sábado, 13 de março de 2010

Te Espero o Tempo que For - Samir Thomaz - Brasiliense

Tenho duas situações para compartilhar com vocês.

A primeira situação:

Você leva sua vida tranquilamente, em uma cidade pequena, onde todos se conhecem. Tem a sua reputação, a casinha que sempre sonhou, uma esposa dedicada, seus dois filhos e sua rotina de chefe de família. Você não faz mal para ninguém, é trabalhador e sonha com um futuro de felicidade e prosperidade para seu rebanho, que é seu tesouro mais precioso e que você defende com unhas e dentes sempre que preciso, como um leão defende a sua cria e o seu território.

Eis que, de um dia para o outro, descobre que sua filha, uma adolescente de 16 anos, seu maior xodó, está se envolvendo com um homem de 42, pela internet, ou seja, sem nunca tê-lo visto na vida, que é soropositivo e que tem uma filha da idade da sua.

O que você faria?

A segunda situação:

Você é um paulistano de 42 anos, que já sofreu pegadinhas bem desagradáveis do destino. Contraiu o vírus da Aids quando ninguém sabia muito bem o que era a doença. Passou a conviver com a culpa de ter contraído essa desagradável companheira para o resto da vida pura e simplesmente por um erro seu. Erro esse que custará caro para sempre e que, infelizmente, não pode ser desfeito.

Ficou doente, sofreu preconceito, levantou a cabeça e seguiu em frente. É editor e escritor ao mesmo tempo. Trabalha muito fazendo o que gosta, mas não ganha o que merece em troca do que sabe fazer de melhor. Viveu um casamento de 20 anos feliz e repleto de cumplicidade, mas que acabou se desgastando. Teve, então, que se acostumar a viver sozinho novamente.

Tem uma filha de 16 anos que está cada vez mais independente e, de um dia para o outro, acaba engatando uma conversa na internet com uma garota que parece estar muito interessada em você, ser extremamente madura para a sua idade e representar toda a vitalidade e aventura que sua vida não tem há tempos. A intensidade das coisas aumentam a passos rápidos e, de uma hora para outra, você se vê completamente envolvido e com um frio na barriga que faz toda essa aparente loucura valer a pena.

Mas, descobre que ela tem 16 anos, é filha de pais conservadores ao extremo e que, por querer ser médica e estudar muito sobre saúde, aceita tranquilamente o fato de você ser soropositivo. Tudo parece conspirar a favor desse relacionamento e o sentimento só cresce.

O que você faria?

Toda história que envolve mais de uma pessoa tem dois lados. E nenhum lado está completamente certo, nem o outro lado completamente errado. Eu pensei muito, muito, muito depois de terminar o livro, tentando achar um lado para eu me posicionar na resenha. Mas, não consegui. Entendo o lado do Samuel, o apaixonado, mas também entendo completamente o lado do pai de Lívia.

O livro é muito bem escrito, fazendo com que o leitor aguce cada vez mais a sua curiosidade para saber os próximos acontecimentos. Na verdade, o ponto mais positivo da obra é o envolvimento que o livro consegue despertar.

Eu, particularmente, fiquei envolvida com os personagens, com os acontecimentos e lembrei muito de mim ao ler sobre
Lívia. Eu era muito parecida, sem preconceitos, sem ter medo do que os outros pensam, querendo mudar o mundo com as minhas ações, extremamente inocente e otimista. Mas, eu era mais questionadora, mais guerreira e menos resignada.

Com certeza, se isso tivesse acontecido comigo, eu ia virar a paz da minha família de pernas para o ar. E, certamente, a reação dos meus entes queridos seria muito parecida com a reação da família de
Lívia: desespero, preocupação e instinto de proteção aflorado. Sofri por ver o peso que essa adolescente carregou e vibrava com cada conquista dos pombinhos. É uma situação difícil, é uma história real, é um fato que marca a vida dos envolvidos e que foi, sabiamente, transformado em um livro ótimo!

Sobre o Autor

Samir Thomaz é editor assistente da Editora Ática. É autor de dois livros de literatura juvenil: Eu pensava... e Carpe Diem - O Crime Bate à Porta. Meu Caro H - A Convivência de um Escritor com o Vírus da Aids foi lançado no dia 29 de novembro de 2000.

Onde Comprar:
Na Livraria Resposta e na Livraria Solução por R$ 35,00.


O combinado!

E, em breve, vocês poderão conferir aqui uma entrevista EXCLUSIVA com o autor dos dois livros autobiográficos sobre os quais já postei: Meu Caro H e Te espero o tempo que for. Combinamos isso logo que recebi o contato do autor (não sabe da história? Leia tudo aqui!). Olha que chique, hoje somos até amigos de orkut (site que, aliás, tem participação ativa no livro).

E, junto com a entrevista, vem aí ua promoção ótima! Quer ganhar um exemplar de Te espero o tempo que for? Então, fiquei ligado no Leitura! :)

terça-feira, 2 de março de 2010

Vidas Secas - Graciliano Ramos - Record

Um clássico da nossa literatura, que orgulha todos os brasileiros que o leem. Vidas Secas retrata, como o nome diz, a vida de uma família que luta para seguir em frente, em meio à pobreza, à fome e à seca que assola o nordeste do nosso País.

E é fácil se apegar a esses personagens, em especial à cadela Baleia, que tem no seu nome o antagonismo para um corpo magro, com todas as costelas aparecendo e alimentos escassos para sua sobrevivência. A família de nordestinos é composta por Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cadela. É comovente, é triste, mas é real, acima de tudo.

Era real na época em que foi escrito (em 1938!!!), e é real, completamente real, ainda hoje.
A cachorrinha me tocou de uma forma especial, mas tudo isso só aconteceu pela maneira objetiva e eficiente com que a obra foi escrita. Em busca de uma vida melhor, o livro conta a saga dessa família, que segue em busca da felicidade, que está nas pequenas coisas, muitas vezes em um pedaço de pão ou em um pingo de chuva. Nota-se, no livro, a
ausência de comunicação entre os familiares.

Eles não conversam, porque não têm o que dizer, já que não sonham, já que não têm perspectiva e nem educação. Outro ponto forte são as injustiças, o sofrimento e as desgraças, uma após a outra, que assolam a família sertaneja. Dá uma pena ler o livro... e esse sentimento vai só crescendo no decorrer da leitura. Melancolia e pena são palavras de ordem.


O filme

O filme baseado em Vidas Secas foi lançado em 1963 por Nelson Pereira dos Santos. Não assisti ao film
e, mas ouvi falar muito bem dele. Foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca.
Confira um trecho:

Onde Comprar: Na Saraiva e no Submarino por R$ 20,60.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Eu sou mãe!

Porque mãe de cachorro também é mãe! Uhuuuuuuu!!! Adorei esse selinho! Ganhei da amada Elaine, do Um Pouco de Mim. Quem tem um filho peludo e quer esse selinho?

Me conta nos comentários se você tem um cachorro, assim posso conhecer mais sobre você! :)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cartas à Mãe - Ingrid Betancourt - Agir

O livro, recheado da mais pura emoção e do mais intenso desespero, foi elaborado por meio da compilação de uma carta de 12 páginas escrita por Ingrid durante seu cativeiro na selva e dedicada à sua mãe. Escrita em 24 de outubro de 2007, a carta foi encontrada em poder dos guerrilheiros presos pelo governo da Colômbia, em Bogotá, no final de 2007. Essa carta foi um divisor de águas para o início de um movimento da opinião pública e da imprensa mundial, que passaram a cobrar uma solução para o caso, depois de tantos anos sem uma prova de vida da candidata à Presidência da Colômbia.

A carta é linda e, em muitos momentos, Ingrid agradece à sua mãe por, mesmo sem ter certeza se sua filha contonuava viva ou não, ia todo dia falar em um programa de rádio, com a esperança de que ela ouvisse. E ela ouvia.

Logo que a carta termina, o livro traz a carta em resposta, escrita por seus filhos e, depois, um posfácio com algumas informações a respeito das Farc e da situação dos sequestrados.

A carta de Ingrid é intensa, sincera, verdadeira e me emocionou por diversas vezes. Mais uma vez eu paguei mico no metrô, chorando feito criança com o livro aberto nas mãos.

Já a resposta de seus filhos mostra o quanto o orgulho e o autoritarismo de alguns políticos podem interferir na vida de várias pessoas. Ao pensar que o sofrimento de anos dessas centenas de sequestrados podia ter acabado em algumas horas é revoltante!

Ingrid x Clara Rojas

Ao contrário do livro de Clara - Eu, Prisioneira das Farc - Cartas à Mãe não conta muito detalhes do dia-a-dia na selva, afinal, por ser uma carta dirigida à família, Ingrid tenta falar de coisas boas e mandar recados, ao invés de ficar preocupando e angustiando seus entes queridos.

O livro é pequeno e pode ser lido em poucas horas, ao contrário do livro de Clara, que é um pouco maior.

Outra diferença é a questão da amizade. No livro de Clara, comentei na resenha sobre o encerramento estranho e misterioso da amizade entre as duas. Comprei o livro de Ingrid com o objetivo de conseguir essas respostas, o que não aconteceu. Pior do que escrever de forma obscura sobre o assunto, como fez Clara, é simplesmente não mencionar o nome da amiga, como fez Ingrid.

Ou seja, minhas perguntas continuam sem resposta, mas Cartas à Mãe é lindo, transborda amor e vale a pena ser lido por quem acompanhou todos aqueles acontecimentos e para quem, como eu, não consegue entender o que fez um mulher como Ingrid Betancourt aguentar todos aqueles anos de profundo sofrimento.
Eu, sinceramente, não sei se teria conseguido.

Confira um trecho


"Sinto-me vencida"

"Esses seis anos ou quase de cativeiro demonstraram que não sou nem tão resistente, nem tão corajosa, inteligente e forte quanto pensava. Travei muitas batalhas, tentei a fuga diversas vezes, procurei manter a esperança como mantemos a cabeça fora d'água. Mas hoje, mamita, sinto-me vencida".

Sobre a Autora

Para saber mais sobre Ingrid, nada melhor do que devorar esse infográfico do Estadão.

Onde comprar

Os lugares mais baratos que encontrei foram: Submarino, por R$ 9,90 (aproveitem!!!) e Livraria da Travessa, por R$ 16,51.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Da série: o que me deixa bege


A blogosfera literária unida vem através desta blogagem coletiva mostrar seu repúdio a aqueles que se utilizam dos textos alheios para se projetar na web.

O mundo virtual dos blogs é um espaço livre, de compartilhamento de ideias e opiniões, mas essa liberdade também deve ser norteada pelos princípios da ética e da camaradagem.

Infelizmente a ética e a camaradagem não têm sido respeitadas por algumas pessoas. Nos últimos dias tivemos conhecimento de que um dos blogs dedicados a falar sobre o universo dos livros o "Nossos Romances", foi quase que totalmente copiado. A proprietária (e nós também) vimos que além do layout do blog, vários textos foram simplesmente transplantados de um blog para o outro. A confirmação do plágio se deu a partir da comprovação que as mesmas resenhas publicadas no blog Nossos Romances, estavam publicadas aqui.


As blogueiras têm consciência de quando os textos estão inseridos na internet, há possibilidade de menções e cópias, mas o que não é admitido é ter os nossos textos copiados, sem a nossa autorização ou, pelo menos, um aviso de que o texto será reproduzido. A falta desse aviso é compreendido pelas blogueiras como uma simples cópia com o intuito de aproveitar-se da audiência e/ou sucesso alheio.

O caso do blog Nossos Romances que teve seu template e textos copiados, chegou a tal ponto que até o domínio .com.br foi registrado. A ação é considerada como plágio e a blogosfera literária repudia, abomina e em conjunto vai denunciar essa atitude.

"Eu to passada!!!! Isso é inconcebível! Espero que Lili consiga justiça e que, um dia, todos os blogueiros possam rir desse episódio e do fim que o infeliz levou."

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Albatroz Azul - João Ubaldo Ribeiro - Nova Fronteira

Tertuliano é um idoso que, tendo a certeza de que sua morte estava próxima, tem uma visão de toda a sua vida e, a partir daí, busca renovação, renascimento e o sentido para tudo.

A primeira coisa que notei durante a leitura foi como o autor consegue nos aproximar do personagem principal, fazendo com que sintamos carinho, afeição e curiosidade sobre a evolução dos acontecimentos.
Confesso que demorei um pouco para me habituar à esccrita de Ubaldo, as palavras escolhidas, as gírias da Bahia, a maneira diferente de se expressar e a pitada sarcástica e bem humorada do autor. Mas, depois de pegar o ritmo, a leitura torna-se agradável e fácil, fluindo tranquilamente.

Há partes muito engraçadas, em que fica quase impossível não gargalhar, e outras que podem ser consideradas drama puro, como o momento em que ele relembra sua infância e um acontecimento que mudou sua vida para sempre.

E, durante toda leitura, a dúvida sobre o nome do livro me intrigava. Não entendi a relação do nome com a história que lia. Mas, tudo tem sentido nas duas últimas páginas. E, no final, o que resta é uma sensação agradável, a paz que o livro deixa de herança e ainda mais admiração pelo autor que, no seu estilo, realmente tem um dom único para a escrita.

Para saber mais, acesse o site do livro!


Sobre o Autor

João Ubaldo Ribeiro é baiano da Ilha de Itaparica. Seu primeiro romance,
Setembro não tem sentido, foi publicado quando tinha apenas 21 anos. É autor, entre outros, de Sargento Getúlio e Viva o povo brasileiro, marcos da literatura bra­sileira contemporânea.

Seus últimos ro­mances,
A casa dos budas ditosos, Miséria e grandeza do amor de Benedita e Diário do farol, venderam mais de 500 mil exem­plares. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1993, João Ubaldo Ribei­ro vive no Rio de Janeiro, onde dedica-se à literatura e colabora com jornais do Brasil e do exterior.

Em 2008, recebeu o Prêmio Camões, atribuído aos maiores escritores de língua portuguesa.


Onde Comprar

Os lugares mais baratos que encontrei foram: Submarino, por R$ 30,90 e Estante Virtual, por preços a partir de R$ 19,00.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O que é isso, companheiro? - Fernando Gabeira - Companhia das Letras


Li essa obra no primeiro ano da minha faculdade de jornalismo, durante a matária História do Jornalismo, enquanto estudávamos a época da ditadura e da censura. Faz tempo que li (9 anos...ai, como o tempo passa!), mas parece que foi ontem.

O livro mexeu bastante comigo, apesar de eu nem sonhar em existir naquela época. Foi ótimo para viajar pelos anos 60 e 70, para se sentir na pele das pessoas que sofreram com a ditadura e também para entender o sentido de tudo o que grupos organizados tentaram alcançar ao realizar movimentos, ações bem intencionadas e algumas até criminosas em nome da volta dos direitos civis e da liberdade de expressão.

Além de trazer uma visão pessoal e bem detalhada daquela época por alguém que viveu de perto todos os horrores da ditadura, Fernando Gabeira escreve bem, de maneira envolvente e super direta, sem rodeios e nem floreios. Perfeito para o leitor ter vontade de continuar e, também, para combinar com a realidade dos fatos narrados.

Conforme traz a sinopse do livro, a obra busca compreender o sentido de suas experiências a luta armada, a militância numa organização clandestina, a prisão, a tortura, o exílio e no qual elabora, para a sua e para as gerações seguintes, um retrato autêntico e vertiginoso do Brasil dos anos 60 e 70. Relato lúcido, irônico, comovente, o livro se transformou num verdadeiro clássico do romance-depoimento brasileiro e foi filmado pelo diretor Bruno Barreto. Confira um pedaço do filme:





Assisti ao filme e também adorei! o ideal é recorrer aos dois, mas, se você é diferente de mim e tem preguiça de ler, o filme é uma ótima pedida!

É bem estranho ver o atual depuado feder
al e imaginar tudo o que ele já viveu e lutou um dia, mesmo que de maneira meio utópica, por um Brasil melhor. Acho que o melhor do livro é a sinceridade com que ele foi escrito. Adorei. Acho que, mais do que uma boa dica de leitura, o título é necessário para conhecer mais da história do nosso País.

Sobre o Autor


Nascido em 17 de fevereiro de 1941, em Juiz de Fora (MG), ele é filho de Paulo Gabeira e Izabel Nagle Gabeira. Como jornalista, trabalhou para o Jornal do Brasil, O Dia, Zero Hora, Folha de S. Paulo e para a TV Bandeirantes. Cobriu fatos importantes como o acidente radioativo com o césio 137, em Goiânia e o day after da queda do Muro de Berlim.

No final dos anos 60, ingressou na luta armada contra a ditadura militar por meio do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro). Em 1969, participou do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick, a ação mais radical da guerrilha contra o regime autoritário. Foi baleado, preso e, mais tarde, exilado, numa operação que envolveu a troca de presos políticos pelo embaixador da Alemanha, também seqüestrado pela guerrilha.

Em dez anos de exílio, esteve em vários países, como Itália e Suécia, onde trabalhou até como condutor de metrô. Com a anistia, voltou ao Brasil no final de 1979, e lançou o livro "O que é isso, companheiro?". Em 1989, concorreu à Presidência da República pelo Partido Verde, mas, na ocasião, Fernando Collor foi eleito presidente.

Em 1994, 1998 e 2006, Gabeira foi eleito deputado federal. Confirma o site oficial de Fernando Gabeira.

Onde Comprar

Os lugares mais baratos que encontrei foram: Cia dos Livros, por R$ 14,63 e Americanas, por R$ 17,90.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Gentileza gera gentileza!

Esse selinho fofo e bem bresileiro foi oferecido pela querida Kátia do Colcha de Retalhos. Ele me deu há séculos, mas só consegui postar agora, pode?

Os indicados:

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

É por essas e outras que eu AMO a internet

Lembram que escrevi uma resenha sobre o livro Meu Caro H? Aquele que eu li na adolescência sobre um portador do vírus HIV?

Pois bem, essa resenha me rendeu boas surpresas! A primeira foi um comentário escrito pelo próprio autor do livro. Para lê-lo, deixa de preguiça e vá até o post. Tá bom, tá bom, vou transcrevê-lo:

Samir Thomaz disse...

Carla, obrigado pelo seu comentário. Deu pra sentir que você leu o livro de uma maneira bastante intensa, o que só me deixa orgulhoso e gratificado em razão da qualidade da análise que você fez. Eu gostaria de lhe agradecer enviando-lhe um exemplar do meu livro lançado em outubro, "Te espero o tempo que for", um romance autobiográfico que trata de uma situação específica pelo fato de eu ser soro.

Não queria escrever mais sobre esse assunto, mas uma vez que se carrega o vírus nas veias e se expõe do modo como eu me expus, tem de saber que poderá sofrer preconceito e ter sua liberdade restrita. Foi o que aconteceu comigo e por isso eu voltei ao assunto.


Gostaria que, se for do seu interesse, claro, me enviasse o seu endereço para o meu e-mail (samirthomas@gmail.com), para que eu possa retribuir a sua generosidade em palavras.
Um abraço.
Samir

Não é demais? Quando isso tudo seria possível sem a internet? Não é só porque ela é meu ganha pão não, sou fã de carteirinha MESMO! E nem imagino mais minha vida sem ela! Esse é o lado bom dos tempos modernos!

Mais que rapidamente respondi o e-mail do Samir e fomos nos falando sobre o envio do livro. Nesse mei
o tempo, recebi um e-mail de uma leitora fofíssima, a Lu Vieira, do Máquina de Letras, dizendo que ela tinha AMADO a resenha sobre o livro e, mais ainda, o comentário de Samir. Ela manifestou um super interesse em ler uma entrevista com o autor, e sugeriu que eu propusesse isso a ele.

Lá fui eu enviar um outro e-mail com o pedido da entrevista. Quem tem boca vai a Roma, néaammm? Samir foi um fofo e topou! Uhu!! :)


Então, aguardem! Assim que eu acabar de ler Te espero o tempo que for, farei a entrevista com o autor da obra, Samir Thomaz, e publicarei tudo aqui para vocês conferirem!

Para finalizar, preciso dividir com vocês a super novidade que foi o motivo do post: os livros chegaram!!!!


Isso mesmo, Samir enviou o Te espero o tempo que for, com uma dedicatória L-I-N-D-A e ainda o Carpe Diem, sua primeira obra.

Abaixo, deixo vocês com as fotos dos livros e das dedicatórias super carinhosas do Samir. Porque não basta ser escritor, é preciso ter alma de poeta. ;)

Os livros

Dedicatória - Carpe Diem

Dedicatória - Te espero o tempo que for

Para ver as fotos em tamanho maior, é só clicar.

E aí, concordam comigo? A internet não merece todo o meu amor?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago - Companhia das Letras


Eu sou suspeita, porque fiquei fascinada por Saramago depois de ler esse livro. Fascinada.

O livro é perturbador, de qualidade única, tão bem escrito que chegou a provocar reações físicas enquanto eu o lia. Cheguei a ficar enjoada, um dia, enquanto lia a descrição do estado do local onde os cegos estavam abrigados.
A narrativa é realmente singular, a cegueira que aflige o mundo inteiro - e que é branca, e não preta, como normalmente - pode significar várias coisas, dependendo do entendimento de cada leitor. O mesmo ocorre para o fato de apenas uma mulher não ficar cega e para o final do livro. Então, o livro é, ao mesmo tempo, objetivo e subjetivo.
Ao mesmo tempo, o livro trata de um assunto praticamente irreal, mas trata também da alma humana, tal qual ela é, trazendo uma dose maciça de realidade. Na realidade, Ensaio é uma metáforo do mundo em que vivemos, onde enxergamos, mas somos todos cegos. Onde somos todos iguais, mas estamos sempre segregando, fazendo diferenças.

E a forma única - e marca registrada - de Saramago escrever, sem pontuação alguma, incomodou muita gente, mas a mim não interferiu em nada. Porque a narrativa tem tanta qualidade, mas tanta, que é fácil se envolver e acostumar com a forma com que o livro foi escrito.

Outro detalhe muito legal é a falta de nomes dos personagens. Para que nomes, se os cegos tornam-se todos iguais, sem diferenças de imagem e posses?


Ensaio sobre a Cegueira foi um dos livros que mais me marcou. Um dos livros que, certamente, lembrarei para sempre. É lindo, é intenso, é pura verdade.


O filme


O livro, de 1995, inspirou muito cineastas a adaptarem a história para as telas. mas, Saramago nunca permitiu. Até que Fernando meirelles conseguiu a façanha. Por conta disso, a pressão era grande e Meirelles estava muito ansioso e receoso de provocar uma reação negativa no autor, ao assistir ao filme.

Acompanhei o blog do cineasta durante as filmagens e, quando ele postou esse vídeo, chorei demais. Olha que linda a reação de Saramago! Certamente esse foi o momento mais especial da carreira de Meirelles.



E, realmente, o filme foi um feito e tanto. Costumo me decepcionar muito com adaptações, sempre as acho muito inferiores aos livros, mas Ensaio ficou ótimo! E meu marido, que foi comigo ao cinema e não tinha lido o livro, saiu de lá emocionado e completamente mexido. Então, se mexeu com quem leu e com quem não leu, cumpriu seu papel, e de forma louvável.

Em nome da literatura e para seu próprio bem, leia Ensaio sobre a Cegueira. Você não vai se arrepender.


Sobre o Autor


José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades econômicas.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".
Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vive exclusivamente do seu trabalho literário.
Onde Comprar
Os lugares mais baratos que encontrei foram: Cia dos Livros, por R$ 29,00 e Saraiva, por R$ 29,30.