A carta é linda e, em muitos momentos, Ingrid agradece à sua mãe por, mesmo sem ter certeza se sua filha contonuava viva ou não, ia todo dia falar em um programa de rádio, com a esperança de que ela ouvisse. E ela ouvia.
Logo que a carta termina, o livro traz a carta em resposta, escrita por seus filhos e, depois, um posfácio com algumas informações a respeito das Farc e da situação dos sequestrados.
A carta de Ingrid é intensa, sincera, verdadeira e me emocionou por diversas vezes. Mais uma vez eu paguei mico no metrô, chorando feito criança com o livro aberto nas mãos.
Já a resposta de seus filhos mostra o quanto o orgulho e o autoritarismo de alguns políticos podem interferir na vida de várias pessoas. Ao pensar que o sofrimento de anos dessas centenas de sequestrados podia ter acabado em algumas horas é revoltante!
Ingrid x Clara Rojas
Ao contrário do livro de Clara - Eu, Prisioneira das Farc - Cartas à Mãe não conta muito detalhes do dia-a-dia na selva, afinal, por ser uma carta dirigida à família, Ingrid tenta falar de coisas boas e mandar recados, ao invés de ficar preocupando e angustiando seus entes queridos.
O livro é pequeno e pode ser lido em poucas horas, ao contrário do livro de Clara, que é um pouco maior.
Outra diferença é a questão da amizade. No livro de Clara, comentei na resenha sobre o encerramento estranho e misterioso da amizade entre as duas. Comprei o livro de Ingrid com o objetivo de conseguir essas respostas, o que não aconteceu. Pior do que escrever de forma obscura sobre o assunto, como fez Clara, é simplesmente não mencionar o nome da amiga, como fez Ingrid.
Ou seja, minhas perguntas continuam sem resposta, mas Cartas à Mãe é lindo, transborda amor e vale a pena ser lido por quem acompanhou todos aqueles acontecimentos e para quem, como eu, não consegue entender o que fez um mulher como Ingrid Betancourt aguentar todos aqueles anos de profundo sofrimento. Eu, sinceramente, não sei se teria conseguido.
Confira um trecho
"Sinto-me vencida"
"Esses seis anos ou quase de cativeiro demonstraram que não sou nem tão resistente, nem tão corajosa, inteligente e forte quanto pensava. Travei muitas batalhas, tentei a fuga diversas vezes, procurei manter a esperança como mantemos a cabeça fora d'água. Mas hoje, mamita, sinto-me vencida".
Para saber mais sobre Ingrid, nada melhor do que devorar esse infográfico do Estadão.
Onde comprarOs lugares mais baratos que encontrei foram: Submarino, por R$ 9,90 (aproveitem!!!) e Livraria da Travessa, por R$ 16,51.
