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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Até Breve, José - Camila Goytacaz



Semana passada, ele chegou aqui em casa. Pelo correio, chegou dias antes da páscoa, data em que se celebra o renascimento, a vida. Na sexta-feira santa, comecei a leitura de Até Breve, José.

O livro é tão cheio de amor, tão sensível e tão sincero que é impossível uma mãe ou um pai (acho que, talvez, até quem nem é mãe ou pai) não se colocar no lugar da Camila. Hoje, estou de luto. Passei o feriado introspectiva, pensando na vida, meio quieta. Hoje, acordei ainda mais "pra dentro".

Acordei sentindo-me diferente. Estranho, eu não sou assim. Percebi, então, que era meu luto por José. Minha maneira de tentar entender porque algumas coisas simplesmente acontecem, contrariando expectativas e evidências científicas. Contrariando o curso natural da vida.


É quase que insuportável o momento em que a gente se dá conta de que ao maior amor do mundo, de repente e sem aviso, soma-se pânico, dor, medo, almas desoladas, incertezas, dúvidas, impotência. Eu não sei como é possível suportar. Eu não sei de onde vem a força. Eu não sei como foi possível lidar com as perguntas, com os dias seguintes, com o quarto arrumado, com as roupinhas sem uso. 

Hoje, com a cólica que me mostra que ainda não chegou a minha hora de ter um segundo filho, todos os meus pensamentos e minhas energias positivas vão para José. José, que representa todos os bebês que foram cedo demais.

Penso em como essa passagem foi necessária para sua evolução espiritual. Não só para a sua, mas para a de toda a família. E penso que sua família foi escolhida por ser especial e ter a força e a evolução necessárias para serem esse instrumento. Mas isso não diminui a dor, não leva embora as lembranças da despedida precoce. Como diz Camila no livro, é muito duro sofrer por tudo o que não se viveu.

O livro é muito intenso, do início ao fim, mas uma frase mexeu demais comigo. Chorei copiosamente quando li que Camila não tinha uma foto de José. A lembrança de seu filho ficou só onde deveria estar, dentro do seu coração.

Eu, que já passei pelo medo de perder um bebê que amava, consigo, pelo menos, mensurar a dor da Camila, do Pedro e do Lufe. Eu, que lembro de alguns emails da Camila numa lista de mães da qual também faço parte, só queria dizer que eu sinto muito. Se fosse possível cada mãe pegar um pedacinho da dor dela para si, aliviando esse sentimento que sufoca, certamente o faríamos. Juro que, se pudesse, eu teria feito.

Como Camila, sou jornalista e costumo escrever como uma forma de extravasar sentimentos e pensamentos, como uma forma até de autoconhecimento, também. Escrevi, como Camila, um diário desde que soube que estava grávida do Arthur. Para coisas importante, tristes ou felizes, eu escrevo. E Camila também. Minha identificação com ela foi instantânea.

Imagino, então, como foi todo o processo de decidir e voltar atrás, depois decidir de novo, duvidar de ser o melhor e então deixar a ideia de lado, passar por isso dezenas de vezes até tomar a decisão final de, sim, escrever e publicar um livro para homenagear José e ajudar outras mães. No meio da dor, o ser humano ainda consegue pensar no próximo. Foi assim que você foi consolada e agora, por gratidão e compaixão, faz o mesmo por tantas outras pessoas. Parabéns e muito obrigada.

Ler Até Breve, José mudou, de certa maneira, a minha vida. Foi uma das experiências literárias mais intensas que já vivi. O livro terá um lugar especial na minha estante, para sempre.

Sobre a Autora

Camila Goytacaz é jornalista, escritora, blogueira e mãe de Pedro Luis, Joana e José.

Sinopse do livro

Até Breve, José é uma delicada experiência literária, uma narrativa que combina a força do texto e a sutileza das artes visuais. Camila escreve para seu filho desde o momento em que soube que ele viria ao mundo. Depois que ele morre, ainda recém-nascido, ela continua a conversar com ele sobre os detalhes cotidianos.

Com uma linguagem suave pontuada por lampejos espirituosos, o livro relata a dor da perda e o reencontro com a esperança.

Onde encontrar

Aqui tem a página do livro no facebook. E, para comprar, clique aqui. O site oficial do livro é imperdível também. Eu ainda nem li, mas já recomendo pra vocês. Para quem é mãe ou deseja ser, certamente é leitura mais que obrigatória. Assim que terminar prometo escrever uma resenha sobre ele.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Maternidade e o Encontro com a própria Sombra - Laura Gutman - Ed. Best Seller



Acho que, se me pedissem para resumir esse livro em uma palavra, eu escolheria "Revelador". A obra, para mim, é indispensável a toda mãe, pois mostra o vínculo entre mãe e filhos em níveis que a gente nem imagina, explicando o que vem à tona na mente e no corpo da mulher quando ela dá à luz.

Todas as histórias contadas (histórias verdadeiras sobre famílias atendidas pela autora) ilustram muito bem a experiência da maternidade e, apesar de ser duro em alguns pontos, por conta da objetividade e verdade expressas, é extremamente enriquecedor.

Ao terminar a leitura, a gente fica muito mais consciente do quão profunda e ligada está a vida da mãe e do filho, desde o momento da gestação, passando pelo parto até os primeiros anos da vida do bebê. E são esses primeiros anos que a base emocional para o resto da vida de um filho é fundamentada, por isso a importância de maternar com dedicação, amor e dando ouvidos à intuição de mãe, ao seu instinto.

Dica

A coisa é tão profunda que eu me arrisco a dar uma dica sincera e de coração aberto: se você têm dúvidas sobre querer ou não ter um filho, então não tenha. Só engravide quando você tiver vontade plena de ser mãe, porque ser mãe implica muito mais coisas do que a gente pode sequer imaginar antes de ter um filho. Por mais que te contem, que você leia, não chega nem perto. Acredite. É profundo demais, é intenso demais. E é para sempre.


Muitas mães ficam perdidas no período de fusão com seus filhos recém-nascidos e o livro ajuda demais as mulheres a passarem por essa fase, entender todo o processo e se entregar a ele. Lendo a obra a gente percebe que ser mãe vai muito além de colocar um ser humano no mundo e somos convidadas a mergulhar de cabeça nessa que é, sem dúvida, a maior aventura da vida de uma mulher.

Sobre a Autora

Laura Gutman é argentina, tem graduação em Paris, em Psicopedagogia Clínica e mais tarde  especializou-se em temas de família. De orientação junguiana, formou-se com a renomada psicanalista Francoise Dolto.

De volta à Argentina, em 1990, fundou "Crianza en Buenos Aires", uma instituição onde funciona uma escola de Capacitação para profissionais da saúde e educação, grupos de crianças para mães, doulas a domicílio para mulheres puérperas, terapias individuais e de casal e publicações sobre temas da maternidade e infância.

É autora de vários livros que exploram o universo da maternidade, os vínculos familiares e as dinâmicas violentas as quais os seres humanos sofrem. Alguns desses títulos são: "A Maternidade e o encontro com a própria sombra", “Crianza, violencias invisibles y adicciones” y “La revolución de las madres”. Colabora en revistas españolas y actualmente es editora de la revista “El mundo de tu bebé”.

De 1996 até o presente, formou mais de 300 educadores, médicos e profissionais em geral, para construir uma nova visão acerca do problema da violência social e oferecer ferramentas concretas para assumir, com maior consciência, o trabalho que compete a cada um de nós.  Através de múltiplos seminários, conferências, cursos e oficinas, na Argentina, Uruguai, Chile, Espanha e México difundiu sua tarefa a favor de vínculos mais felizes entre adultos e crianças.

Fonte: http://lauragutmannobrasil.blogspot.com.br/p/quem-e-laura-gutman.html

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Nascer Sorrindo - Frédérick Leboyer - Ed. Brasiliense


"Vamos deixar o bebê. E entregá-lo, por alguns momentos, à mãe, depois de ele ter provado as alegrias da solidão, da imobilidade.
Deitado sobre o peito querido, orelha contra coração, o bebê reencontra o som e o ritmo familiar.
Tudo está feito. Tudo é perfeito.
Esses dois seres que lutaram corajosamente, transformam-se num só."
Com esse trecho LINDO do livro, que narra um momento sublime que (graças a Deus e às minhas escolhas) eu pude viver instantes após meu filho sair de dentro de mim, começo esta resenha. 
O livro foi eós uma viagem pscrito pelo obstetra  Frédérick Leboyer, médico que mudou sua maneira de encarar a vida e a profissão apra ìndia, e voltou querendo fazer a diferença. O livro defende a tese (para mim, super lógica e na qual eu acredito totalmente) de que, como o bebê passa em torno de 40 semanas envolta por líquido, ouvindo apenas o som do corpo da mãe funcionando e de barulho abafados, o momento do nascimento pode ser traumático e aterrorizante se não tentarmos aproximar, pleo menos um pouco, o ambiente do nascimento ao intrauterino, pelo menos para que essa "transição" seja feita de maneira calma e em paz.

De repente, luz, barulho, frio. Esse choque afeta a pessoa deixando seqüelas irreparáveis em sua personalidade. Por isso, o autor defende as salas de parto na penumbra e silêncio. 

 Além disso, para ele, o bebê deve, depois de sair da mãe, ser imediatamente colocado junto a elapara sentir seu calor, seu cheiro e sua voz. Isso transmite segurança e faz com que o bebê tenha a sua adaptação ao meio externo realizada de forma gradual e lenta. Em partos assim, chamados humanizados, é comum que bebês nasçam sem chorar ou até sorrindo. 

E eu sou prova viva disso: meu Arthur nasceu em um parto natural e totalmente humanizado. Veio para o meu colo assim que nasceu e não chorou, simplesmente olhou nos meu olhos e permaneceu assim por longos e inesquecíveis minutos. Nasceu tranquilo, nasceu em paz. Então, pra que chorar?

 A leitura do livro é um pouco difícil, mas vale a pena. Recomendo. :)


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Parto Ativo - Janet Balaskas - Ed. Ground






Tenho uma relação de carinho muito grande por este livro. Quando engravidei do Arthur (hoje com 19 meses), comecei minha busca pelo melhor nascimento para ele. Li muito, pesquisei muito e descobri que 90% de todas as mulheres têm total condições de ter partos normais/naturais (os mais seguros e melhores para os bebês). E essa porcentagem é realmente realidade em muitos países (principalmente de primeiro mundo). Só que aí veio o lado ruim da história: no Brasil, essa realidade é simplesmente inversa! Em hospitais particulares, a taxa de cesareanas chegam a 90%!!!!

Será que as brasileiras não conseguem mais parir ou será que temos médicos "forçando a barra" para agendarem cesáreas e terem uma vida mais programada e mais bem remunerada?

Pois bem, fui atrás do melhor para nós e prometi para mim mesma que eu não seria mais uma a entrar na faca sem necessidade. Iria para uma mesa cirúrgica caso precisasse, e só. Para isso, procurei médicos sérios que partilhavam da mesma opinião que eu, tive um pré-natal MARAVILHOSO e tinha certeza dentro de mim que, fisicamente, eu estaria completamente apta a trazer meu filho ao mundo de maneira natural. Aí vinha a questão do psicológico, que podia atrapalhar.

Comprei então alguns livros, entre eles Parto Ativo. O livro passa muita segurança, mostra que o natural é instintivo para a mulher, que a natureza sabe o que fazer. Além disso, ensina como respirar durante o trabalho de parto, como aliviar a dor por meio de movimentos e muitos outros ensinamentos que usei durante as 12 horas que fiquei em trabalho de parto, me preparando para conehcer Arthur.

Tem como não sentir um super carinho pelo livro? :)

E para quem ficou curioso para saber como foi meu parto, clique aqui e leia o relato completo. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Parto com Amor - Luciana Benatti e Marcelo Min - Ed. Panda Books



O livro Parto com amor, de Luciana Benatti, com fotos de Marcelo Min, é um daqueles livros que considero indispensáveis para quem está grávida ou pretende ficar. É um livro que mostra histórias reais de mulheres que foram em busca de um parto lindo, com respeito, paz e tranquilidade, mesmo vivendo no Brasil, país campeão mundial em cesareanas.

Aqui, quem quer ter um parto normal ou natural humanizado , de longe o mais seguro para o bebê, precisa travar uma verdadeira batalha. Essas mulheres conseguiram, assim como eu, e tiveram um dos momentos mais importantes das suas vidas respeitado.

Chorei muito lendo o livro e me inspirei demais. Na época, estava grávida de 7 meses e fiquei morrendo de vontade de ser uma das personagens. Se tiver o volume 2, quero participar! :)