais remota ideia de que isso vai acontecer. Eu super recomendo, mas prepare a caixinha de lenços e a dose de auto controle, porque naquela época, não preciso nem dizer o tipo de tratamento que estava disponível para autistas e o que seus pais tinham que passar ao ver seus filhos sofrendo violência atrás de violência. =(

Sobre o Autor

Karl Taro Greenfeld é autor de seis livros e eles já foram traduzidos para 12 línguas. Nasceu em Kobe, Japão, viveu em Paris, Toquio, Hong Kong e Los Angeles. Mora com sua esposa, Silka, e suas duas filhas, Esmee e Lola. 


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva - Ed. Brasiliense


"O futuro é uma quantidade infinita de incertezas".

Fazia uns 15 anos, por baixo, que eu queria ler esse livro. Agora que terminei, quero assistir ao filme. Espero que eu não demore 15 anos para fazê-lo. Humpf. O livro foi lançado no ano em que nasci e vendeu como água, passando a ser adotado até em algumas escolas.

Feliz Ano Velho é um livro que conta a história do ano seguinte ao acidente mega bobo que deixou Marcelo Rubens Paiva paraplégico. Imagino como ele deve ter se arrependido e se odiado por ter dado aquele salto que mudou sua vida para sempre. 

Mesmo tendo como pano de fundo uma tragédia, Marcelo não perde o bom humor e escreve de maneira leve, tornando a leitura agradável até nos momentos mais tensos. Eu me peguei rindo diversas vezes, principalmente quando ele falava das mulheres de sua vida. E, por falar nisso, é bem triste um jovem no auge da curtição ter que passar por uma barra dessas, depois de já ter visto seu pai sumir durante a Ditadura Militar e nunca mais voltar pra casa. 

A história conta desde o momento do acidente até seu primeiro ano na nova vida, quando sai do hospital depois de meses e meses internado e passa a viver de uma maneira completamente diferente da maneira que vivia antes do pulo fatídico. É impressionante a presença de espírito de Marcelo e sua falta de vocação para a tristeza. Marcelo encara a vida de frente e, por isso, já pode ser considerado um cara de sorte. Tanta gente por aí com a saúde perfeita vive chorando e andando pelos cantos e ele, com todos os motivos do mundo, não se entregou. Admiro.

Recomendo fortemente e acho que o livro deveria ser incluído no currículo escolar ontem!


Sobre o autor

Nascido em São Paulo em 1959, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro em 1966, depois que seu pai, o ex-deputado federal socialista Rubens Paiva, foi exilado pelo Golpe de Estado no Brasil em 1964.

Em 1971, aos onze anos de idade, Marcelo sofreu o primeiro grande trauma da sua vida: o "desaparecimento"' do pai, que, depois de preso, foi torturado e morto na cidade do Rio de Janeiro.

Voltou a morar em São Paulo em 1974. Estudou no tradicional Colégio Santa Cruz. Depois, estudou engenharia agrícola na Universidade Estadual de Campinas. E então, aos vinte anos de idade, sofreu o segundo grande trauma: após saltar em um lago, fraturou uma vértebra (a quinta cervical) do pescoço ao chocar a cabeça em uma pedra, ficando tetraplégico. 


Após tratamento de fisioterapia e terapia ocupacional, voltou a locomover as mãos e os braços, relatando os fatos em seu primeiro livro, Feliz Ano Velho. Publicado em 1982, foi traduzido para muitos idiomas e se converteu no livro nacional mais vendido da década de 1980, contando com mais de quarenta edições. O livro virou peça dirigida por Paulo Betti e também filme, dirigido por Roberto Gervitz. Ganhou os prêmios Jabuti e Moinho Santista.

Formou-se em comunicação pela Universidade de São Paulo e em teoria literária pela Universidade Estadual de Campinas. Em 1986, lançou seu segundo romance: "Blecaute".

Desde 1989, depois que estudou dramaturgia no Centro de Pesquisa Teatral do Serviço Social do Comércio, na cidade de São Paulo, passou a escrever para teatro. Estreou com a peça 525 Linhas, dirigida por Ricardo Karman.

Em 1990, lançou o romance "Ua:brari". Em 1992, lançou "As Fêmeas", um ensaio sobre sexualidade.

No começo da década de 1990, apresentou o "Fanzine", um programa de entrevistas na TV Cultura. Em 1996, lançou o romance "Não És Tu, Brasil", baseado no episódio histórico da Guerrilha do Vale do Ribeira. Em 1994, lançou o romance "Bala na Agulha".

Em 1998, montou E aí, Comeu?, peça dirigida por Rafael Ponzi que, depois, mudou de nome pra Da Boca pra fora. Com ela, ganhou o Prêmio Shell de melhor autor em 2000.

Os livros Feliz Ano Velho e Blecaute foram publicados inicialmente pela Editora Brasiliense. Atualmente, Marcelo é contratado da Editora Objetiva. Rafael Ponzi ainda dirigiu suas peças Mais-que-Imperfeito (2001) e Closet Show (2003).

Marcelo Paiva adaptou o livro As Mentiras que Os Homens Contam para o teatro. Em 2003, estreou a peça No Retrovisor, com Marcelo Serrado e Otávio Müller, dirigida por Mauro Mendonça Filho. Em 2003, lançou o romance "Malu de Bicicleta", o qual Flávio Tambellini transformou em filme em 20101 . Em 2006, fez a peça Amo-te, dirigida por Mauro Mendonça. No mesmo ano, lançou o livro de contos "O Homem que Conhecia as Mulheres". Em 2008, lançou o romance "A Segunda Vez que Te Conheci".

A partir de 2009, passou a dirigir suas próprias peças. A primeira experiência foi com A Noite Mais Fria do Ano, com Hugo Possolo, Paula Cohen, Alex Gruli e seu amigo e também dramaturgo Mário Bortolotto. Em 2010, dirigiu O Predador Entra na Sala, com Raul Barreto, Anna Cecília Junqueira e Celso Melez e o texto teatral da autora Priscila Nicolielo, Lá Fora, Algum Pássaro Dá Bom Dia.

Participou de projetos teatrais como a Mostra de Teatro do Serviço Social da Indústria com a peça Os Marcianos, do Festival de Um Minuto no Espaço Parlapatões, Teatrokê, Terça Insana. Escreveu também para a Rede Globo episódios com Pedro Cardoso para o Fantástico e, com João Falcão, para a série Guerra dos Sexos.

Trabalhou também muitos anos na imprensa escrita. Começou na revista Veja, em que foi crítico literário, passou pela Vogue, Folha de São Paulo, como colunista, articulista e repórter e, desde 2004, é colunista aos sábados do Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, onde também mantém o blogue premiado pelo TopBlog de 2009 como "Melhor Blogue de Comunicação" no portal www.estadao.com.br.

Paiva também escreveu os roteiros do documentário "Fiel", "Polanski" e dos filmes baseados em seus livros "Malu de Bicicleta" e "E Aí... Comeu?", parceria com Bruno Mazzeo. Recebeu o prêmio em 2012 da Academia Brasileira de Letras pelo roteiro de "Malu de Bicicleta".


Fonte: Wikipedia.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A Ilha - Victoria Hislop - Ed. Intrínseca



A Ilha é um livro triste, repleto de resignação, surpresas do destino e esperança. Não é uma leitura fácil e nem leve, mas é uma leitura valiosa. Muito bem escrito, o livro aguça a curiosidade, apesar de ficar arrastado em alguns momentos, quando a autora se delonga muito em um único assunto, estressando demais o tema.

Alguns momentos do livro são lindos, felizes, cheios de amor e esperança para, na página seguinte, acontecer algo tão triste que deixa os ombros do leitor até pesados. A história é super original, eu nunca li nada nem sequer parecido com esse enredo. Cheio de segredos de família, personagens bem elaborados e desdobramentos surpreendentes, A Ilha é um romance que tem com otema central a lepra, mas que possui diversos outros temas quase tão importantes na história quanto a doença.

A história acontece no Mediterrâneo do início do século XX e segue até os dias atuais,
Alexis Fielding é a protagonista, mas o livro acaba tenso vários personagens principais ao longoda trama, já que Alexis busca conehcer o passado da sua mãe misteriosa e fechada e, assim, desvendar a história de sua família, ao mesmo tempo em que usa esse aprendizado para tomar decisões sobre sua própria vida.

O final é emocionante e me peguei super sentida, emocionada mesmo, sentindo saudade do livro que estava terminando. Intenso e profunda, A Ilha é leitura (mais que) obrigatória!

Sobre a Autora
Victoria Hislop é escritora e jornalista. Escreve artigos sobre viagens para o The Sunday Telegraph, artigos sobre educação para o Daily Telegraph e diversos artigos generalistas para a Woman & Home. Atualmente, vive em Kent com a sua família. Depois de publicar o seu primeiro romance, "A Ilha", Victoria Hislop foi aclamada pela crítica e acarinhada por milhares de leitores.

Fonte: Wook

terça-feira, 18 de junho de 2013

Pulmão de Aço - Eliana Zagui - Ed. Belaletra Editora


Uma bela noite, meu marido chegou em casa super emocionado, dizendo que tinha visto uma reportagem na internet sobre um residente do Hospital das Clínicas (HC). Depois de me contar a história de Paulo resumidamente, estendeu um embrulho para mim. Logo percebi, pelo formato, que se tratava de um livro. Quando abri e li o título Pulmão de Aço, não entendi muita coisa. Como estava no final de um livro, que terminaria naquela mesma noite, já levei o Pulmão de Aço para meu criado-mudo, pois alguma coisa me disse para eu passar esse livro na frente da minha enorme lista de livros para ler em 2013.

Ainda bem que não demorei para ler. Ainda bem que ganhei esse presente. Ainda bem que Eliana teve a serenidade e a sabedoria para escrever (com a boca!!!) esse livro. Acho que nem que eu viva mil anos vou esquecer as mensagens que ficaram dessa leitura. E a principal delas só reforçou algo que eu já imaginava: por mais difíceis que sejam as provações da vida, se houver amor incondicional, apoio, suporte, nada torna-se impossível.

O caso de Eliana é ainda mais raro, porque ela conseguiu superar 36 anos numa UTI do HC, mesmo sem o suporte e o amor familiares que tanto lhe fizeram falta. Deixe-me explicar melhor.

Eliana, a autora, foi diagnosticada com Paralisia Infantil quando tionha 1 ano e 9 meses de idade. Quando o diagnóstico veio, a doença já tinha avançado e Eliana já estava paralisada completamente do pescoço para baixo. Os médicos internaram a criança, mas deixaram claro para os pais que a morte era questão de horas. Isso foi ha 34 anos e, desde então, Eliana tem o HC como sua casa e a equipe médica como sua família.

Seus melhores e únicos amigos, seis crianças internadas em situações parecidas, foram morrendo pouco a pouco. Das vitimas daquele surto de Polio, Eliana e seu amigo Paulo são os últimos sobreviventes. No livro, ela conta toda a sua vida, seus sentimentos, suas frustrações, suas aventuras e seus desejos para o futuro.

É lindo, bem escrito e extremamente tocante. Quando terminei a última página, minha vontade era sair de casa, dirigir até o HC e dar um abraço daqueles em Eliana. Além de contar sua vida, ela acaba contando a história da polio e do próprio HC, além de citar e descrever como profissionais de saúde (enfermeniros, auxiliares e médicos) podem trabalhar sem esquecer a compaixão, o amor ao próximo e a sensibilidade. Leitura mais que obrigatória! Foi para a minha seleta lista de livros favoritos.

Dicas:
1 - Antes de começar a leitura, já reserve uma caixinha de lenços e deixe-a sempre a mão. Você vai precisar.
2 - Se você tiver filhos, avise-os de que, provavelmente, você irá agarrá-los e abraçá-los mais do que o normal. :)


Sobre a autora


Eliana escreve sobre ela em seu site:

"Sou Eliana Zagui, nascida em Guariba – interior de São Paulo, no dia 23/03/1974.
  Desde um ano e nove meses de idade, moro no Hospital das Clínicas - SP, devido
  à Poliomielite (Paralisia Infantil) a qual me paralisou do pescoço para baixo,
  obrigando-me a viver 24 horas num respirador artificial.
  Vivendo e morando todo esse tempo no hospital, pude e ainda tenho oportunidades
  de aprender de tudo um pouco que uma pessoa dita "normal” é capaz.
  Aprendi a ler, escrever, pintar quadros, virar páginas de livros e revistas, teclar no
  computador, no telefone, colar adesivos e muito mais, somente com a boca".

domingo, 16 de maio de 2010

Síndrome do Pânico - Gugu Keller - Editora Globo


Esse livo foi mais um dos presentes que o Leitura (mais que) Obrigatória me trouxe. :)

Gugu chegou ao meu blog e acabou ficando. Voltou outras vezes e, durante uma dessas visitas, foi gentil (característica fácil de ser reconhecida nele) e me ofereceu um exemplar de seu livro. Só de ler o nome, já fiquei curiosa.

Uma porque conheço várias pessoas que passaram pelo terror da Síndrome do Pânico (SP). Outra porque, apesar disso, sabia pouquíssimo sobre a doença.


O exemplar chegou na minha casa com uma dedicatória mais gentil ainda. Adorei! :)

Levei o livro junto comigo para um final de semana agradável na montanha. Fui para Campos do Jordão e achei que conseguiria um tempinho durante o dia para começar o livro.

Começar?

Sim, realmente comecei a lê-lo. Comecei e terminei. Quando dei por mim, chegava ao fim da história, algumas horas depois. O livro te consome, te envolve, parece te abraçar e convidar o leitor para ficar mais um pouco, até que, quando você percebe, terminou a última página.

Acho que a maneira como foi escrito, livre de qualquer enrolação ou floreios, completamente sincero, verdadeiro e objetivo contribui para isso. O autor acaba parecendo um amigo seu, que te escolhe para desabafar sobre algo importante que aconteceu na sua vida.

Mais do que um livro que prende a atenção e que é muito bem escrito, Síndrome do Pânico informa, despe o leitor dos preconceitos que por ventura existissem sobre a doença, explica tudo o que envolve o mal, tanto para o doente quanto para quem está em volta, como a família e os amigos.

Aprendi, entendi, admirei, chorei e torci muito para que o final da história fosse recheada de esperança e de vitórias.

Sabendo que esse tipo de síndrome é cada vez mais comum e parece ser um dos mals que veio junto com o século XXI e com a vida moderna, é extremamente importante conhecer os sintomas e depoimentos de quem já passou pela experiência. Sendo assim, leia Síndrome do Pânico assim que puder. Mais do que uma boa história, é um depoimento. Mais do que um entreteimento, é um aprendizado.

Nas minhas buscas pela grande rede, encontrei um site muito legal que reúne depoimentos de pessoas que tiveram contato com a SP. Para quem quer saber mais ou tirar dúvidas, vale a pena conhecer o blog.

Sobre o Autor

Dessa ver, ao invés de falar sobre a carreira do autor, resolvi me apoderar da descrição que o próprio Gugu faz de si mesmo, em seu blog:

"Eu sou um indolente produtivo, um subversivo educado, um guerrilheiro carinhoso, um comungante solitário, um psicopata inofensivo, um deprimido sorridente. Sou apenas do meu nada testemunha às avessas."


Onde comprar

Os lugares mais baratos que encontrei foram: Livraria Galileu, por R$ 16,00 e Livraria Saraiva, por R$ 20,00.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva - Cantadas Literárias


Por Lu Vieira, uma dos responsáveis pelo blog Máquina de Letras ser tãooooo agradável de ler e super atualizado. Parabéns, flor! Confiram a resenha da Lu:


Finalmente! Consegui realizar o sonho de ler “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva. Mais que um sonho, era uma meta. Uma leitura mais que obrigatória para mim. Entre inúmeros livros que desejo ler, encontrei “Feliz Ano Velho” na biblioteca recentemente criada na empresa onde trabalho. Os livros da biblioteca foram doados pelos próprios funcionários.


Este livro é o primeiro de Marcelo Rubens Paiva, considerado um dos maiores best-sellers dos anos 80. É uma autobiografia que conta como o autor ficou tetraplégico aos 20 anos de idade, publicada pela primeira vez em 1982. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo deu um mergulho no lago. Saltou, de brincadeira, em estilo “Tio Patinhas” em busca do tesouro. Meio metro de profundidade tinha o lago. A vértebra quebrou e o corpo não respondeu. Começa nesse mergulho do dia 14 de dezembro de 1979 o relato de “Feliz Ano Velho”.



O livro possui muitos “flashbacks” da vida do autor antes do acidente, um jovem que fez tudo o que podia e queria e, de repente, sua vida mudou radicalmente. No seu relato estão os dias que passou no hospital, a recuperação lenta e dolorosa, o colete de ferro que usou, as visitas que recebeu, as histórias da infância, das relações amorosas e da faculdade que viveu sob uma nova perspectiva, os momentos que chegou a contemplar o suicídio, a impotência sentida diante dos acontecimentos, a ajuda que necessitou dos amigos e familiares.


Marcelo escreveu um texto sincero, direto, carismático, bom humorado e maduro sem cair na pieguice de livros de auto-ajuda. Em nenhum momento, ele quis se mostrar um “coitadinho” ou provar que é um bom sujeito. Na medida em que eu avançava na leitura, parecia que o Marcelo estava contando a sua história na minha frente. Não se limita a lamentar a má sorte de quem deu um mergulho em um lago de baixa profundidade e partiu a coluna vertebral. Ele mostra um rapaz que viveu plenamente como se cada minuto fosse o último de sua vida.


Antes de seu acidente, Marcelo e sua família tiveram uma experiência dolorosa: o “desaparecimento” de seu pai Rubens Paiva, ex-deputado federal, durante a ditadura militar. Marcelo tinha apenas 11 anos de idade. De estudante de Engenharia Agrícola da Unicamp, Marcelo, como tetraplégico, passa a reaprender a viver, a construir uma nova identidade, a traçar novos objetivos de vida e a fortalecer a fé de ser feliz e se tornar independente.


Veja um trecho de suas palavras:

“Meu futuro é uma quantidade infinitiva de incertezas. Não sei como vou estar fisicamente, não sei como irei ganhar a vida e não estou a fim de passar nenhuma lição. Não quero que as pessoas me encarem como um rapaz que apesar de tudo transmite muita força. Não sou modelo pra nada. Não sou herói, sou apenas vítima do destino, dentre milhões de destinos que nós não escolhemos. Aconteceu comigo. Injustamente, mas aconteceu. É foda, mas que jeito...”

Na leitura deste livro, é impossível deixar de pensar nos deficientes físicos que estão em nossa volta. Impossível deixar de pensar que a história de Marcelo pode acontecer comigo. No entanto, muitos pensam assim: “Isso não vai acontecer comigo”. Impossível deixar de reconhecer que ainda há muitos obstáculos, tais como o preconceito e o desrespeito aos seus direitos, enfrentados pelos deficientes físicos.


A TV Globo está transmitindo atualmente a novela “Viver a Vida” em que uma das personagens irá sofrer um acidente que a deixará paralítica. Creio que muita gente que leu “Feliz Ano Velho” vai se lembrar ou já se lembrou desse livro ao assistir o folhetim. Todos os dias, após o término do capítulo, a novela mostra o depoimento de uma pessoa real que é deficiente físico, seja de nascença ou não. Marcelo viveu a vida antes de ficar tetraplégico

. Tenho a crença de que ele hoje também vive plenamente a vida.


Como li “Feliz Ano Velho” emprestado da biblioteca da empresa onde trabalho, nele consta uma dedicatória na primeira folha: “À amiga Yáskara por sua grande ajuda. Um pensamento de S. Tomás de Aquino que tem muito a ver com este livro... “Viver pronto para morrer, mas viver como se nunca fosse morrer.”


E, na última página do livro, uma pessoa escreveu: “Li, gostei, mas pena que o rapaz não volta a andar.”

Outra pessoa registra: “Mais valem as lágrimas de não ter vencido, do que a vergonha de não ter lutado”.



Sobre o Autor


Além de escritor, Marcelo é dramaturgo e jornalista.


Nasceu em São Paulo no ano de 1959, onde estudou pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Fez mestrado de Teoria Literária da Unicamp e o King Fellow Program da Universidade de Stanford, Califórnia. Depois de “Feliz Ano Velho”, publicou 6 romances:

“Blecaute” (1986),

“Uabrari” (1990),

“Bala na Agulha” (1992),

“Não És Tu, Brasil” (1996),

“Malu de Bicicleta” (2004)

“A Segunda Vez que Te Conheci” (2008).


Há crônicas e contos reunidos nos livros “As Fêmeas” (1994) e “O Homem Que Conhecia as Mulheres” (2006). Como dramaturgo, escreveu: “525 Linhas” (1989); “O Predador Entra na Sala” (1997); “Da Boca pra Fora – E Aí, Comeu?” (1999); “Mais-Que-Imperfeito” (2000); “As Mentiras que os Homens Contam” (2001); “Closet Show” (2001) e “No Retrovisor” (2002).


Atua como colunista do Caderno 2 do jornal “O Estado de S.Paulo” e possui o blog Pequenas Neuroses Contemporâneas. “Feliz Ano Velho” foi transformado em filme estrelado por Marcos Breda e Malu Mader.


Confira o vídeo do filme, no momento do acidente: