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segunda-feira, 11 de junho de 2018

A Morte de Sarai - J.A. Redmerski - Ed. Suma de Letras


A Morte de Sarai é um livro que me deixou louca de curiosidade logo pela capa. Ando numa fase meio suspense, lendo vários e vários livros nesse estilo. Já tive a fase erótico, agora to nessa. Qual será a próxima? Só Deus sabe...

Voltando ao assunto do post,o livro prometia ser um suspense arrebatador. E a promessa foi cumprida! E muito bem cumprida. Eu fiquei simplesmente viciada na história, que é bem escrita, misteriosa e mega intensa. 


A história de Sarai e Victor vai acontecendo tão gradualmente que a gente fica ali torcendo a cada página e se envolvendo cada vez mais com a história.

Achei o final um pouco fraco, confesso que esperava mais. Mas super vou ler o segundo livro, que inclusive já está aqui na minha estante, só me esperando. :)

A trilogia contem:
- A morte de Sarai
- O retorno de Izabel
- O cisne e o Chacal


Sobre a Autora

J.A. Redmerski é a autora de The Edge of Never, da trilogia Darkwoods e Dirty Eden. Ela é fã de lobisomens e zumbis, viciada em livros e obcecada pelo universo de The Walking Dead. Ela mora em North Little Rock, Arkansas, com seus três filhos e um maltês.

Fonte: Skoob

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Algemas de Seda - Frank Baldwin - Ed. Geração Editorial


Esse livro tem uma proposta um pouco diferente dos livros eróticos que já li. Ele tenta misturar erotismo e romance com suspense e assassinato. A sinopse desperta grande curiosidade, pois tanto a capa quanto a proposta do livro dão a entender que o clima de suspense paira na história do início ao fim. Mas, não é bem assim que as coisas se desenrolam.

Com um enredo fraco e uma escrita pouco convincente, Frank Baldwin não me convenceu. Inclusive, não achei nada sobre o autor na internet. :/

Os protagonistas do livro são Mimi e Jake. Dois colegas de escritório de contabilidade que se veem envolvidos juntos com um cliente difícil. Eles foram designados pelo chefe a trabalharem juntos no caso e, assim, Mimi começa a sentir uma grande atração por Jake, que sente o mesmo.

Mimi está prestes a se casar e tem uma vida sexual centrada na mesmice. Jake, por outro lado, faz loucuras com suas amantes, oferecendo prazer por meio da dor. Ele, então, começa a chamar Mimi para assistir seus encontros sexuais BDSM. Como ele sempre venda suas amantes, elas não percebem que Mimi está no mesmo ambiente.

E, Mimi, mesmo sem ter vivido nada parecido em sua vida e tendo crises de consciência por estar mentindo para seu noivo, vai a todos os locais para os quais Jake a convida. Oi?

Como história secundária há um observador que persegue Mimi e parece ser um serial killer. Ele narra alguns capítulos, que são intercalados entre o assassino, Mimi e Jake. Só que o livro é tão mal construído e tão fraco que demorei anos luz pra entender que os capítulos eram narrados pelos três personagens e, depois, para entender quem estava narrando qual capítulo.

O livro só não foi uma perda total de tempo porque, nas últimas páginas, o desfecho prendeu a atenção e teve qualidade, transformando o livro em um thriller de ação mediano.

Não recomendo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Identidade Roubada - Chevy Stevens - Ed. Arqueiro


Identidade Roubada foi um livro que despertou minha atenção por conta da leitura do É melhor não saber, da mesma autora. Achei tão original e com ótimas surpresas reveladas na hora certa que, assim que terminei, fui procurar outras obras da Chevy Stevens para adquirir. Quando li a sinopse de Identidade Roubada, coloquei na minha lista de desejados na hora.

O começo e o meio do livro são muito bons. O terror físico e psicológico que a protagonista, Annie, tem que passar durante um ano inteiro na mão de um sádico  completamente descontrolado emocionalmente é muito bem narrado e sentimos na pele o pânico de Annie. Aflição, nojo, ódio, pena e medo foram sentimentos facilmente despertados em mim enquanto lia, principalmente durante as passagens no cativeiro.

Annie é uma corretora de imóveis que é sequestrada no final de um plantão de vendas, por um homem que finge ser um cliente em potencial e engana a corretora direitinho. Ao ser raptada, ela sente saudade de sua cadela e morre de preocupação sobre o que teria acontecido com ela: se passou fome, se alguém lembrou de cuidar dela e tal. Além disso, deixa um namorado, com quem iria se encontrar após o plantão, e fica imaginando os esforços que ele estaria fazendo para encontrá-la.

O sequestrador consegue ficar com Annie em um chalé nas montanhas por um ano, fazendo com que ela viva o inferno na terra, passando o inimaginável ao ter que conviver intimamente com uma mente extremamente doentia.

Eu imaginava que Annie fosse ser libertada no desfecho da história, mas isso acontece um pouco depois do meio do livro e o resto da obra fica a cargo de descobrir como o sequestro foi planejado e quais os motivos. Essa parte achei bem improvável e surreal, até meio forçada. Não gostei muito da imaginação fértil demais da autora. O motivo não se justificou e o desfecho, que poderia ser surpreendente e inteligente, para mim foi fraco e bem utópico.

Mesmo assim, fazendo um balanço, foi uma leitura com certa qualidade que acredito ter valido a pena, principalmente ao abordar, depois de sua volta para casa, todas as sequelas que uma pessoa que passa por um trauma por muito tempo traz. Quem nunca viveu nada parecido imagina que a pessoa volta se sentindo grata por estar viva e retoma quase que imediatamente sua vida de antes. Mas, realmente, bom seria se isso não fosse completamente fora da realidade.
É impressionante pensar como tem pessoas insanas no mundo que convivem e enganam a sociedade por décadas, cometendo crimes e criando obsessões que, um dia, vem à tona com força total.

Sobre a Autora


Chevy Stevens nasceu e foi criada em uma fazenda em Vancouver Island, no Canadá, lugar até hoje muito presente em sua vida. Quando não está diante do computador, faz caminhadas com o marido e o cachorro pelas montanhas próximas à sua casa. Vendido para mais de 20 países, Identidade roubada tornou-se best-seller na Alemanha e nos Estados Unidos.


Fonte: Skoob

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Stolen - Raptada: Carta ao meu sequestrador - Lucy Christopher - Ed. iD


Que livro VI-CI-AN-TE! Comecei a ler Stolen e, já nas primeiras páginas, fui totalmente abduzida pela história. Parece que vivi num mundo paralelo (no caso, um mundo desértico hahaha) até terminá-lo. Praticamente andava pela casa com o livro na frente do rosto. Não conseguia parar de ler, minha gente! Terminei o livro em menos de dois dias. E olha que eu tenho um filho de três anos! (só quem é mãe vai entender o quanto essa frase é significativa).

A história é original do início ao fim. E muito, muito bem escrita.

Gemma é uma garota de 16 anos que ganha um café de presente, dentro de um aeroporto, de um desconhecido mais velho que ela, mas não muito mais velho. Ele era bonito, bronzeado e tinha os olhos azuis mais brilhantes ever. Depois de tomar o café e trocar umas palavras com o gentil desconhecido Ty, Gemma começa a ficar tonta e, quando acorda, está em um lugar que ela nunca tinha visto antes.

Daí pra frente, você passa a viver os conflitos emocionais de ambos os personagens. É impressionante como a gente fica conectado com eles o tempo todo. Eu fiquei completamente dividida, assim como Gemma. Porque Ty é vilão e mocinho ao mesmo tempo. E é uma pessoa tão complexa e tão leal aos seus valores que não tem como não ficar um pouco encantada com ele, apesar de, no fundo, ele ser, inegavelmente, um sequestrador. O livro ilustra muito bem a complexidade e a pluralidade de emoções, sentimentos e condutas de um ser humano. Nada é 8 ou 80, não é mesmo? Nem os sentimentos de Gemma por Ty, que ora beirava o ódio e ora parecia que se transformaria em amor.

O livro é todo escrito como uma carta de Gemma para Ty. O desfecho é lindo, profundo e um pouco incômodo, porque não tem nada de conto de fadas. É uma história que poderia muito bem ser real. E eu acho que, se fosse para eu ser sequestrada (bate na madeira duas vezes), que fosse por alguém parecido com Ty.


Sobre a Autora

Stolen é o livro de estreia de Lucy Christopher. E que estreia! Ela nasceu no País de Gales, mas cresceu na Austrália. Obteve um diploma de graduação na Universidade de Melbourne. O romance de estreia, Stolen, foi escrito como parte de seu doutorado, com quem ganhou o prêmio Branford Boase em 2010, no Reino Unido, e o ouro Inky, na Austrália. Stolen explora seus pensamentos sobre o deserto australiano através da história de um adolescente que é sequestrada e levada para lá. Seu segundo livro, Flyaway, foi indicado para o Costa Book Awards. Atualmente, ela trabalha como professora em sessões da Bath University, tendo estudado para um mestrado em Escrita Criativa no mesmo curso.

Fonte: Skoob

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

3096 dias - Natascha Kampusch - Ed. Verus


Soube dessa historia por matérias na internet e fiquei chocada! Como alguém pode suportar viver por 3096 dias presa, sendo torturada, tendo suas vontades e necessidades totalmente cerciadas, passando fome até quase desfalecer, sem contato físico com ninguém (a não ser com seu sequestrador) e sobreviver?

Nem que eu passe um dia inteiro pensando nisso e me colocando no lugar dela vou conseguir sequer ter uma ideia do que eu faria e de qual seria minha reação, se a sequestrada fosse eu.

Esse sequestro aconteceu há anos, mas recentemente um caso parecido virou notícia no mundo inteiro. Um homem manteve três mulheres sequestradas por 10 anos, até que elas conseguiram escapar. Leia mais aqui. Quando vi a matéria no noticiário, lembre do livro de Natascha Kampusch na hora!

Mesmo tendo sido sequestrada aos 10 anos de idade, nunca poderemos dizer que Natasha não tenha coragem. Além de ter encontrado formas de se manter viva e minimamente sã nesses anos todos, ela escreveu um livro contando quase tudo depois de fugir do cativeiro. Assim, ela imortalizou o que aconteceu, ficou rica e seguiu em frente. Admiro.

Natasha estava indo para escola a pé sozinha, pela primeira vez, aos 10 anos. Ela tinha muitos problemas familiares e, naquele dia, estava bem chateada com sua mãe. Pela primeira vez na vida, saiu de casa sem dar um beijo nela. Foi a última vez que se viram. Depois daquele dia, só se encontrariam novamente 8 anos depois.

No caminho para a escola, o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil pegou-a no colo e, rapidamente, colocou-a na parte de trás de sua van, que já estava com as portas abertas, esperando a vítima perfeita passar por ali. Infelizmente, era Natasha, mas poderia ter sido qualquer outra.

Daí pra frente, ela vai ao inferno muitas e muitas vezes, mas conegue, não se sabe como, voltar de lá e manter viva a esperança de, um dia, ter sua vida de volta.

Depois de oito longos anos, ela consegue. Depois de ter vivido e suportado as piores situações e os momentos mais degradantes e humilhates que alguém pode viver. Além de tudo isso, todo o resto que ela perdeu (a adolescência, as descobertas, os momentos mágicos que se vive quando estamos nessa fase e todo o resto) não será recuperado jamais.


Nos dois primeiros capítulos do livro, ela foca muito em detalhes da história da família e da cidade em que morava, assuntos que não têm relação direta com o sequestro. Isso deixa a leitura monótona e faz com que demoremos para "entrar" na história. Depois, Natasha começa a transmitir o que ela pensava e sentia ao se ver presa 24 horas por dia em um lugar claustrofóbico e sem luz nenhuma.

É desesperador ver como o sequestro mexeu com a sua cabeça. A gente lê o livro e grita: foge, foge! Dá até raiva em alguns momentos. Questionei-me diversas vezes: o quanto será que a sanidade dela estava comprometida depois de tudo o que passou? Até onde vai nosso instinto de sobrevivência e nosso amor pela vida? O quanto podemos suportar antes de desistir de lutar?

Algumas partes do livro são um pouco arrastadas. Outras são bem tensas e fortes. A gente sofre junto, vibra junto, odeia junto e se liberta junto. E, no fim, fica o sentimento de tristeza e compaixão por Natasha que, infelizmente, nunca deverá perder esse olhar triste e desconfiado da foto da capa do livro. Recomendo!

Virou filme


A história de Natasha virou documentários e filme. Não assisti a nenhum ainda, mas pretendo.


Sobre a Autora

Natascha Maria Kampusch (Viena, 17 de fevereiro de 1988) é uma austríaca conhecida por seu sequestro aos dez anos de idade, em que passou mais de oito anos em cativeiro. Aprisionada numa cela na casa de seu captor, Wolfgang Přiklopil, desde 2 de março de 1998, quando se encontrava a caminho da escola, escapou em 23 de agosto de 2006, com então 18 anos. O caso foi descrito como um dos mais dramáticos da história criminal da Áustria.

A história de Natascha chocou o mundo, transformou-a numa celebridade nacional e internacional e resultou numa autobiografia, 3096 dias (3096 Tage), em documentários, num filme baseado em seu livro e num posterior talk show na televisão.

Fonte: Wikipedia


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cartas à Mãe - Ingrid Betancourt - Agir

O livro, recheado da mais pura emoção e do mais intenso desespero, foi elaborado por meio da compilação de uma carta de 12 páginas escrita por Ingrid durante seu cativeiro na selva e dedicada à sua mãe. Escrita em 24 de outubro de 2007, a carta foi encontrada em poder dos guerrilheiros presos pelo governo da Colômbia, em Bogotá, no final de 2007. Essa carta foi um divisor de águas para o início de um movimento da opinião pública e da imprensa mundial, que passaram a cobrar uma solução para o caso, depois de tantos anos sem uma prova de vida da candidata à Presidência da Colômbia.

A carta é linda e, em muitos momentos, Ingrid agradece à sua mãe por, mesmo sem ter certeza se sua filha contonuava viva ou não, ia todo dia falar em um programa de rádio, com a esperança de que ela ouvisse. E ela ouvia.

Logo que a carta termina, o livro traz a carta em resposta, escrita por seus filhos e, depois, um posfácio com algumas informações a respeito das Farc e da situação dos sequestrados.

A carta de Ingrid é intensa, sincera, verdadeira e me emocionou por diversas vezes. Mais uma vez eu paguei mico no metrô, chorando feito criança com o livro aberto nas mãos.

Já a resposta de seus filhos mostra o quanto o orgulho e o autoritarismo de alguns políticos podem interferir na vida de várias pessoas. Ao pensar que o sofrimento de anos dessas centenas de sequestrados podia ter acabado em algumas horas é revoltante!

Ingrid x Clara Rojas

Ao contrário do livro de Clara - Eu, Prisioneira das Farc - Cartas à Mãe não conta muito detalhes do dia-a-dia na selva, afinal, por ser uma carta dirigida à família, Ingrid tenta falar de coisas boas e mandar recados, ao invés de ficar preocupando e angustiando seus entes queridos.

O livro é pequeno e pode ser lido em poucas horas, ao contrário do livro de Clara, que é um pouco maior.

Outra diferença é a questão da amizade. No livro de Clara, comentei na resenha sobre o encerramento estranho e misterioso da amizade entre as duas. Comprei o livro de Ingrid com o objetivo de conseguir essas respostas, o que não aconteceu. Pior do que escrever de forma obscura sobre o assunto, como fez Clara, é simplesmente não mencionar o nome da amiga, como fez Ingrid.

Ou seja, minhas perguntas continuam sem resposta, mas Cartas à Mãe é lindo, transborda amor e vale a pena ser lido por quem acompanhou todos aqueles acontecimentos e para quem, como eu, não consegue entender o que fez um mulher como Ingrid Betancourt aguentar todos aqueles anos de profundo sofrimento.
Eu, sinceramente, não sei se teria conseguido.

Confira um trecho


"Sinto-me vencida"

"Esses seis anos ou quase de cativeiro demonstraram que não sou nem tão resistente, nem tão corajosa, inteligente e forte quanto pensava. Travei muitas batalhas, tentei a fuga diversas vezes, procurei manter a esperança como mantemos a cabeça fora d'água. Mas hoje, mamita, sinto-me vencida".

Sobre a Autora

Para saber mais sobre Ingrid, nada melhor do que devorar esse infográfico do Estadão.

Onde comprar

Os lugares mais baratos que encontrei foram: Submarino, por R$ 9,90 (aproveitem!!!) e Livraria da Travessa, por R$ 16,51.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Eu, prisioneira das FARC - Clara Rojas - Ediouro


Estava super empolgada para ler esse livro e descobrir o fato mais polêmico do sequestro de Clara Rojas: sua gravidez e o nascimento de seu filho, Emmanuel.

Comecei a leitura e já fiquei passada com o cenário que culminou no sequestro, por seis anos, de Clara Rojas (juntamente com Ingrid Bittencourt, que foi libertada depois).
Clara havia recebido alertas de que a viagem que estava prestes a fazer era perigosa e ela, por sua vez, alertou Ingrid sobre o perigo, pedindo para que ela não fosse. Mas, Ingrid insistiu que iria sozinha se fosse preciso. Mostrando profissionalismo e amizade, já que Clara era a diretora da campanha a presidência de Ingrid, ela seguiu com Ingrid e acabou sequestrada junto com a amiga, que depois virou as costas para ela e acabou por ignora-la por completo no cativeiro.

O livro emociona, mas ao mesmo tempo me deixou super confusa com algumas questões.

Primeiro, achei admirável ela falar dos guerrilheiros com tanto respeito e, algumas vezes, até com carinho. Não estive na pele dela e nem imagino como seja ficar 6 longos anos no meio de uma selva, com pessoas estranhas, longe de quem eu amo e sem perspectiva nemhuma. Acho que, no mínimo, eu enlouqueceria.

Depois, achei super fofa a maneira com que os cativos eram tratados!! Pasmem! Isso porque, pelo que li no livro, todos eram tratados com muito respeito, recebiam explicações quando pediam, recebiam os objetos e artigos que precisavam e eram alvo da preocupação constante dos sequestradores. Não houve agração nem verbal, nem física durante todo o tempo em que aqueles 20 cativos ficaram presos no meio da selva. Ou ela floreou os fatos ou, realmente, esses guerrilheiros não eram tão mals assim. Fiquei mega surpresa!

Outro detalhe que me deixou sem entender nada é a relação conflituosa que os cativos mantinham. Segundo Clara, havia brigas constantes, ela era hostilizada a todo tempo pelos outros sequestrados e Ingrid, antes sua amiga, teve atitudes completamente horríveis e sem sentido no cativeiro em relação a ela. Não consegui entender o sentido de tudo isso. O que será que Clara fez para Ingrid? Porque pessoas sequestradas preferiam brigar ao invés de se unir? O que ocasionava essas brigas? Não sei, porque ela não explica nada disso no livro.

Agora, se teve um fato que me decepcionou no livro foi a sua gravidez. Que ela é um assutno particular de Clara, é mesmo, como todo o resto de sua experiência traumática. Mas, se ela se propôs a escrever um livro sobre seu sequestro, tem que escrever um livro que fale absolutamente tudo sobre ele. E o fato mais polêmico, ou seja, como ela engravidou (estupro? caso de amor? com cativo ou com guerrilheiro?) e o que aconteceu ao pai de Emmanuel foi simplesmente ignorado no livro, com a desculpa de que ela ainda não estava preparada para contar. Desculpa, flor, mas então escrevesse o livro quando estivesse preparada, néaaammm?

Pelas entrelinhas, entendi que o pai é mesmo um guerrilheiro, e que ela teve uma relação amorosa com ele por livre e espontânea vontade (acredito que por isso ela era tão hostilizada pelos outros cativos). Mas, tudo isso é suposição, né? Não há nada no livro que comprove isso. Será que ela se apaixonou? Como será que ela se sentiu ao saber que estava grávida? O livro seria perfeito se essa informação estivesse lá, completinha para os leitores ficarem por dentro de tudo!

Clara consegue se redimir um pouco contando com detalhes o parto dramático e cheio de complicações. Fiquei aflita e não consegui parar de ler até saber como era Emmanuel e se ele havia nascido com algum tipo de problema. E nessa hora eu, se fosse Clara, teria muito nítido em minha mente que, realmente, milagres acontecem.

O momento da libertação e o reencontro com sua mãe foram pontos muito emocionantes no relato. Certamente, foi sua fé e seu auto controle que fizeram sua sanidade mental permanecer intacta.

O livro é muito bom, mas me deixou ainda mais curiosas sobre esses fatos que ficaram sem respostas. Fiquei tão curiosa que comprei o livro escrito por Ingrid Bittencourt sobre o mesmo período, chamado Cartas à Mãe. Será que algumas dessas questões serão respondidas por lá?

Vou descobrir e depois volto aqui para contar! :)

Para ver vídeos sobre a relação de Clara e Ingrid e do seu reenconotro com o filho, que foi separado dela com 8 meses e só devolvido após a libertação, quando ele já andava, falava e mal lembrava dela, acesse o site oficial do livro. No final da história, fica aquela sensação de pesar pelo tanto de vida que foi tirada de Clara. Mas, por outro lado, muito alívio por ela ter tido a chance de continuar nesse mundo, sã e salva.

Sobre a Autora


Nascida em 1963, em Bogotá, Clara Rojas, advogada de direito comercial, foi professora universitária e era diretora da campanha de Ingrid Betancourt pelo Partido Verde Oxigênio para presidente da Colômbia em 2002, antes de ser sequestrada pelas Farc. Vive hoje com o filho Emmanuel na capital colombiana.