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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Garota Exemplar - Gillian Flynn - Ed. Intrínseca


Soube do filme Garota Exemplar muito antes de ter acesso ao livro. Apesar da vontade de assistir ao filme, preferi ler o livro primeiro e, como sempre, achei-o muito melhor do que o filme. Apesar de ter demorado bastante para me ligar à história e mergulhar na trama, do meio para o final o livro me conquistou.

A autora ficou super famosa com seus suspenses e deve estar bem rhyca hoje em dia.

A história começa exatamente no dia do quinto aniversário de casamento de Nick e Amy Dunne. Um vizinho e cliente do seu bar liga para lá e informa que a porta de sua casa está escancarada. Nick acha estranho e vai até lá. Percebe, então que sua esposa simplesmente desapareceu. Ele, então, chama a polícia, mas todas as pistas e indícios levam a crer que ele é o culpado pelo desaparecimento da esposa.

O livro é cheio de mistérios e bizarrices que, apesar de estranhas, são bem possíveis de acontecer. Isso é um ponto bem positivo, pois o livro é inusitado sem ser utópico. É sarcástico, ácido e tem um final meio decepcionante, mas que combina com o todo.

Vou ler outros livros da autora para ver se ela é realmente tão talentosa quanto dizem. :)

Sobre a Autora

Gillian Flynn é jornalista e, antes de se dedicar integralmente à carreira de escritora, trabalhou por dez anos como crítica de cinema e TV para a Entertainment Weekly. Nascida na cidade de Kansas, no Missouri, e formada em jornalismo e inglês pela Universidade do Kansas, Gillian escreveu durante dois anos para uma revista de negócios na Califórnia e concluiu um mestrado em jornalismo na Northwestern University, em Chicago.

Fonte: Skoob

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Identidade Roubada - Chevy Stevens - Ed. Arqueiro


Identidade Roubada foi um livro que despertou minha atenção por conta da leitura do É melhor não saber, da mesma autora. Achei tão original e com ótimas surpresas reveladas na hora certa que, assim que terminei, fui procurar outras obras da Chevy Stevens para adquirir. Quando li a sinopse de Identidade Roubada, coloquei na minha lista de desejados na hora.

O começo e o meio do livro são muito bons. O terror físico e psicológico que a protagonista, Annie, tem que passar durante um ano inteiro na mão de um sádico  completamente descontrolado emocionalmente é muito bem narrado e sentimos na pele o pânico de Annie. Aflição, nojo, ódio, pena e medo foram sentimentos facilmente despertados em mim enquanto lia, principalmente durante as passagens no cativeiro.

Annie é uma corretora de imóveis que é sequestrada no final de um plantão de vendas, por um homem que finge ser um cliente em potencial e engana a corretora direitinho. Ao ser raptada, ela sente saudade de sua cadela e morre de preocupação sobre o que teria acontecido com ela: se passou fome, se alguém lembrou de cuidar dela e tal. Além disso, deixa um namorado, com quem iria se encontrar após o plantão, e fica imaginando os esforços que ele estaria fazendo para encontrá-la.

O sequestrador consegue ficar com Annie em um chalé nas montanhas por um ano, fazendo com que ela viva o inferno na terra, passando o inimaginável ao ter que conviver intimamente com uma mente extremamente doentia.

Eu imaginava que Annie fosse ser libertada no desfecho da história, mas isso acontece um pouco depois do meio do livro e o resto da obra fica a cargo de descobrir como o sequestro foi planejado e quais os motivos. Essa parte achei bem improvável e surreal, até meio forçada. Não gostei muito da imaginação fértil demais da autora. O motivo não se justificou e o desfecho, que poderia ser surpreendente e inteligente, para mim foi fraco e bem utópico.

Mesmo assim, fazendo um balanço, foi uma leitura com certa qualidade que acredito ter valido a pena, principalmente ao abordar, depois de sua volta para casa, todas as sequelas que uma pessoa que passa por um trauma por muito tempo traz. Quem nunca viveu nada parecido imagina que a pessoa volta se sentindo grata por estar viva e retoma quase que imediatamente sua vida de antes. Mas, realmente, bom seria se isso não fosse completamente fora da realidade.
É impressionante pensar como tem pessoas insanas no mundo que convivem e enganam a sociedade por décadas, cometendo crimes e criando obsessões que, um dia, vem à tona com força total.

Sobre a Autora


Chevy Stevens nasceu e foi criada em uma fazenda em Vancouver Island, no Canadá, lugar até hoje muito presente em sua vida. Quando não está diante do computador, faz caminhadas com o marido e o cachorro pelas montanhas próximas à sua casa. Vendido para mais de 20 países, Identidade roubada tornou-se best-seller na Alemanha e nos Estados Unidos.


Fonte: Skoob

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Precisamos falar sobre o Kevin - Lionel Shriver - Ed. Intrínseca


Demorei mais do que de costume para ler esse livro. Levei exatos 10 dias. Não só por conta da densidade da leitura, mas porque ela me tocou fundo de uma maneira tensa, me desestruturou, me deixou agoniada e bastante chocada, muitas vezes. Depois que nos tornamos mães, acho que acabamos sentindo na pele um pouco da dor de toda mãe. Pelo menos, é assim que eu me sinto. Sempre fui de me colocar no lugar dos outros e, com relação à maternidade, talvez por conta do amor louco e do senso de responsabilidade que sentimos em relação àquele ser dependente de nós, esse "costume" de me colocar no lugar e de sentir um pouco a dor/alegria/decepção/orgulho do outro seja meio perturbador.Tendo em vista a história desse livro, é perturbador demais.

Eva é uma mulher independente e bem sucedida profissionalmente, exatamente como eu. Adorava viajar e curtir as noites dando risada e bebendo um bom vinho, exatamente como eu. Até que planeja e decide engravidar, exatamente como eu. Depois disso, tks God, as semelhanças acabam. Kevin, seu filho, já nasce despertando algo sombrio em sua mãe. Já nasce desafiando-a, rejeitando seu leite, chorando o dia inteiro e fazendo birras em atitudes - que são  muito piores que as birras de palavras e chiliques - sempre que podia.

Ele tinha um olhar de lado, um meio sorriso sarcástico. Mostrava-se muito inteligente e dissimulado desde cedo, acendendo em sua mãe um alerta vermelho que ela tinha medo de ser falta de amor, falta de instinto materno. E se culpava por isso, muitas vezes. Que situação horrível você ter um filho e não se identificar em nada com ele! Que triste você não sentir nada de harmonia na família que você construiu. E o pior ainda é ver, diante dos seus olhos, a ruptura do seu casamento por conta da opinião do pai de Kevin de que Eva perseguia o filho, era exagerada e não dava valor para o bebê maravilhoso que eles tinham em casa.

Franklin só esqueceu de levar em conta que instinto de mãe nunca erra.

No começo, a história foi um pouco difícil de seguir por conta da linguagem um pouco mais formal da autora, que sempre acaba distanciando um pouco a história do leitor. Depois que acostumei, tudo fluiu normalmente, e no decorrer da história tudo vai ficando cada vez mais denso e sombrio. Kevin é um daqueles espíritos perturbados que já nascem com vontade de fazer o mal, não importa o que os pais tentem fazer para mudar isso. Mas, mesmo assim, deve ser um carma surreal ser mãe de alguém assim, a quem você se dedica, dá amor, tenta educar e que, no fim, só consegue devolver desprezo e malignidade.

Como o livro é grande e eu sentia que teria muito choque durante a leitura, não aguentei esperar e fiz algo que NUNCA faço. Quando estava na metade do livro, dediquei uma noite a assistir ao filme. Por um lado foi uma experiência boa, que fez eu mergulhar mais na história, por outro foi ruim, porque já sabia a grande surpresa e reviravolta do final. Mesmo interrompendo o livro na metade, vendo o filme e voltando ao livro, achei o livro INFINITAMENTE melhor.

A descrição da matança a flechadas dos colegas escolhidos a dedo por Kevin foi muito bem narrada no livro. O conflito de sentimentos daquela mãe, depois do segundo choque do dia, descobrindo que seu filho é um assassino ainda muito pior do que ela tinha imaginado, foi de cortar o coração. Dá mesmo para perceber que a autora, uma psicóloga, realizou
um extenso trabalho de pesquisa da mente e do comportamento desses jovens responsáveis por chacinas que abalaram o mundo, para então traçar o perfil de Kevin. Essas matanças em escolas são até citadas no livro, que foi bem original em focar na mãe do assassino, ao invés de falar apenas do jovem, como tantas outras obras. Porque que o criminoso tem um parafuso a menos, a gente já sabe, mas ninguém nunca pensou como é ser mãe de uma pessoa assim.


Sobre a Autora

Lionel Shriver (cujo nome de nascimento é Margaret Ann Shriver) nasceu em 18 de maio de 1957. É jornalista e escritora. Nasceu em Gastonia, Carolina do Norte, EUA, no seio de uma família extremamente religiosa, sendo o seu pai pastor Presbiteriano. Mudou o seu nome quando tinha 15 anos (de Margaret Ann para Lionel) porque gostava da forma como soava. Frequentou a Universidade de Columbia. Já viveu em Nairobi, Bangcoc e Belfast. Neste momento, divide o seu tempo entre Londres e Nova Iorque. Colabora com diversos jornais, entre outros, The Wall Street Journal, The Philadelphia Inquirer e The Economist. É casada com um músico de jazz.

Fonte: Wikipedia