Que livro doído de ler! Quase parei com a sensação ruim que apertava meu peito durante a leitura. Acho que, me colocando apenas no lugar da vítima já me sentiria mal, mas agora que sou mãe, me coloco também no lugar da mãe e, por isso mesmo, foi revoltante ao quadrado ver a submissão e a omissão que uma mãe prefere ter ao invés de encarar a realidade e defender uma criança que só podia contar com ela.
O título do livro, como já deu pra perceber, é uma frase que o pai de Toni sempre falava para ela depois dos abusos. Ele dizia para ela não contar nada para a mamãe porque, se contasse, ela não a amaria mais.Acima de tudo, admiro a coragem da autora, que escreveu um livro autobiográfico contando o inferno dos anos que passou sendo abusada pelo seu pai e ignorada por sua mãe. É triste e revoltante demais!
Para mim, o livro perturbou bastante. Talvez porque eu sempre leia antes de dormir, confesso que enquanto não terminei a leitura ia dormir todo dia com um aperto no peito, uma sensação de inquietude que não me deixava até eu pegar no sono. Que o pai era um doente, isso é claro. Mas confesso que a mãe de Toni foi quem mais me indignou, bem como a reação da família e das pessoas a sua volta quando a história veio à tona. A atitude que Toni teve para tentar acabar com sua dor é totalmente compreensível.
O bom é que a autora, aparentemente, conseguiu se livrar de todos os fantasmas do seu passado e, hoje, deve encher sua conta bancária escrevendo livros sobre isso. Tá aí o dom de transformar uma coisa horrível em lucro, no fim das contas. Não que isso apague tudo o que ela sofreu, mas já que aconteceu mesmo, que se tire proveito disso.
Tirando o peso da história verídica, a leitura flui facilmente e o livro é muito bem escrito, prendendo o leitor e trazendo-o pra perto da autora. Recomendo! Mas, respire fundo e tente abstrair a história quando fechar o livro. Senão vai ser melancolia do início ao fim. Sobre a Autora ToniMaguireé inglesa.Depois de 20 anosvivendo em Londres, ela agora divide seu tempo entreNorfolk,Inglaterra, e Cidade do Cabo, África do Sul. Não conte para a mamãe é seu primeirolivro.
Vou cair no mesmo papo de outras resenhas, mas PRECISO perguntar: alguém sabe qual é a dificuldade do povo que faz as capas dos livros? Custa alguma coisa ler a descrição dos protagonistas antes de selecionar a foto da capa? Anthony foi descrito no livro como parecido com Antonio Banderas. E, na capa, nem o branco do olho é parecido com Banderas! Fico indignada! Que descaso, né? VTC!!!
Bom, depois do desabafo mode on, vamos à história em si. Eu diria aqui que a história do casal de namorados ter sido preso e acusado de sexting é bem forçada se ela não fosse REAL. Sim, r-e-a-l!! Seria engraçado se não fosse trágico. Bom, para não dizer que é uma transcrição do que aconteceu com o filho da autora, prefiro registrar que a história foi baseada em fatos reais. Nem tudo o que está no livro aconteceu mesmo e nem todos os personagens são como o livro mostra. Nem sei se realmente foi o pai da menina que denunciou o caso e se a menina acabou sendo presa também ou se essa era apenas a vontade da escritora, ao ver seu filho acusado de pornografia infantil.
No livro, o casal se deu mal graças ao pai de Amelia - a protagonista - que resolveu que seu namorado não era bom o suficiente para sua filha e, então, resolveu "cortar o mal pela raiz", sem saber que ele estaria criando uma confusão sem tamanho que levaria, além do namorado "indigno", sua própria filha presa.
Por ser baseada em fatos reais (o filho da autora foi preso sob acusação de sexting aos 19 anos) o livro já aguça a curiosidade mesmo antes de a gente começar a ler. Logo no começo confesso que fiquei um pouco decepcionada porque a escrita da autora e a maneira com que ela narra os fatos não são lá muito boas. Ela não constrói o texto de maneira cativante e a leitura torna-se arrastada muitas vezes. O texto parece frio, mais para uma tese do que para um romance.
O pai de Amelia é tão jumento novo rico que eu cheguei a vibrar quando a coitada foi presa e, depois, exposta nos telejornais locais, só para ele provar do próprio veneno. Bem feito, palhaço! Os acontecimentos que tomam conta do livro no final são mais bacanas e prendem a atenção. Eu mesma não esperava que o protagonista fizesse aquilo (tã tã tã tã...suspense), mas acho que as explicações para uma atitude tão extrema poderia ter sido mais abordada. Achei meio forçado porque ninguém tomaria uma atitude dessas, por mais que a confusão só tivesse ficando pior a cada dia. A atitude do pai de Amélia ter mudade foi bem legal, mas os motivos dessa ruptura abrupta de sentimentos ficou meio jogada na história. Faltou entrar mais na mente do homem para entendermos o que acendeu a luzinha do "sogro legal".
Não curti muito, mas o assunto é bem interessante para tempos em que misturar mundo real x mundo virtual está cada vez mais comum e rotineiro.
Sobre a Autora
ThereseFowleracreditana magiade uma boa históriadesde que elaaprendeu a ler, aosquatro anos de idade. Aos trinta,recémmãe solteira,entrou na faculdade e garantiu um diplomaem sociologia. Depois conquistou o mestrado em escrita criativa e passou a escrever históriasque explorama natureza de nossasfamílias,a nossa cultura, os nossos errosenossos desejos.Os livros de Therese foram publicadosinternacionalmente, em nove idiomaseem mais de 28 países.
Jornalista, UX Writer e UX Designer. Ama as experiências que a vida proporciona e acredita que aprender sempre é o mais apaixonante de tudo.
É louca por seus dois filhos, Arthur e Cassiano, e também adora cinema, livros,gin tônica, internet e chocolate.