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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Cidade do Sol - Khaled Hosseini - Nova Fronteira

Comprei o livro com 50% de desconto em uma feira de livros da Universidade de São Paulo (USP). Li A Cidade do Sol um tempinho depois de ter lido O Caçador de Pipas, com o intevalo de um livro entre as duas leituras. Depois que terminei, fiquei tentando decidir, por horas, de qual eu havia gostado mais.

O Caçador de Pipas, sobre o qual já comentei aqui no blog, veio cheio de expectativas, por já ser um sucesso mundial e ter sido recomendado por vários amigos. Mesmo assim, minha expectativa, que já era alta, foi superada pelo brilhantismo com que o autor descreve as cenas, os personagens, os pensamentos e os sentimentos ao longo da história.

Já A Cidade do Sol veio sem expectativas, apenas com a certeza de ser uma história muito bem escrita, porque já conhecia o dom do autor. Fiquei simplesmente viciada no livro. Senti raiva, pena, dor, ódio, revolta, todos os sentimentos misturados numa experiência única que me envolveu pelos poucos dias que demorei pra "engolir" a publicação.

Para as mulheres, a identificação acontece logo nas primeiras páginas e serve para avaliarmos e pensarmos sobre nossa condição, nosso papel na sociedade e sobre como a cultura pode mudar a visão de mundo e o sentido de certo e errado das pessoas. Incrível!

Entenda porque é tão especial


A maneira com que o livro foi construído, separado por capítulos que levam o nome ora de uma, ora de outra personagem (o livro gira vem torno de duas mulheres, as pesonagens centrais da história), faz com que nos alternemos no mundo de cada uma, aumentando o envolvimento e a curiosidade para saber o que acontece a seguir. Até que, então, as duas se cruzam na história e, aí, o envolvimento fica maior ainda.

Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as coisas nem sempre seguem o curso que deveriam...

Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as coisas nem sempre seguem o curso que deveriam...

Os leitores se manifestam

No submarino, que quase nunca tem comentários nas páginas de livros, enconotrei quase quatro páginas de comentários sobre A Cidade do Sol. O fato reflete o quanto o livro mexe com os leitores. Copiei os melhores, para ilustrar a importância, qualidade e potência da obra:

  • Se há uma palavra para descrever Mariam e Laila, neste livro, está é DIVINDADE. Duas mulheres que sofrem e vivem intensamente sob a opressão de um país e de um marido louco. Um livro que te faz viajar ao Oriente Médio e te faz entender por que aquela região e porque aquele povo é o que é nos dias de hoje. Uma lição de amor, superação, espiritualidade e acima de tudo, de cultura. Este livro é simplismente maravilhoso!
  • Khaled Hosseini sem dúvida é o melhor escritor da atualidade. É um livro simplesmente maravilhoso que me fez chorar por horas e refletir durante dias em como nós mulheres, temos conflitos em comum mesmo em distantes partes do mundo e pensar em tudo que uma mulher abre mão sem pedir absolutamente nada. Há uma Mariam em cada uma de nós.
  • Não tem como avaliar de outra forma, é realmente um dos melhores que já li. Um passeio não tão agradavel pelas ciades do oriente, porém incrivelmente envolvente pelo seu cunho histórico. Um homem retratando a opressão feminina que mesmo sendo vivida em uma cultura diferente da ocidental, não tem como não se identificar. A ostentação masculina é universal e não importa a nacionalidade as mulheres sempre sofrerão a opressão dela. É o pater erguendo a lei, e ai de quem tentar burla-la.
  • Li em cinco dias pois a história é extremamente instigante. Apesar de ser um livro de ficção, nos faz refletir sobre vários temas reais como a submissão e humilhação a que as mulheres de radicais afegãos são submetidas, a difícil vida num país em guerra, a importância da amizade verdadeira e a dura realidade de que a vida nem sempre é como gostaríamos ou tem um final feliz. Apesar de muito triste e impossível de não se emocionar, é uma ótima leitura.
Sobre o Autor

Hosseini nasceu em Cabul, capital do Afeganistão. Sua mãe era professora de uma escola de segundo grau para garotas em Cabul. Seu pai se envolveu com o Ministério do Exterior afegão. Em 1970, o Ministério do Exterior enviou sua família para o Teerã, no Irã, onde seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. Em 1973, Hosseini e sua família retornam à Cabul. Em Julho de 1973, na mesma noite em que nasce o irmão mais jovem de Hosseini, o reino do Afeganistão muda de mãos através de um golpe sem derramamento de sangue.

Em 1976, Khaled Hosseini e sua família se mudam para Paris por conta do novo emprego do seu pai. Eles não voltam ao Afeganistão porque, enquanto estavam em Paris, comunistas tomaram o poder do país por meio de um golpe cruel. Deste modo, foi consentido à família Hosseini asilo político. Suas propriedades foram todas deixadas no Afeganistão e eles foram forçados a sobreviver com ajuda governamental por um curto período.

Hosseini formou-se na escola secundária e inscreveu-se na Universidade de Santa Clara, onde ganhou título de Bacharel em Biologia. Após alguns anos, ele ingressou na escola de Medicina na Universidade da Califórnia, onde recebeu o título de Doutor em Medicina. Khaled Hosseini continua praticando medicina, é casado com Roya Hosseini e tem dois filhos, Haris e Farah.

O que você acha: será que esse vira filme também?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini - Nova Fronteira

Mais que uma ótima aula de história, O Caçador de Pipas é uma lição de vida. O livro faz você mergulhar na cultura árabe e viajar para o Afeganistão sem sair do lugar. Todas as descrições dos ambientes, das expressões e dos sentimentos que parecem ultrapassar as páginas do livro são feitas na medida, na linguagem e no momento perfeitos para cativar o leitor sem cansá-lo.

Para nós, que só temos como base a cultura ocidental, é incabível aceitar certos acontecimentos e comportamentos típicos da cultura islâmica. Mas, para eles, os estranhos somos nós. Com todas as guerras e mortes que assolam o país, o povo afegão é sofrido demais, resignado e tem a revolta abafada pelo medo e pela fé na religião e em dias melhores.

No meio de tudo isso, O Caçador de Pipas trata de sentimentos como crueldade, traição, covardia e preconceito de uma maneira chocante. Mas também fala de lealdade, arrependimento, amor e amizade de forma explêndida.

O livro faz chorar, e muito. Não tem jeito. É lindo, mas é triste demais. E é real, infelizmente. Apesar de a história ser uma ficção, é triste pensar que há um monte de Hassans e Sohrabs pelo mundo a fora.

Leia o livro , emocione-se a cada página, aprenda com cada capítulo e faça mil vezes tudo de bom a quem você ama!

Estou sensível, eu sei. E a culpa é do livro! :)

O Filme

O livro virou filme em 2007. Fui ao cinema com muitas expectativas. E adorei! Apesar de o livro ser infinitamente melhor, o filme também emociona, ainda mais a quem leu o livro, porque aí o que faltava no longa metragem era preenchido pelas lembranças do livro. Levei o maridão, que não leu o livro, e ele chorou também. Está provado que o filme, sem ser comparado à publicação, tem seu valor. Confira o trailer:




E depois veio A Cidade do Sol

Depois do sucesso de O Caçador de Pipas, o autor lançou, em 2007, A Cidade do Sol. Comprei correndo, li e fiquei completamente tocada pela história. O dom que o autor tem de envolver o leitor e fazê-lo ficar preso ao livro mesmo dias depois de já tê-lo terminado é incrível! Nem sei dizer de qual deles gostei mais, mas isso e assunto para um outro post...

Sobre o Autor

Hosseini nasceu em Cabul, capital do Afeganistão. Sua mãe era professora de uma escola de segundo grau para garotas em Cabul. Seu pai se envolveu com o Ministério do Exterior afegão. Em 1970, o Ministério do Exterior enviou sua família para o Teerã, no Irã, onde seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. Em 1973, Hosseini e sua família retornam à Cabul. Em Julho de 1973, na mesma noite em que nasce o irmão mais jovem de Hosseini, o reino do Afeganistão muda de mãos através de um golpe sem derramamento de sangue.

Em 1976, Khaled Hosseini e sua família se mudam para Paris por conta do novo emprego do seu pai. Eles não voltam ao Afeganistão porque, enquanto estavam em Paris, comunistas tomaram o poder do país por meio de um golpe cruel. Deste modo, foi consentido à família Hosseini asilo político. Suas propriedades foram todas deixadas no Afeganistão e eles foram forçados a sobreviver com ajuda governamental por um curto período.

Hosseini formou-se na escola secundária e inscreveu-se na Universidade de Santa Clara, onde ganhou título de Bacharel em Biologia. Após alguns anos, ele ingressou na escola de Medicina na Universidade da Califórnia, onde recebeu o título de Doutor em Medicina. Khaled Hosseini continua praticando medicina, é casado com Roya Hosseini e tem dois filhos, Haris e Farah.