quinta-feira, 25 de abril de 2013
O menino do Pijama Listrado - John Boyne - Ed. Cia das Letras
O menino do pijama listrado é um daqueles livros que você lê em um dia e, quando termina, com o rosto encharcado de lágrimas, fica com um gosto amargo por fazer parte da humanidade. Sim, porque, às vezes, dá vergonha de ser humano, se formos pensar em quanta maldade existe por aí. Já tínha publicado uma resenha do leitor sobre ele, enviada pela Karin. Vale a pena ler também. :)
A história se passa entre os anos de 1942 e 1944, na época da “Segunda Guerra Mundial”. Bruno é um menino de 9 anos que é filho de um militar, mas nme imagina o que o pai faz durante suas horas de trabalho. Ele muda-se junto com a família para uma casa grande perto de um campo de concentração (que Bruno também não sabe o que é) e acaba fazendo amizade com um menino (que está sempre com um "pijama listrado") que mora do "outro lado da cerca". A história é super original e contada com a pureza e inocência do personagem principal. E, por isso mesmo, é linda, mas também muito triste e até revoltante.
A gente acaba se apaixonando por Bruno e por seu amigo, mas sabe que não há como, no mundo em que vivemos, a história ter um final feliz. O livro virou filme mas, como sempre, o livro é muito melhor.
Recomendadíssimo!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
A Tragédia da Rua da Flores - Eça de Queiroz - Livros do Brasil
Confiram as palavras de Silvia sobre o clássico:
Eça, modestíssimo
Longe de ser mais uma historinha sobre incesto baseada no mito de Édipo, a Tragédia da Rua das Flores traz em seu arcabouço, o decadente colonizador Europeu, a mediocridade de uma burguezia que se corrompe por dinheiro, colocando-o acima da espiritualidade, e o início de sua derrota intectual e filosófica diante da qual assistíamos os valores modernos misturarem-se com comportamentos tradicionais, em diálogos falaciosos, nos quais protagonista e antogonista, por cobiçaremm cada vez mais poder, acabam ambos por carregar o peso da própria mesquinhez.
Tenho 50 e Odeio Timoteo
Fosse nos dias de hoje, Eça poderia ter partido dessa "ficção" para desenvolver uma tese de mestrado sobre o controle das massas, por meio do uso da força e da repressão libidinal, além do cerceamento econômico, claro. Li aos vinte e dois anos. Tenho cinquenta e ainda odeio Timoteo.
Sobre o Autor
Diplomata e escritor muito apreciado em todo o mundo e considerado um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, Eça de Queirós nasceu José Maria Eça de Queirós, em Póvoa de Varzim-Portugal, no dia 25 de Novembro de 1845. Seu nome muitas vezes tem sido, de forma equivocada, grafado como "Eça de Queiroz".
Eça de Queirós morreu em Paris-França, no dia 16 de Agosto de 1900 (Funeral em Lisboa - 17 de Agosto)
Era filho do Dr. José Maria Teixeira de Queirós, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, e de sua mulher, D. Carolina de Eça. Depois de ter estudado nalguns colégios do Porto matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, completando a sua formatura em 1866. Foi depois para Leiria redigir um jornal político, mas não tardou que viesse para Lisboa, onde residia seu pai, e em 1867 estabeleceu-se como advogado, profissão que exerceu algum tempo, mas que abandonou pouco depois, por não lhe parecer que pudesse alcançar um futuro lisonjeiro. Era amigo íntimo de Antero de Quental, com quem viveu fraternalmente, e com ele e outros formou uma ligação seleta e verdadeira agremiação literária para controvérsias humorísticas e instrutivas. Nessas assembléias entraram Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Salomão Saraga e Lobo de Moura.
Estabeleceram-se então, em 1871, as notáveis Conferências Democráticas no Casino Lisbonense (V. Conferência), e Eça de Queirós, na que lhe competiu, discursou acerca do "O Realismo como nova Expressão de Arte", em que obteve ruidoso triunfo. Decidindo-se a seguir a carreira diplomática, foi a um concurso em 21 de Julho de 1870, sagrando-se o primeiro colocado e, em 1872, obteve a nomeação de cônsul geral de Havana, para onde partiu. Permaneceu poucos anos em Cuba, no meio das terríveis repressões do governo espanhol.
Em 1874 foi transferido para Newcastle; em 1876 para Bristol e, finalmente em 1888, para Paris, onde veio a falecer. Eça de Queirós era casado com a Sr.ª D. Emília de Castro Pamplona, irmã do conde de Resende. Colaborou na Gazeta de Portugal, Revolução de Setembro, Renascença, Diário Ilustrado, Diário de Notícias, Ocidente, Correspondência de Portugal, e em outras publicações.
Para o Diário de Notícias escreveu especialmente o conto 'Singularidades duma Rapariga Loura' (1873), publicada como 'livre brinde' aos assinantes do jornal, em 1874, e a descrição das festas da abertura do canal do Suez, a que ele assistiu em 1870, publicada com o título 'De Port Said a Suez', no referido jornal, folhetim de 18 a 21 de Janeiro do mesmo ano de 1870. Na Gazeta de Portugal, de 13 de Outubro de 1867, publicou um folhetim com o título 'Lisboa', seguindo-se as 'Memórias de uma Freira' e 'O Milhafre'; em 29 de Agosto de 1869, o soneto 'Serenata de Satã às Estrellas'.
Fundou a Revista Portugal com a colaboração dos principais e mais célebres homens de letras do seu tempo. Saíram desta revista 24 números, que formam 4 tomos de 6 números cada um. Para este jornal é que escreveu as 'Cartas de Fradique Mendes'. Na Revista Moderna publicou o romance 'A Ilustre Casa de Ramires'.
Mande a sua resenha!
Se
você também quer participar da Resenha do Leitor, entre em contato pelo carla.martins16@gmail.com. Vou a-d-o-r-a-r! :)
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva - Cantadas Literárias

Por Lu Vieira, uma dos responsáveis pelo blog Máquina de Letras ser tãooooo agradável de ler e super atualizado. Parabéns, flor! Confiram a resenha da Lu:
Finalmente! Consegui realizar o sonho de ler “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva. Mais que um sonho, era uma meta. Uma leitura mais que obrigatória para mim. Entre inúmeros livros que desejo ler, encontrei “Feliz Ano Velho” na biblioteca recentemente criada na empresa onde trabalho. Os livros da biblioteca foram doados pelos próprios funcionários.
Este livro é o primeiro de Marcelo Rubens Paiva, considerado um dos maiores best-sellers dos anos 80. É uma autobiografia que conta como o autor ficou tetraplégico aos 20 anos de idade, publicada pela primeira vez em 1982. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo deu um mergulho no lago. Saltou, de brincadeira, em estilo “Tio Patinhas” em busca do tesouro. Meio metro de profundidade tinha o lago. A vértebra quebrou e o corpo não respondeu. Começa nesse mergulho do dia 14 de dezembro de 1979 o relato de “Feliz Ano Velho”.
O livro possui muitos “flashbacks” da vida do autor antes do acidente, um jovem que fez tudo o que podia e queria e, de repente, sua vida mudou radicalmente. No seu relato estão os dias que passou no hospital, a recuperação lenta e dolorosa, o colete de ferro que usou, as visitas que recebeu, as histórias da infância, das relações amorosas e da faculdade que viveu sob uma nova perspectiva, os momentos que chegou a contemplar o suicídio, a impotência sentida diante dos acontecimentos, a ajuda que necessitou dos amigos e familiares.
Marcelo escreveu um texto sincero, direto, carismático, bom humorado e maduro sem cair na pieguice de livros de auto-ajuda. Em nenhum momento, ele quis se mostrar um “coitadinho” ou provar que é um bom sujeito. Na medida em que eu avançava na leitura, parecia que o Marcelo estava contando a sua história na minha frente. Não se limita a lamentar a má sorte de quem deu um mergulho em um lago de baixa profundidade e partiu a coluna vertebral. Ele mostra um rapaz que viveu plenamente como se cada minuto fosse o último de sua vida.
Antes de seu acidente, Marcelo e sua família tiveram uma experiência dolorosa: o “desaparecimento” de seu pai Rubens Paiva, ex-deputado federal, durante a ditadura militar. Marcelo tinha apenas 11 anos de idade. De estudante de Engenharia Agrícola da Unicamp, Marcelo, como tetraplégico, passa a reaprender a viver, a construir uma nova identidade, a traçar novos objetivos de vida e a fortalecer a fé de ser feliz e se tornar independente.
Veja um trecho de suas palavras:
“Meu futuro é uma quantidade infinitiva de incertezas. Não sei como vou estar fisicamente, não sei como irei ganhar a vida e não estou a fim de passar nenhuma lição. Não quero que as pessoas me encarem como um rapaz que apesar de tudo transmite muita força. Não sou modelo pra nada. Não sou herói, sou apenas vítima do destino, dentre milhões de destinos que nós não escolhemos. Aconteceu comigo. Injustamente, mas aconteceu. É foda, mas que jeito...”
Na leitura deste livro, é impossível deixar de pensar nos deficientes físicos que estão em nossa volta. Impossível deixar de pensar que a história de Marcelo pode acontecer comigo. No entanto, muitos pensam assim: “Isso não vai acontecer comigo”. Impossível deixar de reconhecer que ainda há muitos obstáculos, tais como o preconceito e o desrespeito aos seus direitos, enfrentados pelos deficientes físicos.
A TV Globo está transmitindo atualmente a novela “Viver a Vida” em que uma das personagens irá sofrer um acidente que a deixará paralítica. Creio que muita gente que leu “Feliz Ano Velho” vai se lembrar ou já se lembrou desse livro ao assistir o folhetim. Todos os dias, após o término do capítulo, a novela mostra o depoimento de uma pessoa real que é deficiente físico, seja de nascença ou não. Marcelo viveu a vida antes de ficar tetraplégico
. Tenho a crença de que ele hoje também vive plenamente a vida.
Como li “Feliz Ano Velho” emprestado da biblioteca da empresa onde trabalho, nele consta uma dedicatória na primeira folha: “À amiga Yáskara por sua grande ajuda. Um pensamento de S. Tomás de Aquino que tem muito a ver com este livro... “Viver pronto para morrer, mas viver como se nunca fosse morrer.”
E, na última página do livro, uma pessoa escreveu: “Li, gostei, mas pena que o rapaz não volta a andar.”
Outra pessoa registra: “Mais valem as lágrimas de não ter vencido, do que a vergonha de não ter lutado”.
Sobre o Autor
Além de escritor, Marcelo é dramaturgo e jornalista.
Nasceu em São Paulo no ano de 1959, onde estudou pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Fez mestrado de Teoria Literária da Unicamp e o King Fellow Program da Universidade de Stanford, Califórnia. Depois de “Feliz Ano Velho”, publicou 6 romances:
“Blecaute” (1986),
“Uabrari” (1990),
“Bala na Agulha” (1992),
“Não És Tu, Brasil” (1996),
“Malu de Bicicleta” (2004)
“A Segunda Vez que Te Conheci” (2008).
Há crônicas e contos reunidos nos livros “As Fêmeas” (1994) e “O Homem Que Conhecia as Mulheres” (2006). Como dramaturgo, escreveu: “525 Linhas” (1989); “O Predador Entra na Sala” (1997); “Da Boca pra Fora – E Aí, Comeu?” (1999); “Mais-Que-Imperfeito” (2000); “As Mentiras que os Homens Contam” (2001); “Closet Show” (2001) e “No Retrovisor” (2002).
Atua como colunista do Caderno 2 do jornal “O Estado de S.Paulo” e possui o blog Pequenas Neuroses Contemporâneas. “Feliz Ano Velho” foi transformado em filme estrelado por Marcos Breda e Malu Mader.
Confira o vídeo do filme, no momento do acidente:
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
O Salão de Beleza de Cabul - Deborah Rodriguez - Campus
Karin leu O Salão de Beleza de Cabul cheia de expectativas e, assim que terminou de ler a obra, enviou para o Leitura a sua opinião.O livro
Com entusiasmo e bom humor, Deborah detalha a exuberância de uma terra aparentemente desolada e revela todo o esplendor por trás da burca. "O salão de beleza de Cabul" é a notável história de uma extraordinária comunidade de mulheres que se uniram para aprender a arte dos permanentes, da amizade e da liberdade.
Opinião de Karin
Confesso que esperava mais do livro depois de ler tantos elogios. Mas ao mesmo tempo não tenho como negar que o que a Deborah Rodriguez passou foi intenso e digno de muita coragem, esta que por sua vez poucos possuem.
Quando digo que esperava mais, não é desmerecer a história e o que a Deborah viveu, acredito que a falha se deu no momento de transmitir de forma emotiva as diversas situações e relatos riquíssimos dessas mulheres tão sofridas e sua adaptação a uma nova vida em uma terra desconhecida.
Bato palmas para a coragem e persistência da autora em correr atrás dos seus sonhos e lutar por eles. Agora é aguardar o filme.
E como ela sabe que o livro será transformado em filme? A resposta está aqui.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Todas As Tatuagens De Leandra – Richard Coen - CB
Esta resenha foi enviada pelos leitores Edu e Mariana, de Belo Horizonte - MG. Enquanto combinávamos o envio dessa resenha para publicação pelo msn, li tantos elogios sobre o livro que fiquei mega curiosa para ler! Edu disse, até, que esse foi o livro mais original que já leu na vida! Se curiosidade matasse...Um trecho antes de irmos direto ao assunto:
Quanto ao cigarro; aderi há pouco. Três maços por dia e contando.
Um produto incrível, reconheço. A própria babel, a despeito do nome que anuncie o rótulo com cinco mil elementos diferentes e bem misturados em um único pequeno cilindro cheiroso. Absolutamente notável.
Sempre que trago, geralmente esparramado no sofá, recito as substâncias que consigo lembrar: Alcatrão, Nicotina, Acroleína, Benzopireno, Butano. Até mesmo Acetona, imagine. Nesse joguinho me sinto como uma criança iludida tentando decorar os oitenta sabores no cartaz da sorveteria. Em um exercício menos lúdico penso no que teria feito de diferente no decorrer da vida.
O que tento dizer é que Helena me amava, embora não me completasse.
“Porco imundo”, disse ao descobrir parte de minhas arruaças com garotas da vida. Estava certa na definição. Um porco imundo. Ainda assim perdoou o marido querido.
“Minha última prova de amor”, avisou. Mas não dei ouvidos ao ultimato. Recordo bem de ter entrado fundo naquele par de olhos mareados e soletrado.
- Eu devo a você. - Prometi que mudaria e uma vez mais me orgulhei do poder de convencimento.
Então acho que é isso o que faria diferente: tentaria ser menos persuasivo. (...)”
Apesar do título, este é um livro sobre o personagem Thomas Allen, que aparece pouco, fala pouco e cujo destino final “quase” fica inteiramente nas mãos do leitor. (Na introdução o autor nos alerta deliciosamente sobre isso ao explicar as mudanças que fez na estrutura física de um Hotel para o benefício da história)
As várias narrativas curtas mostram pessoas e situações que se interligam na cidade de Vitória. Para nós, leitores, cabe então decidir o que é real e o que é criação de Thomas, um escritor decadente pensando em qual legado deixar para a cidade. Essa parece uma técnica batida, comida requentada, mas aqui a coisa muda de figura e no fim temos uma obra com frescor original.
Em certo momento, por exemplo, uma mulher encontra-se presa no elevador com seu pior inimigo: o pai da criança que ela abortou, o homem que não a impediu de praticar o ato. Neste espaço mínimo uma narrativa sem qualquer ação de Thomas é desenvolvida e a habilidade do autor posta à prova. E que ótima cena é esta, o pai da criança insinuando que a moça o visitou para tentarem outro filho, uma prova de que ama a ele mais que tudo. Para deleite dela o final desta seqüência é o próprio fim do mundo.
Como disse explicitamente, Thomas mal aparece, mas as citações quanto a sua presença ou estilo estão espalhadas de modo a nos guiar o caminho. Ele não é “o homem que amou um par de olheiras”, destacado próximo do final do livro, mas alguém capaz de criar tal sujeito apenas para o gordo fumante do trecho acima ter companhia.
A edição da Cbj apresenta problemas menores como grafia ou sumiço de algumas palavras, mas nada que desvie nosso olhar.
Esqueçam Leandra. Thomas é o nome. E o seu fim é memorável.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Resistência - Agnès Humbert
Ao ler o texto da fofíssima Elaine Gaspareto, fiquei ainda mais louca de vontade de ler Resistência, que está lá, na estante do escritório de casa, prontinho pra ser devorado. :)
Resenha enviada pela querida Elaine Gaspareto, do blog Um pouco de mim...
Quando adquiri o livro eu esperava que ele falasse da 2ª Guerra sob o ponto de vista de uma sobrevivente. Acontece que a autora faz mais que isso: ela nos mergulha em um período da história que ainda hoje tem páginas pouco conhecidas. O relato de Agnès é fresco, vívido, cheio de detalhes como só poderia conter um livro escrito por alguém que viveu na pele(literalmente) os horrores do Nazismo. O livro começa quando da invasão da França pela Alemanha de Hitler.
A partir deste momento, muda completamente a vida da historiadora de arte Agnès Humbert. Juntamente com seus colegas do Museu do Homem em Paris, Agnès fundou um dos primeiros grupos de resistência francesa, que foi o jornal Résistance. Em 1941, Agnès e os membros de seu grupo são traídos por um espião e entregues à Gestapo. Sete homens foram presos e fuzilados e as mulheres foram deportadas para a Alemanha como trabalhadoras escravas.
O livro apresenta uma seqüência de fotos interessantíssimas, inclusive, uma foto tirada no dia 24 de junho de 1940, com Adolf Hitler e seu grupo desfilando próximo a torre Eiffel até o Museu do Homem, além de fotos da própria autora.
Resistência é um testemunho vigoroso e contundente da oposição à ocupação nazista na França e dos desdobramentos trágicos que culminaram em prisão, deportação e mesmo execução daqueles que militaram contra o governo de Vichy. Escritas, em boa parte no calor dos acontecimentos, as anotações de Agnès Humbert nos possibilitam acompanhar cada passo dos primórdios do movimento intelectual criado por ela e batizado em uma de suas cartas como Resistência.
Em "Resistência", esses eventos são descritos com um imediatismo pulsante, que percorre cada página do diário secreto de Agnès, publicado inicialmente na França em 1946 e depois esquecido. Até a sua captura, nos primeiros meses de 1941, Agnès registrou os fatos dia após dia, e suas anotações nos permitem acompanhar cada passo dos primórdios da Resistência. Feita prisioneira, ela não tinha mais como escrever em seu diário. Contudo, ao ser libertada em 1945, dedicou-se a repassar os fatos em sua memória para registrálos ainda no calor dos acontecimentos.
A riqueza da narrativa
Com humor, inteligência e ironia, Agnès constrói uma narrativa única, um ponto de vista original sobre esse período obscuro e dramático do século XX. A delicadeza de suas observações cativa o leitor. Apesar de fisicamente debilitada e espiritualmente exausta, ela ainda é capaz de se preocupar com a saúde da mãe e a situação dos filhos. Quando seu filho Pierre a visita na prisão de Fresnes, Agnès se ressente da degradação daquele momento e lamenta consigo mesma por não poder evitar que ele tome parte naquele teatro do absurdo.
Recusando-se, inclusive nos dias mais duros, a ceder e a abandonar sua compaixão, Agnès revela aos poucos, com habilidade e um toque de sarcasmo, a profundidade de seu ultraje e de suas convicções. Escrito com o vigor dos eventos recém-vividos, Resistência é o testemunho do espírito indomável de uma mulher, e um tributo eloqüente ao sacrifício e à coragem dos seus camaradas que não sobreviveram.
Como diz Marina Colasanti no prefácio de Resistência:"As mulheres sempre perdem a guerra. Não a querem mas a perdem. O livro de Agnès(...) consegue não ser um livro de perdas."
terça-feira, 26 de maio de 2009
Melancia – Marian Keyes - Bertrand Brasil

O livro conta a história de Claire, uma mulher irlandesa à beira dos 30 anos e abandonada pelo marido (ainda na maternidade) logo após nascimento da primeira filha.
Arrasada com o fim do casamento, fora de peso (parecendo uma melancia), volta a morar com os pais e duas irmãs: Helen e Rachel (o livro Férias, da mesma autora conta a história dessa personagem).
Após muitas baladas e depressão, Claire conhece Adam, um rapaz sedutor por quem ela se interessa...até que Claire começa a achar que sua irmã Helen está apaixonada pelo rapaz.
James, o marido que a abandonou, também reaparece querendo desculpar-se, mas muita coisa ainda vai rolar...
Opinião de Natália:
Logo que peguei o livro para ler, na primeira sentada, foram 90 página lidas, das 490 do livro...é o tipo de livro que prende a atenção de tão engraçado, irônico e totalmente feminino!
Marian Keyes é irlandesa. Começou a escrever depois de anos de luta contra o alcoolismo. Em 1995, publicou na Irlanda seu primeiro título, Melancia.
Os livros da Marian são daquele tipo que você não consegue parar de ler. São histórias divertidas, que rendem boas risadas. Têm uma leitura fácil, rápida e gostosa. Você pode até saber de antemão que haverá um final feliz, mas quer saber tudo o que vai acontecer, em detalhes, até esse final chegar. Para saber mais, acesse seu site oficial (em inglês).
Com o tempo (porque eu vou cobrar), Natália mandará a resenha dos outros livros. Porque eu só li O Melancia (peguei emprestado com ela mesma), mas faz tanto tempo que eu nem lembrava mais da história. Outo detalhe é que não fui muito fã e, como ela ama, as resenhas dela ficarão melhores!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O Menino do Pijama Listrado - John Boyne - Ed. Cia. das Letras
Essa resenha veio da Karin Althuon. Ela também é apaixonada por livros e foi ela que me emprestou a trilogia da Corinne Hoffmann. Leia sobre isso aqui, no meu primeiro post. Depois de saber que ela gostou, estou LOUCA para ler também!John Boyne (nascido em 30 de abril de 1971) é um romancista Alemão. Ensinou língua inglesa no Trinity College, e Literatura Criativa na Universidade de East Anglia, onde foi galhardoado com o prêmio Curtis Brown. Já escreveu cinco romances e está escrevendo (em 2007) o sexto, assim como uma quantidade de contos que foram publicados em várias antologias e transmitidos por rádio e televisão. Seus romances foram publicadas em 29 idiomas. The Boy in the Striped Pyjamas é um "mais vendido" em Nova York e uma adaptação para o cinema começou a ser filmada em abril de 2007. Boyne reside em Dublim.
**Karin*va bene diz:gostei bastante do livro, no inicio realmente vc pensa "será que vai acontecer alguma coisa ou ele vai ficar falando da casa o livro inteiro"


