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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

De Volta para Casa - John Grogan - Ediouro

Sabia que não tinha como não gostar do livro, nem que fosse pela admiração que sinto pelo tipo de escrita de Grogan, que é jornalista como eu e que percebeu a oportunidade de transformar as peripércias de seu cachorro em colunas diárias e, depois, em um livro que virou febre mundial. Li o livro, assisti ao filme e me apaixonei por Marley e pelo jeito informal, próximo do leitor e super intimista com que Grogan escreve seus textos.

Aí, ele resolveu escrever outro livro, bebendo da mesma mina de ouro: falar sobre o melhor amigo do homem. Cachorros Encrenqueiros se Divertem Mais é um livro de crônicas, que parece não tem agradado tanto quanto seu primeiro livro. Não li essa obra, mas ouvi dizer que o livro decepciona um pouco, talvez por ter gerado a expectativa de ser tão bom quanto o grande best-seller do autor.

Na sua terceira empreitada, Grogan resolve voltar a falar das suas próprias experiências e lança De Volta para Casa. Na biografia, o autor conta toda a sua vida com detalhes, desde a sua infância até o momento de publicação do livro. Acho que, para escrever biografias, o autor precisa pensar o seguinte: minha história de vida é super peculiar, bem diferente e vai mexer com os leitores? Se a resposta for sim, acho demais a iniciativa. Outro caso em que vale a publicação de biografias é o fato de se tratar de uma celebridade ou alguém público.

No caso de Grogan, acho que ele percebeu a oportunidade de unir suas habilidades de transformar histórias comuns em textos bem elaborados e agradáveis de ler ao fato de ter se tornado uma pessoa pública, mais como o "dono do Marley" do que como John Grogan, o escritor.

Pontos fortes x Pontos fracos

Confesso que a sua infância católica, suas experiências na escola e com os amigos de rua me entediaram um pouco. O fanatismo de sua família já bastava para tornar a infância dele meio sem graça, mas usar 18 capítulos para falar disso foi um pouco demais. Depois, na segunda parte do livro, a história começou a me interessar mais, a me envolver e a me fazer ter curiosidade pelo que aconteceria depois. No final, chorei, chorei, chorei.

Como esperava, o livro é bem escrito e super envolvente. Vale a pena lutar um pouquinho para passar os 18 primeiros capítulos. :)

A vida de Grogan não tem nada de especial, nada que milhares de outras vidas não tenham.

Na verdade, a minha vida mesmo é bem mais interessante e cheia de aventuras.


Só que o jeito com que ele expressa os fatos fazem a leitura ser uma delícia. O livro vale a pena só pela oportunidade de conhecer Richard, seu pai, que lembra o meu em alguns aspectos e que foi responsável pelo momento mais emocionante do livro: a despedida entre pai e filho. Lindo, lindo mesmo! Espero poder ter tempo de me despedir do meu, quando a hora dele chegar (daqui a uns 100 anos, claro).

Não deixe de espiar o site do livro!

E, aqui, tem outras resenhas sobre De Volta para Casa. Confiram:

Sobre o Autor

John Grogan cresceu em Orchard Lake, Michigan, nos arredores de Detroit, e tem graduação pela Central Michigan e pelo Ohio State. Passou mais de vinte anos como jornalista vencedor de muitos prêmios em Michigan, na Flórida e na Pensilvânia e, mais recentemente, como colunista do Philadelphia Inquirer.

Também é ex-editor da revista Organic Gardening, da Rodale.Seu primeiro livro, Marley & Eu, foi um sucesso de vendas no mundo todo e, justamente por isso, foi transformado em filme. Além deste best-seller, há o Cachorros Encrenqueiros se Divertem Mais, em que conta as mais inusitadas travessuras desses fiéis amigos do homem, e de Volta para Casa, seu livro de memórias. Hoje, Grogan vive em uma antiga fazenda na Pensilvânia com a esposa e os três filhos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Marley & Eu - John Grogan - Ediouro


Pensei em nem publicar nada sobre esse livro, porque já se falou tanto sobre ele que fiquei pensando que ninguém se interessaria. Mas, percebi que, como a proposta do Leitura é dividir experiências com vocês, tenho mais é que escrever sobre todos os livros que leio, mesmo que seja só para receber o feedback com as impressões de vocês sobre a mesma obra.

Então, como eu acho que a maioria das pessoas que for ler esse post já terá também lido o livro, proponho que vocês deixem um comentário dizendo se o livro mexeu com vocês da mesma maneira que mexeu comigo. Topa?


Então, vamos lá!


Marley & Eu é um livro lindo, que exprime com riqueza de detalhes, passagens hilárias e uma linguagem muito eficiente a história de uma família em formação e seu cachorro, o "pior cão do mundo". Acho que a experiência de leitura é completamente diferente para pessoas que tiveram/têm cachorros em comparação com aqueles que nunca tiveram um animal de estimação.


Eu tive cachorro desde pequena. Com 10 anos, de tanto conviver com os 15 cachorros que minha avó criava em sua casa, encasquetei que queria ter um para mim. Falei tanto para os meus pais que acabei vencendo os dois pela insistência, ainda mais depois que meu irmão e minha irmã mais novos decidiram me apoiar na empreitada.


Ouvi aquela frase como se fosse o sim para a felicidade eterna: "Tudo bem, Carla. mas você é quem vai cuidar dele". Mais que rapidamente, como toda criança louca por cachorros, prometi do fundo do meu coração que cuidaria, o que nunca aconteceu, claro.


Meu pai começou a procurar canis da raça Teckel, ótima para apartamento e crianças. Todo dia, quando chegava da escola, ia direto pro quartinho de empregada ao som de "Será que hoje tem uma surpresa para você?". Chegava lá e...nada. Foi assim por dias e dias.


Até que um dia, ao acender a luz, vi uma coisa dourada, pequenininha e linda (imagem meramente ilustrativa, mas é parecido) olhando para mim. Foi amor à primeira vista. Brincamos com ela e escolhemos seu nome: Lili. Ela era inteligente, geniosa, carinhosa e muito ciumenta. Era simplesmente obcecada por meu pai, o grande amor de sua vida.

Eu a amava profundamente e convivemos felizes por 10 anos. O momento da despedida foi muito difícil. Eu chorei, gritei e pensei nela todos os dias, antes de dormir, por 4 meses. Chorava de saudade e sonhava regularmente com ela. Enchi o mural do meu quarto com fotos nossas. Foi difícil cair na real de que aquele vulto que eu via no canto da sala era só minha imaginação.


Depois da Lilli veio a Adda e o Allan, dois Rottweilers extremamente lindos, meigos e carinhosos.
Casei, saí da casa dos meus pais e hoje, já que ainda não me sinto preparada para aumentar a família, tratamos o Pança (essa imagem não é meramente ilustrativa, é o Pança mesmo!), nosso Boston Terrier, como o rei da casa. Ele é nosso filho peludo.

Pança é o primeiro cachorro inteiramente meu. E faz dois anos que ele alegra nossas vidas, mas lembro do dia em que fomos buscá-lo em Embu como se fosse ontem.

E é por isso, por tudo isso, que me identifiquei tanto com Marley & Eu. É por isso que ri demais e, dois minutos depois, estava chorando, em prantos.

É por isso que vimos o filme abraçados e, quando percebemos, estávamos agarrados ao
Pança, que lambia nossas lágrimas sem entender nada.

É por isso que, como John diz no final da obra, Marley não era o pior cachorro do mundo, mas sim o melhor, por ter amado tanto sua família, de mandeira tão sincera e incondicional.


Perto disso, as cadeiras roídas, as babas espalhadas e o trabalho que eles nos dão são insignificantes. Marley & Eu é maravilhoso. E preciso dizer que, no dia em que terminei de lê-lo, no metrô, cheguei em casa parecendo a Felícia, louca para abraçar o meu bebê de quatro patas. :)


Sobre o Autor

John Grogan cresceu em Orchard Lake, Michigan, nos arredores de Detroit, e tem graduação pela Central Michigan e pelo Ohio State. Passou mais de vinte anos como jornalista vencedor de muitos prêmios em Michigan, na Flórida e na Pensilvânia e, mais recentemente, como colunista do Philadelphia Inquirer. Também é ex-editor da revista Organic Gardening, da Rodale.

Seu primeiro livro, Marley & Eu, foi um sucesso de vendas no mundo todo e, justamente por isso, foi transformado em filme. Além deste best-seller, há o Cachorros Encrenqueiros se Divertem Mais, em que conta as mais inusitadas travessuras desses fiéis amigos do homem, e de Volta para Casa, seu livro de memórias. Hoje, Grogan vive em uma antiga fazenda na Pensilvânia com a esposa e os três filhos.