terça-feira, 18 de junho de 2013

Pulmão de Aço - Eliana Zagui - Ed. Belaletra Editora


Uma bela noite, meu marido chegou em casa super emocionado, dizendo que tinha visto uma reportagem na internet sobre um residente do Hospital das Clínicas (HC). Depois de me contar a história de Paulo resumidamente, estendeu um embrulho para mim. Logo percebi, pelo formato, que se tratava de um livro. Quando abri e li o título Pulmão de Aço, não entendi muita coisa. Como estava no final de um livro, que terminaria naquela mesma noite, já levei o Pulmão de Aço para meu criado-mudo, pois alguma coisa me disse para eu passar esse livro na frente da minha enorme lista de livros para ler em 2013.

Ainda bem que não demorei para ler. Ainda bem que ganhei esse presente. Ainda bem que Eliana teve a serenidade e a sabedoria para escrever (com a boca!!!) esse livro. Acho que nem que eu viva mil anos vou esquecer as mensagens que ficaram dessa leitura. E a principal delas só reforçou algo que eu já imaginava: por mais difíceis que sejam as provações da vida, se houver amor incondicional, apoio, suporte, nada torna-se impossível.

O caso de Eliana é ainda mais raro, porque ela conseguiu superar 36 anos numa UTI do HC, mesmo sem o suporte e o amor familiares que tanto lhe fizeram falta. Deixe-me explicar melhor.

Eliana, a autora, foi diagnosticada com Paralisia Infantil quando tionha 1 ano e 9 meses de idade. Quando o diagnóstico veio, a doença já tinha avançado e Eliana já estava paralisada completamente do pescoço para baixo. Os médicos internaram a criança, mas deixaram claro para os pais que a morte era questão de horas. Isso foi ha 34 anos e, desde então, Eliana tem o HC como sua casa e a equipe médica como sua família.

Seus melhores e únicos amigos, seis crianças internadas em situações parecidas, foram morrendo pouco a pouco. Das vitimas daquele surto de Polio, Eliana e seu amigo Paulo são os últimos sobreviventes. No livro, ela conta toda a sua vida, seus sentimentos, suas frustrações, suas aventuras e seus desejos para o futuro.

É lindo, bem escrito e extremamente tocante. Quando terminei a última página, minha vontade era sair de casa, dirigir até o HC e dar um abraço daqueles em Eliana. Além de contar sua vida, ela acaba contando a história da polio e do próprio HC, além de citar e descrever como profissionais de saúde (enfermeniros, auxiliares e médicos) podem trabalhar sem esquecer a compaixão, o amor ao próximo e a sensibilidade. Leitura mais que obrigatória! Foi para a minha seleta lista de livros favoritos.

Dicas:
1 - Antes de começar a leitura, já reserve uma caixinha de lenços e deixe-a sempre a mão. Você vai precisar.
2 - Se você tiver filhos, avise-os de que, provavelmente, você irá agarrá-los e abraçá-los mais do que o normal. :)


Sobre a autora


Eliana escreve sobre ela em seu site:

"Sou Eliana Zagui, nascida em Guariba – interior de São Paulo, no dia 23/03/1974.
  Desde um ano e nove meses de idade, moro no Hospital das Clínicas - SP, devido
  à Poliomielite (Paralisia Infantil) a qual me paralisou do pescoço para baixo,
  obrigando-me a viver 24 horas num respirador artificial.
  Vivendo e morando todo esse tempo no hospital, pude e ainda tenho oportunidades
  de aprender de tudo um pouco que uma pessoa dita "normal” é capaz.
  Aprendi a ler, escrever, pintar quadros, virar páginas de livros e revistas, teclar no
  computador, no telefone, colar adesivos e muito mais, somente com a boca".

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Filhinha do Papai - Mary Higgins Clark - Ed. Record



Não conhecia essa autora e só li esse livro porque me interessei pelo nome e acabei trocando com uma outra usuária do Skoob, que estava louca por um livro meu. Já no primeiro capítulo notei a qualidade da escrita da autora e a historia singular que o livro trazia. Agora, virei fã da autora e, pesquisando no próprio Skoob, vi que ela já é super famosa e tem vários livros publicados!!

A história é sobre Ellie Cavanaugh, uma jornalista investigativa que busca desvendar todos os detalhes do assassinato de sua irmã mais velha, Andrea, 22 anos antes, depois que o condenado recebe liberdade condicional. Ellie não aceita que Rob seja solto, mesmo tendo cumprido 22 anos de pena. Ele sempre jurou inocência e sua culpa nunca ficou realmente provada, mas Ellie fará de tudo para que isso aconteça. Porém, descobertas sobre outros acontecimentos começam a deixar dúvidas sobre quem é realmente o assassino de sua irmã. Será que ela se enganou todo esse tempo?

O livro é tão bom que até o último capítulo a gente fica com dúvidas sobre quem é realmente o assasssino. Até dos pais das meninas eu cheguei a desconfiar. A autora é extremamente talentosa e prende o leitor o tempo inteiro, não deixando a história esfriar em nenhum momento. A sensação que eu tive é que, se demorasse muito para ler, o assassino poderia fugir. Hahahaha

Sensacional! OUtro que foi para a minha seleta lista de favoritos. :)

Sobre a Autora


Mary Higgins Clark nasceu em Bronx, Nova Iorque. O pai morreu quando ela tinha dez anos, deixando a família numa situação económica difícil. Depois de terminar os estudos do ensino secundário, Mary tirou um curso de secretariado e trabalhou como secretária numa agência de publicidade durante três anos. Abandonou a agência para trabalhar como hospedeira do ar na Pan American Airlines, onde ficaria até ao seu casamento com um amigo de longa data, Warren Clark. Em 1956 começou a escrever contos para jornais e revistas e peças para a rádio. O primeiro livro que publicou foi uma biografia de George Washington, Aspire to the Heavens.

Warren viria a morrer em 1964, vítima de um ataque de coração. Mary ficou com cinco filhos a seu cargo. Foi então que decidiu dedicar-se à escrita. Todos os dias se levantava às 5 da manhã e escrevia até às 7, hora a que preparava os filhos para a escola.

O seu primeiro livro policial Where Are the Children?, publicado em 1975, tornou-se um best-seller. Mary decidiu continuar os estudos e inscreveu-se na Fordham University, onde, em 1979, se doutorou summa cum lauda em Filosofia. Desde então foi distinguida com 16 doutoramentos honoris causa e tem recebido numerosos prémios literários. Os seus livros estão traduzidos em várias línguas.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Rumo a outro Verão - Janet Frame - Ed. Planeta do Brasil



Rumo a outro Verão foi um livro que me pegou pela sinopse. Achei que ia ser um livro lindo, sutil, profundo e....que decepção!

O livro foi escrito em 1963, quando Janet Frame vivia em Londres. Ele foi publicado após sua morte (em 2004, de leucemia) pois ela achava que ele era pessoal demais para ser publicado enquanto ela estava viva.




É um romance autobiográfico, em que a autora usa metáforas o tempo inteiro para desenvolver a história e mostrar que sentia-se perdida, sem saber ao certo o seu lugar no mundo. A história conta como Grace Cleave se sente ao passar um fim de semana fora de sua casa, na casa de um casal amigo com seus dois filhos.

Eu achei difícil de acompanhar, a narrativa ora é em primeira pessoa, ora em terceira e os acontecimentos são tão sem expressão que não dava nem vontade de prosseguir. O livro é pesado, denso, triste, pois faz parecer que a autora não encontrava um significado para sua vida, algo pelo qual ela poderia acordar todos os dias. Sendo uma obra autobiográfica, fiquei imaginando que a autora deve ter sido bem triste, passado por tragédias durante a vida ou algo parecido.


Curiosa como sou, fui pesquisar. E não é que ela teve uma vida incrivelmente trágica? Li nesse site que, aos 23 anos, ela foi diagnosticada erroneamente com esquizofrenia. Até completar 30 anos, Janet passou por diversas instituições psiquiátricas e passou por mais de 200 (duzentos!!!) tratamentos de choque.

Ela lançou seu primeiro livro, de contos, em 1951 com o título The Lagoon and Other Stories. Frame estava prestes a ser submetida a uma lobotomia nesta altura, o que foi evitado quando se soube que tinha ganho o Prémio Hubert Church Memorial.


Sobre a autora

Romancista e poetisa neo-zelandesa, Janet Paterson Frame nasceu a 28 de agosto de 1924, em Southland, Dunedin, na Nova Zelândia, e morreu a 29 de janeiro de 2004, num hospital de Dunedin, vítima de leucemia. Lançou o seu primeiro livro, uma coletânea de contos, em 1951 com o título The Lagoon and Other Stories. Ganhou o Prémio Hubert Church Memorial.

Em 1954 e 1955 viveu com Frank Sargeson, que a encorajou a seguir uma carreira literária. Em 1956 Jante Frame acabou por deixar o seu país com a ajuda de uma bolsa estatal e nos sete anos seguintes viveu, sucessivamente, em Ibiza (Espanha), Andorra e Inglaterra. Durante esse período escreveu, em 1957, The Owls do Cry, baseado na sua experiência familiar, Faces in the Water, em 1961, The Edges of tha Alphabet (1962), Scented Gardens for the Blind, The Reservoir, Sonwman, Snowman, todos em 1963.
Escreveu uma autobiografia em três volumes, To the Island (1982), An Angel at My Table (1984) e The Envoy From Mirror City (1985).

Em 1989 lançou The Carpathians, obra que lhe valeu a obtenção do Prémio da Commonwealth, comunidade de estados de influência britânica. A 6 de fevereiro de 1990 foi nomeada membro da Ordem da Nova Zelândia. Nesse mesmo ano o seu livro An Angel at My Table foi adaptado ao cinema.
Por diversas vezes, nomeadamente em 2003, Frame foi apontada como potencial vencedora do Prémio Nobel da Literatura, embora nunca tenha conseguido ganhar.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Mayada - Jean P. Sasson - Ed. Best Seller



Depois de ler a trilogia da Princesa, da mesma autora, lá fui eu comprar Mayada e De amor e de Chamas, para continuar prestigiando as obras de uma mulher que escreve tão bem. Já publiquei as resenhas da trilogia. Para quem não leu, clique aqui, aqui e aqui.

Mayada é realmente igualmente bem escrito. A gente não consegue parar de ler e pensa várias vezes durante a leitura como somos abençoadas por ter nascido em um País onde as mulheres não são tratadas como seres inferiores. Mas, vamos à história, para vocês entenderem sobre o que estou falando.

Mayada conta a história de uma mulher iraquiana bem nascida, com família influente e de boas relações. No fim das contas, esse foi o "detalhe" que salvou a sua vida. Porque, do contrário, ela teria sido torturada cruelmente até seu corpo não aguentar mais e desistir de acordar após um dos desmaios frequentes que alguém que sente mais dor do que consegue suportar sofre.

O livro é forte, é verdadeiro e conta, além de histórias sobre as mulheres que dividiram a cela da prisão com Mayada, muita coisa sobre o regime de Saddam Hussein. Ler Mayada é ter uma aula de história do Iraque, também.

Em 1999, Mayada foi presa sem saber o motivo. Ela não fazia absolutamente nada que pudesse ser interpretado como oposição ao governo. Levava uma vida tranquila com os dois filhos e, do nada, foi levada para Baladiyat, quartel-general da polícia secreta iraquiana. Lá descobriu que estava sendo acusada de imprimir folhetos contra o governo (ela era dona de uma gráfica).

Mayada então é colocada na cela 52 com mais 17 mulheres de diversas origens. As mulheres-sombras, como Mayada as chamava, se encantam pelas histórias dela e também acabam contando suas histórias, todas relatadas no livro. Elas passam a conviver, a ajudar umas às outras, a rezar pela vida da torturada da vez enquanto ela não voltava para a cela, a tratar dos ferimentos e dos ataques de tristeza, depressão e saudade. Elas passaram a se amar.

Um mês depois, Mayada foi solta, voltou para os filhos e fugiu para a Jordânia. Perto do final do livro ficamos com muita esperança de que tudo vai acabar bem para todas as mulheres-sombras, por conta da soltura de Mayada, mas depois, ao termionar a leitura, lembramos que o livro é sobre uma história real, e não um conto de fadas.

Eu já li muitos livros sobre esse tema. Quem lê meu blog sabe que é um dos meus temas favoritos. Mas Mayada, com certeza, foi um dos melhores livros que já li. Leitura mais que obrigatória!


Sobre a autora

Jean P. Sasson é autora da trilogia best-seller "Princesa", "As Filhas da Princesa" e "Princesa Sultana", que mostraram ao Ocidente a realidade sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita. Seu primeiro livro, o sucesso editorial "The Rape of Kwait", vendeu mais de um milhão de cópias e alcançou o segundo lugar na lista do jornal norte-americano "The New York Times". Sempre envolvida com temas ligados às mulheres, Jean Sasson é americana, viveu na Arábia Saudita e viajou por todo o Oriente Médio.

Há ainda o livro "Amor em Terra de Chamas", da mesma autora. Tenho ele guardadinho aqui na minha estante. Em breve posto a resenha por aqui. :)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A Lista Negra - Jennifer Brown - Ed. Gutemberg


Ganhei esse livro no natal de 2012, logo depois que ele foi lançado no Brasil. A obra estava sendo muito comentada por tratar de um dos assuntos do momento entre professores, pais e psicólogos: o bullying.

Dia 05 de janeiro de 2013 eu já tinha lido o livro. A história foi a primeira que li a abordar o bullying como assunto principal. Voltado para o público adolescente e pré-adolescente, o livro é uma ótima pedida para jovens em idade escolar. Para quem sofre, faz pensar. E para quem comete, leva à reflexão.

Esse é o romance de estréia da autora e eu confesso que estava desconfiada, mas fui surpreendida positivamente. Apesar de achar algumas partes um pouco repetitivas, o livro é bem escrito, a história é bem amarrada e a leitura é prazerosa, envolvendo-nos nos fatos.

A história é super criativa e aborda a vida de Valerie Leftman, uma menina que sofria bullying constantemente juntamente com seu namorado. Ela criou, então, uma lista negra como maneira de expressar sua mágoa e indignação. Mas, o que era uma brincadeira para ela, era muito sério para Nick Levil, seu namorado. Ele entra na escola e tenta matar um por um. 


Valerie Leftman sobrevive, apesar de ter sido atingida ao tentar defender uma das vítimas no momento do ataque, mas sua vida nunca mais será a mesma.

Apesar de ter como público-alvo pré-adolescentes e adolescentes, eu gostei do livro e recomendo a leitura. Apesar de nunca ter sofrido bullying na escola, a história me tocou bastante. Tenho um filho de quase 2 anos e sei que ainda é cedo para falar sobre isso com ele. Mas pretendo ensiná-lo a respeitar o próximo e as diferenças. Acho que, para mim, pior do que saber que meu filho sofre bullying é saber que ele comete. É um absurdo pais que fecham os olhos para crueldades cometidas por seus filhos. Um dia, essa crueldade pode se voltar para a própria família, inclusive. Leitura aprovada. Recomendo!

O que é Bullying

Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.

Em 20% dos casos as pessoas são simultaneamente vítimas e agressoras de bullying, ou seja, em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de assédio escolar pela turma. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida. (Fonte: Wikipedia)

A questão de que a maioria das pessoas que sofrem bullying não contam/relatam os acontecimentos para os familiares é a principal preocupação dos profisisonais. O bullying pode causar danos sociais para o resto da vida e, se os jovens forem incentivados a confiarem e se abrirem para seus pais, isso pode ser evitado.

Sobre a autora

Duas vezes vencedora do Prêmio Erma Bombeck Humor Global (2005 e 2006), a coluna semanal de humor de Jennifer deu lugar para uma romancista juvenil. Seu romance de estréia, A Lista Negra, ganhou diversos prêmios e seu segundo romance, BITTER END (ainda sem tradução para o português) vai pelo mesmo caminho.

Jennifer escreve e mora em Kansas City, com o marido e seus três filhos.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sorte - Um caso de Estupro - Alice Sebold - Ediouro


Antes de falar sobre o livro, preciso expressar aqui o quanto me identifiquei com a escrita de Alice. Como essa mulher escreve bem! Sem rodeios, sem marasmo, de maneira direta mas, ao mesmo tempo, fazendo carinho com as palavras. Ao ler seu livro autobiográfico, a sensação que tenho é de que cada frase foi refeita várias vezes, até ficar perfeita. O livro é muito bom e é leitura obrigatória! Vou explicar porquê:

Apesar de ser uma história real, vivida pela prórpia autora, às vezes eu me via no meio de um romance, de tão impressionante que é a narrativa da autora. Eu já admirei Sebold nas primeiras páginas, porque não é fácil escrever um livro e eternizar momentos tão horrível e traumatizantes como um estupro. E ela narra dos acontecimentows de maneira honesta, sincera e objetiva.

Ela conta tudo: desde detalhes do ato do estupro até o que acontece depois. Como foi a reação dela nos dias que se seguiram, a relação coma sua família e amigos, seus sentimentos e pensamentos.

Eu sentia um monte de coisas conforme a leitura fluia: emoção, compaixão, ódio, raiva, pena e por aí vai. A leitura é forte, mas eu AMEI e recomendo muito!

Sobre a autora

Alice Sebold cresceu no subúrbio de Filadélfia e estudou na Great Valley High School, na Pennsylvania.
Em seguida, matriculou-se na Universidade de Syracuse e quando estava terminando seu primeiro ano, foi estuprada enquanto voltava para casa, em um parque perto do campus. (Esta história foi relatada em seu primeiro livro: de memórias, estilo autobiográfico, intitulado "Sorte", lançado originalmente em 1999).

Após a formatura de Syracuse, Sebold foi para a Universidade de Houston, no Texas para o ensino de pós-graduação, o qual ela não completou, devido ao seu envolvimento com drogas. Então, ela se mudou para Manhattan e lá viveu por 10 anos, onde realizou diversos trabalhos, inclusive como garçonete e tentou prosseguir a sua carreira de escritora. Sebold queria escrever a sua história através da poesia, mas as tentativas fracassavam.

Sebold deixou a cidade e se mudou para o sul da Califórnia, onde se tornou zeladora de uma colônia de artes, vivendo em uma cabana na floresta, sem eletricidade. Ela escrevia com o auxílio de uma lâmpada a gás. Novamente Sebold iniciou nova pós-graduação, desta vez na Universidade da Califórnia. Lá ela começou a escrever sua história, ao fazer um trabalho de 40 páginas para a sua classe, o qual mais tarde serviria de base para seu primeiro livro ("Sorte").

Depois de "Sorte", Sebold publicou, em 2002, o best-seller "Uma vida interrompida". O livro é um romance sobre uma menina de 14 anos que é assassinada pelo vizinho. O personagem principal conta sua história do Céu, olhando para baixo quando sua família tenta lidar com a morte dela e enquanto seu assassino escapa da polícia. Este romance foi adaptado para um filme de 2009, de Peter Jackson, chamado "Um olhar do Paraíso". Enquanto Alice trabalhava em "Uma vida interrompida", ela conheceu o marido Glen David Gold, na faculdade.

O segundo romance de Sebold, "Quase noite", foi lançado em 2007. Sebold ganhou o American Book Associação de Livreiros do Ano de Ficção Adultos em 2003 e o Prêmio Bram Stoker pelo primeiro romance em 2002. Ela também foi indicada na categoria romance naquele ano.

Fonte: Skoob.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Por razões desconhecidas - Mauro Paz - Ed. Instituto Estadual do Livro




Sentei para ler esse livro, de 76 páginas, às 22 horas de um domingo. Só consegui para quando acabei o último conto. Tem coisa melhor do que ser surpreendida positivamente por um livro? Eu adoro essa sensação!

Esperava que o livro fosse bom, mas não esperava que fosse TÃO bom. Os contos são intensos, bem escritos, dinâmicos e com aqueles finais que faz a gente respirar fundo e dar uam refletida antes de começar o próximo.

É o primeiro livro do autor Mauro Paz e espero que muitos outros com a mesma qualidade venham por aí. O rapaz tem talento!

A obra conta com 12 contos que abordam temas diversos, como amor, suicídio, abuso sexual, loucura, traição, amizade, homossexualismo, entre outros.

Fiquei pensando qual deles eu gostei mais, mas é até difícil escolher. Então, vou comentar o que achei de cada um, sem estragar a surpresa das histórias:

Minha mãe, Florence Thompson - o primeiro conto do livro já me deu um aperto no peito. É bem triste, mas reflete a realidade do Brasil que a gente acha que é passado.

Elena - Intenso, me lembrou um pouco Nelson Rodrigues, mas escrito de maneira mais sutil. A história é surpreendente e segue por um rumo que a gente nem imagina quando começa a ler o conto. Muito bom!

Marcele - Muito criativo e com um final que me deixou de boca aberta.

Parcialmente encoberto - Muito bom! Mas precisei respirar fundo depois de acabar.

Société Générale - Esse tem um final que faz a gente vibrar. Adorei.


Primeiro Andar - Triste também. E denso.

Condicional - Vibrei por um final, mas não foi nada do que eu achei que seria. Não que eu tenha me decepcionado.

Duda - Acho que esse é meu preferido. Bom demais!!!

O Breu - Esse foi o conto com o qual eu menos me identifiquei. Talvez seja porque fiquei lendo com a cabeça no conto anterior. Hahahaha

Cativeiro - Caracas, e a gente termina de ler e fica pensando quem estava falando a verdade.

De onde homens não falam - Esse aí deixa a gente com uma raivinha. hahahah

Uma última dose para Aleksandr Boutov
- O maior e último conto do livro terminou exatamente como eu imaginei que terminaria.


Sobre o autor


Mauro Paz nasceu em Porto Alegre (RS) em 1981. Formou-se em Letras. Aprendeu a estruturar contos com CHarles Kiefer, compor personagens com Assis Brasil, escrever diálogos com Igor Bender, amar pessoas com Walmaro Paz e Vera Paz. Fez coisas ruins e coisas boas.Sente muito orgulho das amizades que construiu e deste primeiro livro publicado com apenas seu nome na capa.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Princesa Sultana: sua vida, sua luta - Jean P. Sasson - Best Seller




Tenho um carinho muito especial por essa trilogia. Li os dois primeiros livros há mais tempo e, ao contrário de muitas trilogias, em que o melhor é sempre o último livro, neste caso achei o contrário: o primeiro é o melhor de todos, o segundo é o intermediário e o terceiro é o mais fraco. Mas, não entedam com isso que ele é ruim, porque não é. O livro é ótimo e ler Jean P. Sasson é sempre uma delícia, mas é que o primeiro livro é realmente o mais chocante. Já escrevi aqui sobre eles: o primeiro, "Princesa", e o segundo, "As filhas da Princesa".

Mas vamos à história que fecha a trilogia. Neste livro Jean explora mais a vida das mulheres em geral, contando histórias marcantes que Sultana ouviu ou ficou sabendo, algumas até relacionadas a membros da sua família. O livro tem humor também, mas o drama ainda impera. Neste livro continuei apaixonada pela coragem e luta de Sultana, por seu espírito guerreiro e por sua vontade de mudar as coisas no seu país. Como as outras mulheres, Sultana poderia ficar quieta e seguir em frente, mas preferiu lutar, fazer sua parte, mesmo que ela represente uma migalha perante à cultura machista e violenta da Arábia Saudita. 


E por mais que a gente tenha ficado com a impressão de que Sultana é uma muralha lendo os dois primeiros livros, no teceiros nós vemos que toda essa situação acaba atormentando-a mais do que ela mesma parece aguentar, fazendo com que o alcoolismo e a depressão quase tomem conta dela.

Adorei o livro e fiquei pesarosa por ser o último. Se Jean resolver transformar a trilogia em uma série, estarei de braços abertos para os próximos livros. :)

Sobre a autora

Jean P. Sasson é autora da trilogia best-seller "Princesa", "As Filhas da Princesa" e "Princesa Sultana", que mostraram ao Ocidente a realidade sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita. Seu primeiro livro, o sucesso editorial "The Rape of Kwait", vendeu mais de um milhão de cópias e alcançou o segundo lugar na lista do jornal norte-americano "The New York Times". Sempre envolvida com temas ligados às mulheres, Jean Sasson é americana, viveu na Arábia Saudita e viajou por todo o Oriente Médio.

Há ainda os Livros "Mayada" e "Amor em Terra de Chamas", da mesma autora. Tenho ambos os livros e já li Mayada, em breve posto a resenha por aqui. :)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Nó na Garganta - Patrick Mccabe - Ed. Geraçao Editorial



Esse livro já inspirou uma peça teatral e até um filme de Neil Jordan mas, para mim, não foi uma boa experiência.

Li muitas criticas positivas e o livro é bem avaliado, mas eu, sinceramente, não gostei. Trata-se de uma história sobre um menino que revela, aos poucos, sua mente psicopata, cruel e descontrolada.

E o texto segue o mesmo estilo. É confuso e sem pontuação. A leitura não me deixou à vontade, como os livros de Saramago (que também não usa pontuação) me deixam, por exemplo. Fiquei confusa em diversas ocasiões, tendo que voltar algumas linhas para entender se aquilo era um diálogo, um pensamento ou uma narrativa. Saramago é incrivelmente superior quando se trata de escrever sem pontuação.

A história, apesar de criativa, não chamou a minha atenção e nem despertou minha curiosidade. Ao contrário de outras pessoas que escreveram sobre o livro, eu não fiquei louca de vontade de saber o que aconteceria a seguir.

Talvez o livro simplesmente não seja meu estilo ou eu que não estava no clima para esse tipo de leitura, afinal, li na semana entre o natal e o ano novo e, por ser uma época de confraternização e boas energias, o livro trouxe uma vibe um pouco contrária.

Sobre o autor

Patrick McCabe nasceu em Clones, na Irlanda, em 1955. Dramaturgo e novelista, é autor de um livro para crianças, The Adventures of Shay Mouse (1985), e dos romances Music on Clinton Street (1986), Carn (1989), The Butcher Boy (1992), que venceu o Irish Times / Aer Lingus Literature Prize e foi adaptado para o cinema, em 1997, por Neil Jordan. Foi nomeado para o Brooker Prize, em 1998, com Breakfast on Pluto.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Criando bebês felizes - Steve Biddulph - Ed. Prestígio

Sabe quando você tem uma ideia pré-estabelecida e, depois de estudar sobre o assunto percebe que você, na verdade, não sabia absolutamente nada?

Pois é, foi exatamente assim que eu me senti depois de ler esse livro. A gente ouve por aí que bebê precisa ir para a escola com um ano porque "se desenvolve mais rápido" e porque "bebês precisam brincar com outros bebês" quando o que o bebê de um ano realmente precisa é ser amado e ter cuidado individual, coisas que nem a tia mais fofa do mundo consegue dar conta com 20 crianças sob sua responsabilidade. E aí entendi porque as pessoas estão chegando à fase adulta com cada vez mais problemas emocionais.

Um bebê que com 4 meses é deixado por 10, 12 horas em um berçário pode trazer sequelas por toda a sua vida. Isso é sério, é provado no livro, mas é pouco discutido no Brasil. Claro, não é interessante que os pais saibam como faz mal uma criança fica longe da mãe nesse começo de vida, já que nosso País só concede 4 meses de licença maternidade por lei (e ao mesmo tempo lança campanhas dizendo que as mães devem amamentar até 2 anos ou mais. Ah tá, que horas, se a mãe trabalha o dia inteiro desde que o filho tinha 4 meses?).

De acordo com o autor, quando mais o bebê ficar com a mãe por perto, melhor. O começo da vida de um ser está diretamente relacionado com o equilíbrio físico, social e emocional dessa criança até a fase adulta. Nos primeiros anos de vida, a noção de autoconfiança se estabelece (ou não, se a criança não tem o ambiente nem as ferramentas necessárias para isso) e há o desenvolvimento do cérebro e das atividades cognitivas, que tornam uma criança capaz de discernir entre o certo e o errado, o positivo e o negativo.

É o cuidado individual, o amor e as relações com sua família os principais ingredientes de que o bebê necessita para se desenvolver até completar 36 meses e, aí sim, começar a ter necessidade real de interagir socialmente com outras crianças. O valor mais importante para a criança nesta fase é o amor. Um princípio fundamental da psicologia. Ao se desperdiçar essa oportunidade, surge a possibilidade de uma geração de pessoas mais frias, introspectivas, deprimidas e estressadas.

Com linguagem clara e concisa, o autor mostra que o relacionamento mais importante e duradouro que podemos estabelecer ocorre nesta etapa, quando são bebês.Além disso, ele apontar o motivo pelo qual essa "lenda urbana" que de é melhor para o bebê ir para a escolinha foi enraizada na sociedade.

Eu, que pensei em colocar Arthur (hoje com 1 ano e 7 meses) na escolinha com 1 ano, mudei completamente de ideia depois que li este livro. Ele continua comigo em casa até fevereiro do ano que vem, quando ele terá 2 anos e 5 meses. Mudei minha vida para acompanhar esse começo de vida dele. Ganho menos? Sim. Mas ser uma mãe completa para ele e, principalmente, sem culpa, é impagável. :)