Mas, hoje é a vez de Vida Dupla, que possui um formato completamente diferente dos livros semelhantes existentes no mercado. No livro, os e-mails cumprem um papel importante na narrativa, fazendo os leitores de outras partes do mundo perceberem o abismo que há entre a modernidade típica das novas gerações globalizadas e a cultura secular de seu país. A história foi escrita a partir de 50 emails que eram enviados semanalmente pela autora às integrantes de um grupo de bate-papo online.
O acesso a tanta informação acabou por fomentar a ocidentalização dos mais novos, que puderam experimentar uma vida sem tanta desigualdade entre os sexos. Mesmo assim, os costumes e a cultura tradicionais continuam, na maioria das vezes, a ditar as regras.
Prova disso é o escândalo que o lançamento do livro provocou, em 2005. Isso porque a autora expôs a vida social, a intimidade e os desejos das protagonistas, quatro jovens e ricas sauditas que realmente existem e fazem parte do círculo de maigas de Rajaa. A polêmica no mundo árabe girou em torno da linguagem (extremamente coloquial) utilizada e da reprodução de trocas de e-mails entre amigas.
Minha Opinião
Eu adorei o livro e acabei o exemplar rapidinho. A linguagem é jovial, bem simples, primando sempre pela objetividade e, por isso, não cansa. Diferentemente dos outros livros sobre o oriente Médio, Vida Dupla mostra claramente que, apesar da cultura tradicional e enraizada, as mulheres que chegaram depois do advento da internet, principalmente, buscam seu lugar no mundo como nós fazemos por aqui, têm dignidade, são felizes e lutam pelos seus direitos com a cabeça erguida.
Agora, ao invés de pensar que só existem mulheres tristes, sem dignidade e cheias de sogrimento, sei que elas ainda são a maiorira, mas que já existem mulheres livres, globalizadas, antenadas com a realidade do mundo, primeiros passos para o fim da desigualdade.
Li uma frase que resume bem o livro:
Baseado em histórias reais de colegas da universidade, Vida Dupla fala de sexo antes do casamento, de garotas que se travestem para dirigir carros e personagens regados a álcool - uma ficção pop sobre a distância abissal entre as leis islâmicas e a influência dos hábitos ocidentais.
Cadê a Liberdade de Expressão?
Quando publicado, o livro foi imediatamente banido da Arábia Saudita, mas passou a circular em cópias piratas. (Afe!!!)
Sobre a Autora
Rajaa Alsanea é endodontista. Nasceu em Riad há 25 anos e passou a receber mensagens eletrônicas de fanáticos e ameaças de morte de fundamentalistas depois que lançou seu primeiro romance.
Nele, Rajaa conta a história de quatro jovens muçulmanas da alta classe média na Arábia Saudita, que passariam por garotas normais no Ocidente, mas consideradas corrompidas na sociedade islâmica em que vive a autora.
Confira uma entrevista com a autora, na qual ela conta tudo o que pensa sobre a cultura e o tradicionalismo do seu país.
